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A estocada contra a malária

Por Yadira Ferrer*

Santafé de Bogotá - O trabalho que o Instituto Colombiano de Imunologia desenvolve há cerca de duas décadas, para conseguir 100% de eficácia da vacina contra a malária, pode apresentar resultados definitivos nos próximos dois anos. "Estamos trabalhando arduamente para dar à humanidade, em um ou dois anos, a vacina pronta, e temos avançado muito", disse ao Terramérica o cientista colombiano Manuel Elkin Patarroyo, inventor da vacina contra uma doença que causa a morte de três milhões de pessoas por ano e afeta outros 300 milhões.

O Instituto Colombiano de Imunologia conseguiu avanços que superam a margem de eficácia de 30% a 50% obtidos pela vacina Spf 66 até 1999 e que serão divulgados em breve, disse Patarroyo, que lidera uma equipe de 140 profissionais, entre químicos, físicos, biólogos, matemáticos, microbiologistas e médicos. Aos 53 anos, Patarroyo é um dos cientistas latino-americanos mais famosos. Em janeiro de 1986, ele finalizou a primeira etapa de suas pesquisas ao descobrir a vacina, com a qual superou grupos de pesquisadores de países industrializados, que haviam começado a trabalhar décadas antes.

O êxito da equipe de Patarroyo está em que as vacinas tradicionais são efetivas para combater vários dos vírus que atacam o homem, mas não na luta contra bactérias ou parasitas como as do gênero Plasmodium, causador da malária, algo que a Spf 66 consegue, disse o imunologista Sócrates Herrera. A vacina sintética contra a malária patenteada por Patarroyo será produzida na Colômbia, numa fábrica que contará com apoio do governo espanhol, e será doada à Organização Mundial da Saúde (OMS) para que seja distribuída mundialmente.

A doação dos direitos da patente da Spf 66 à OMS é considerada uma manifestação de solidariedade humana por parte do cientista. O controle da Spf 66 pela OMS permitirá o acesso à vacina por pessoas de baixa renda. O Instituto Colombiano de Imunologia pretende que, ao produzi-la a um custo muito baixo, ela fique como legado à humanidade. Além de conseguir 100% de efetividade na Spf 66, Patarroyo pretende alcançar um método racional e universal para desenvolver vacinas contra qualquer doença, incluindo a aids e a lepra.

Em seu trabalho frente ao mais prestigioso centro de pesquisas da Colômbia, Patarroyo considera-se afortunado por ter o apoio do governo. Mas, o instituto não está à margem dos problemas econômicos que afetam o país e precisou reduzir seu pessoal em 11% este ano. A comunidade científica recebeu com alarme, no dia 10 de janeiro, um anúncio de embargo contra o Hospital San Juan de Dios, do qual o instituto depende, por parte do BBV-Banco Ganadero (pertencente ao grupo espanhol Bilbao Vizcaya) por causa de uma dívida de aproximadamente US$ 29 milhões. O Instituto de Imunologia foi criado em 1972 para estudar enfermidades auto-imunes, como a tuberculose, base no desenvolvimento de um método para a criação de vacinas sintéticas.

* A autora é correspondente da IPS

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