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"O novo modelo de desenvolvimento agrícola"

Por Jacques Diouf*

Roma - Embora durante a década passada o fornecimento de alimentos em nível mundial tenha aumentado mais rapidamente do que o crescimento global da população, a insegurança alimentar continua sendo de grandes proporções. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) estima que cerca de 824 milhões de pessoas, das quais 93% vivendo em países em desenvolvimento, não têm alimentos para atender suas necessidades básicas.

O problema não está no aumento da oferta de alimentos, mas em sua distribuição geográfica e na falta de acesso a eles. As pessoas afetadas têm acesso limitado aos recursos produtivos e uma renda tão baixa que não podem comprar o alimento do qual necessitam. Além disso, outros milhões de pessoas sofrem as conseqüências de emergências alimentares temporárias, devido a desastres naturais ou provocados pelo homem, incluindo um número cada vez maior de conflitos armados. Portanto, o desenvolvimento rural é absolutamente essencial para combater essas situações, pois a grande maioria das pessoas que sofre de fome, crônica ou temporária, vive em áreas rurais.

Embora a proporção da população mundial que vive em zonas rurais tenha diminuído, seu número absoluto é superior a três milhões de pessoas e espera-se que continue nesse nível por, pelo menos, mais 30 anos. A segurança alimentar existe quando todas as pessoas em todo momento têm acesso a alimento suficiente, tanto em termos de qualidade quanto de quantidade. Entretanto, para milhões de pessoas esse tipo de segurança não existe. Uma ampla maioria dos desnutridos vive na Ásia, que ainda conta com dois terços do total deles, apesar de registrar progressos espetaculares no Leste e em outras regiões do continente.

Na África, ao sul do Saara, vivem 23% das pessoas que padecem de fome no mundo. Nesta atormentada região ocorre um aumento do número total de afetados pela desnutrição. Entretanto, deve-se destacar que, entre 1980 e 1996, cinco dos 13 países onde foi possível reduzir substancialmente a proporção da insegurança alimentar estão na África. Assim, há sinais de esperança.

Naqueles países, a agricultura é o motor do crescimento. Em algumas das nações mais pobres, essa atividade gera entre 30% e 50% do Produto Nacional Bruto, emprega entre 70% e 80% da força de trabalho nacional e representa de 40% a 70% da renda proveniente das exportações.

Um desafio especial para as áreas rurais é que as fontes de crescimento agrícola devem experimentar uma mudança fundamental. O antigo modelo, que consiste em expandir o território agrícola, já está chegando ao seu limite.

Cerca de 80% do crescimento da produção agrícola agora deverá ter por base uma intensificação sustentável. Farão falta mecanismos que facilitem a adoção das tecnologias existentes para aumentar a produção, e a isso deve-se acrescentar a realização de uma substancial pesquisa científica no campo da agricultura para que esta mudança de rumo seja economicamente atraente e não prejudique o meio ambiente. A degradação da terra agrícola e a redução da fertilidade do solo continua sendo uma ameaça, especialmente nos países em desenvolvimento.

O problema é mais grave na África subsaariana. No Sul da Ásia, a deterioração da terra custa cerca de US$ 10 bilhões ao ano por causa da perda de produção. Se não houver investimentos agora na reabilitação e conservação das terras, amanhã o custo será muito maior. Enquanto se inicia uma nova rodada de negociações multilaterais sobre o comércio agrícola, alguns países de alta renda continuam mantendo importantes níveis de proteção aos seus produtores. Esse apoio pode ser medido pelo fato de países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) terem feito, no ano passado, transferências para seu próprio setor agrícola da ordem de US$ 360 bilhões.

Por seu lado, muitos países em vias de desenvolvimento já realizaram reformas que não só contribuíram para reduzir distorções nos mercados mundiais como também serviram para reduzir quedas anteriores em suas próprias agriculturas. Esses esforços, no entanto, não serão efetivos se não tiverem o apoio de correspondentes reduções das distorções nos países de renda alta. Neste novo século, muitos países têm conhecimentos suficientes para fazer com que o desenvolvimento rural leve à segurança alimentar. O êxito virá através dos esforços que se fizer tanto em nível nacional quanto internacional. Enquanto a globalização segue de vento em popa, devem ser melhorados os sistemas de intercâmbio entre as nações com base nas normas internacionais, tendo-se sempre em vista o bem-estar da população rural em todo o mundo.

* Jacques Diouf é diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).


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