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México - Cuba não se diminui
frente a poderosas firmas farmacêuticas e governos
de países ricos que buscam uma vacina contra a aids
(síndrome da imunodeficiência adquirida), que infecta
no mundo 15 mil pessoas por dia, e afirma que poderia
ter a sua entre 2005 e 2007. Com um orçamento anual
de apenas US$ 100 mil, quantidade ínfima diante dos
gastos no mundo industrializado, há 11 anos Cuba pesquisa
sobre a aids e, embora reconheça tropeços, afirma
estar cada vez mais perto da vacina.
Se outros a descobrirem,
"bem-vindo seja, nós não trabalhamos pela glória pessoal
e estaremos sempre prontos para colaborar", disse
ao Terramérica Carlos Duarte, chefe do Departamento
de Aids da Divisão de Vacinas do Centro de Engenharia
Genética e Biotecnologia de Cuba. "Ainda temos tempo,
mas devemos trabalhar o mais rápido possível e continuar
fazendo sacrifícios, porque o objetivo vale a pena",
acrescentou o cientista, que participou do congresso
internacional Identidade, Pátria e Educação na América
Latina, realizado na Universidade Autônoma Metropolitana
do México.
Distante dos refletores,
voltados para os pesquisadores do Norte industrial,
os cientistas cubanos começaram a busca da vacina
trabalhando sobre os anticorpos neutralizantes do
vírus, o que parecia ser o caminho adequado, mas,
agora, reconhecem que não é a solução. As pesquisas
apontam atualmente para as células citotóxicas, que
destróem as que estão infectadas com o vírus HIV,
explicou Duarte, e nós estaremos prontos para fazer
os primeiros testes clínicos em 2002. A vacina é o
objetivo dos laboratórios farmacêuticos desde que
a aids foi descrita, no início dos anos 80, e muitas
delas, assim como o governo de Cuba, já fizeram os
primeiros testes com vacinas em humanos.
O laboratório Merck, dos
Estados Unidos, afirmou no final de fevereiro ter
desenvolvido uma vacina que parece eficaz, e já iniciou
testes com humanos. Entretanto, advertiu que não se
deve ter muitas ilusões, pois esta vacina pode falhar.
Em janeiro, o Instituto Nacional de Saúde da Itália
informou estar pronto para testar uma vacina experimental,
cuja virtude é bloquear o avanço do vírus HIV e não
aponta para o fortalecimento do sistema imunológico,
como outras tentativas. Muitas companhias farmacêuticas
mantêm em reserva os detalhes científicos de suas
pesquisas. Acredita-se que pelo menos seis laboratórios
testaram ou testam vacinas contra a aids.
Apesar de seus problemas
financeiros e do embargo imposto pelos Estados Unidos,
Cuba se mantém na vanguarda de várias pesquisas médicas,
o que faz o mundo científico levar a sério sua promessa
de ter uma vacina contra a aids. Cuba já comercializa
com êxito mais de cem produtos farmacêuticos de alta
tecnologia e é pioneira em várias descobertas, como
um tratamento que bloqueia o desenvolvimento do infarto
cardíaco, patenteado em 1993 nos Estados Unidos. "Nós,
cientistas, não podemos fazer vaticínios, o que temos
são expectativas e metas, e, de acordo com nosso cronograma,
hoje afirmamos que é possível ter uma vacina que funcione
contra a aids entre 2005 e 2007", afirmou Duarte.
O caminho não é fácil,
e isso é reconhecido por cientistas de todo o mundo
e pela Organização das Nações Unidas, cujas estatísticas
indicam que 34 milhões de pessoas vivem hoje com o
HIV, e que por sua causa já morreram 16,3 milhões,
sobretudo na África, onde a epidemia provocou uma
dramática crise social. No caso de Cuba desenvolver
a vacina, não poderia fazer os testes finais em seu
território, devido à baixa incidência da aids, mas
em países como Brasil ou Trinidad e Tobago, afirmou
o cientista. Cerca de dois milhões de pessoas estão
infectadas na América Latina pelo HIV, enquanto em
Cuba há apenas três mil casos.
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