5 de noviembre del 2000
Va al Ejemplar actual
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Buzón
  Al día
Home Page
Ejemplar actual
Reportajes
  Exclusivo para la red
  Análisis
  Grandes Plumas
  Acentos
  Entrevista y P&R
  Ecobreves
  ¿Lo sabías?
  Tú puedes
  Libros
  Galería
Ediciones especiales
Gente de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
  Servicios
  FAQ
Geojuvenil
Espacio de debate hecho por jóvenes y para Jóvenes
Geojuvenil
 

Eduterra
Proyecto educativo

Eduterra

 
Cambio Climático
Proyecto de soporte a negociación ambiental

Cambio Climático

  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
 
O gado esquenta o mundo

Por
Mário Osava*

A pecuária é uma das maiores fontes de gases causadores do efeito estufa no Brasil, que possui o segundo rebanho bovino do mundo, depois da Índia.

Rio de Janeiro - O Brasil poderia reduzir boa parte de sua responsabilidade no aquecimento da Terra apenas melhorando sua atividade pecuária. Os ruminantes herbívoros, como os bovinos, produzem grande quantidade de metano, um dos principais causadores do efeito estufa. O Brasil possui o segundo rebanho bovino do mundo, depois da Índia, com mais de 160 milhões de cabeças, quantidade equivalente à sua população e suficiente para inundar o mercado internacional de carne e leite, se sua produtividade não fosse baixa.

No Brasil, ainda está em elaboração inventário de emissões dos distintos gases, mas, sabe-se que a pecuária é uma das maiores fontes, depois da queima de florestas. O gado contribui com 29% do volume de metano emitido no território brasileiro, seja pela fermentação no processo digestivo ou pelos dejetos, explicou à IPS Magda Lima, coordenadora do inventário dessa área. Esse gás também é produzido por combustíveis fósseis, pela agricultura, por resíduos e processos naturais dos pântanos, por exemplo. Além dos animais ruminantes, o cultivo de arroz em zonas alagadas é outra fonte, concentrada na Ásia em 90%.

As emissões de gases pelo gado no mundo somam cerca de 94 teragramas (Tg=milhões de toneladas) por ano, e o Brasil contribuiu com 9,97% do total entre 1986 e 1995, segundo cálculos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), onde Magda trabalha. No entanto, essa participação poderia diminuir, já que o país não necessita de tanto gado para manter sua produção anual de alimentos. No caso do leite, por exemplo, bastaria um quinto do número existente de vacas, afirma a pesquisadora. Isto seria possível se o Brasil alcançasse a produtividade da Austrália e da Nova Zelândia, acrescenta Paulo Machado, professor da Escola de Agronomia da Universidade de São Paulo (USP), que dá assessoria à Associação Brasileira de Criadores de Gado Holandês. Com vacas como as dos Estados Unidos, que produzem sete toneladas anuais de leite, seria possível reduzir o rebanho leiteiro brasileiro a um décimo do seu número atual, acrescenta o pesquisador.

A tendência é uma redução drástica na quantidade de animais, embora, no momento, seja lenta e, num futuro não muito longe, o consumo de leite dobre, acrescenta o professor. Para isso deverá contribuir um Programa Nacional de Qualidade, anunciado pelo governo. Embora admitindo o excesso de gado no Brasil e sua responsabilidade no efeito estufa, o professor Machado destaca a importância dos animais, capazes de transformar pastagens e outros vegetais não comestíveis pelo ser humano em alimentos nobres, como carne e leite, e em matérias-primas, como o couro.

Porém, o gado não gera apenas o gás que contribui para esquentar a Terra. No Brasil, também está associado ao maior problema ambiental nacional, os incêndios florestais e a forte concentração da propriedade rural, fonte de graves conflitos sociais. Em muitos casos, especialmente na fronteira agrícola, queima-se as florestas para dar lugar a pastagens e nela instala-se e abandona-se milhões de reses, apenas para assegurar a posse de grandes extensões de terra, como um sinal de ocupação. A produção de carne e leite não é o objetivo principal.

Isto é o que mais preocupa ambientalistas como Rubens Born, diretor da organização não-governamental Vitae Civilis: o gado como agente das queimadas na Amazônia, que geram as maiores emissões de gases no Brasil, neste caso o dióxido de carbono, principal responsável pelo efeito estufa. Born, que participou em Haia da conferência das Partes da Convenção Marco sobre Alteração Climática, prefere esperar a conclusão do inventário nacional para ter uma idéia mais precisa da responsabilidade proporcional do metano bovino.


* O autor é correspondente da IPS.

Copyright © 2000 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados