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Quito
- O vazamento de combustível nas Ilhas Galápagos deixará
marcas irreparáveis no meio ambiente, mas este não
é o único e mais grave problema ambiental que sofre
esta excepcional reserva natural do Pacífico equatoriano.
Às seqüelas ambientais derivadas das 300 toneladas
de petróleo que vazaram do navio Jessica, encalhado
nas ilhas, somam-se à invasão de espécies não-endêmicas,
superpopulação, poluição, pesca maciça, incêndios
e a crescente afluência de turistas. A Lei Especial
de Galápagos, que tem o objetivo de garantir a conservação
do ecossistema, está em vigor apenas desde 1999, e
nos últimos tempos foram registradas importantes alterações
do meio ambiente.
Os
ambientalistas atribuem essas mudanças ao elevado
cresimento da população de Galápagos, que aumentou
a superfície cultivada, a extração de materiais para
construção e a poluição pelo manejo errôneo de lixo
sólido e elementos químicos. A isso soma-se o impacto
dos animais e vegetais introduzidos nas ilhas. Em
1991 existiam ali 170 plantas não-endêmicas, hoje
a quantidade chega a 500 espécies. Os especialistas
advertem que muitas delas destróem as espécies nativas.
A ilha Isabela - onde, em 1994, um incêndio destruiu
mais de nove mil hectares - está invadida por 30 mil
cabras selvagens que destróem a vegetação e ameaçam
as tartarugas gigantes.
A
pesca maciça do tipo industrial também ocasiona grandes
estragos e ameaça com a extinção várias espécies marinhas,
como os pepinos do mar. Mais de 20 barcos de pesca
de atum entraram, no ano passado, na área da Reserva
Marinha onde vigora a proibição da pesca, mas seus
proprietários não receberam nenhuma punição. Os ambientalistas
também consideram que é necessário organizar a chegada
dos mais de 60 mil turistas que visitam Galápagos
a cada ano. Antonio Enríquez, secretário da Organização
Mundial do Turismo, disse que o ecossistema pode entrar
em colapso em menos de dez anos, daí serem necessárias
ações imediatas e oportunas por parte das autoridades.
A
atuação do governo de Gustavo Noboa diante do encalhamento
do petroleiro Jessica, no dia 16 deste mês, provocou
críticas por parte de grupos ambientalistas, que lamentam
a falta de uma ação imediata que evitasse o vazamento.
Os ambientalistas dizem que somente a sorte impediu
que a maré negra de 200 quilômetros quadrados afetasse
algum dos dez mil galápagos, as tartarugas gigantes
que dão nome à ilha.
Os
ambientalistas advertiram que o futuro das ilhas não
pode depender, como acontece até agora, do acaso.
O acidente não é o primeiro deste tipo nas ilhas.
O navio cargueiro San Luiz encalhou há um ano, e o
mesmo aconteceu em setembro e dezembro com duas embarcações
turísticas. Esta catástrofe é uma advertência para
que sejam revisados os códigos marítimos de aproximação
das ilhas, afirmou o diretor da Fundação Charles Darwin,
Fernando Espinoza.
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