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Buraco na camada de ozônio tira o sono

Por Judith Achieng*

O mundo se prepara para os passos destinados a reduzir o enfraquecimento da camada de ozônio e forjar novos caminhos nesse sentido.

Nairóbi - Enquanto os governos do mundo se preparam para a crucial reunião sobre a camada de ozônio, em Burkina Fasso, de 11 a 14 de dezembro, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) adverte que o dano causado a este escudo natural atingiu níveis sem precedentes e é acelerado pelo aquecimento global. As últimas medidas feitas por satélites revelam que a extensão do "buraco" na estratosfera sobre a Antárdida chegou a 28,3 milhões de quilômetros quadrados em setembro deste ano, seu maior tamanho desde 19 de setembro de 1998, quando foi de 27,2 milhões de quilômetros quadrados.

A degradação da camada de ozônio sobre as latitudes nórdicas também alcançou níveis sem precedentes, dando lugar a previsões de um segundo buraco sobre a região ártica. "Embora tenha-se avançado enormemente na última década na supressão paulatina dos agentes químicos que destróem o ozônio, o estado da camada de ozônio continua crítico", afirmou Klaus Toepfer, diretor-executivo do PNUMA, que patrocinou o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Reduzem a Camada de Ozônio em 1987. "Nossa principal tarefa para a próxima década e para a região de Ouagadougou (capital de Burkina Fasso) é completar o esforço dos 90 para garantir que os países em desenvolvimento tenham os recursos financeiros e tecnológicos necessários para uma transição completa para economias que não afetem o ozônio.

A reunião analisa os informes de 1999 sobre produção e uso de clorofluorcarbonos (CFC), considerados os principais responsáveis pela deterioração da camada de ozônio, nos países em desenvolvimento, comprometidos em acelerar a eliminação progressiva para chegar ao corte de 50% até 2005. A data-limite para a eliminação completa da produção e uso do CFC é 2010. Os países industrializados cumpriram seus prazos, enquanto as nações em desenvolvimento contaram com um período de carência de dez anos antes de começarem a suprimir paulatinamente seus CFCs e tetracloruro de carbono aos níveis médios de 1995, no dia primeiro de julho de 1999.

Os cientistas afirmam que a redução da camada de ozônio permite que uma quantidade maior de radiações ultravioleta do tipo B cheguem à superfície da Terra, com potenciais efeitos nocivos à saúde do homem, dos animais e às plantas. "O aquecimento da atmosfera perto do solo faz com que a estratosfera se torne ainda mais fria. As baixas temperaturas catalisam os processos químicos que destróem as moléculas de ozônio", revela o PNUMA. O Painel Científico do Protocolo de Montreal afirma que a camada de ozônio poderia recuperar os níveis anteriores a 1980 até 2050, mas, somente se esse protocolo for implementado ao pé-da-letra.

* A autora é correspondente da Inter Press Service.

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