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A morte ronda os petroleiros |
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Por Mario Osava
Pelo
menos 92 pessoas morreram no Brasil, nos últimos três anos, em acidentes
relacionados ao petróleo, segundo técnicos.
RIO DE JANEIRO - O petróleo associa-se cada
dia mais à morte. Essa relação ganhou força no Brasil com o acidente
que resultou no afundamento, no dia 20 de março, da maior plataforma
petrolífera do mundo, levando para o fundo do mar os corpos de nove
das dez vítimas. Três explosões na madrugada do dia 15 inclinaram
a Plataforma 36 da Petrobras, um enorme edifício flutuante de 31.400
toneladas de aço, 119,15 metros de altura e 10.778 metros quadrados
de superfície, localizado 180 quilômetros a nordeste do Rio de Janeiro,
na Bacia de Campos.
Houve pânico entre parte dos 175 trabalhadores
presentes, cuja evacuação durou três horas. Encarregados da segurança
dirigiram-se à parte incendiada, numa das colunas de sustentação,
e, provavelmente, morreram devido à terceira explosão ou ficaram
presos entre as ferragens. No entanto, esse não foi o acidente mais
grave em instalações da Petrobras, em termos de vítimas e danos
ao meio ambiente. Em fevereiro de 1984, a explosão de um gasoduto
causou a morte de 93 pessoas em uma favela de Cubatão, estado de
São Paulo. Seis meses depois, 36 empregados da estatal morreram
e 42 ficaram feridos em outra plataforma na Bacia de Campos, devido
a um vazamento de gás, incêndios e explosões.
Em janeiro do ano passado, um oleoduto derramou
1,3 milhão de litros de petróleo na Baía de Guanabara, no Rio de
Janeiro, agravando sua histórica poluição e destruindo mangues.
Em julho, a vítima foi o rio Iguaçu, no Paraná, que recebeu quatro
milhões de litros de petróleo que vazaram de um oleoduto. Em fevereiro,
50 mil litros de óleo vazaram em Morretes, também no Paraná. Os
desastres aumentaram nos últimos anos. Segundo a Federação Técnica
de Petroleiros, são 92 mortos nos últimos três anos, sendo que 66
não eram funcionários da Petrobras, mas de empresas terceirizadas.
A terceirização, utilizada para reduzir custos,
é um dos motivos de tantos acidentes, pois as empresas contratadas
empregam trabalhadores sem treinamento adequado, afirmam os sindicalistas.
A Petrobras, que já teve 57 mil funcionários, agora tem menos de
34 mil e utiliza mão-de-obra de aproximadamente 80 mil terceirizados.
A estatal opera "sob risco" há vários anos, porque suas prioridades
são o aumento da produtividade e do lucro, deixando em segundo plano
a segurança humana e ambiental, afirma Vilmar Berna, editor do Jornal
do Meio Ambiente. A perda do monopólio do petróleo e o processo
de privatização do setor, que exigem competitividade, impulsionam
essa orientação.
Entretanto, a empresa argumenta que seu índice
de acidentes é semelhante ao registrado em outros países, sejam
em plataformas ou no transporte do petróleo por navio, oleoduto
e outros meios. No caso da Plataforma 36, as autoridades são otimistas.
Ao afundar, vazaram de seus depósitos 1,2 milhão de litros de combustível
diesel, mas o risco de contaminação das praias próximas é pequeno,
segundo o gerente-geral de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras,
Rui Fonseca. A evaporação, as medidas adotadas e as correntes marinhas,
que empurram a mancha para alto-mar, reduzem esse perigo. Porém,
é preciso esperar para saber o que acontecerá com os 340 mil litros
de óleo cru que podem sair das tubulações que uniam a plataforma
aos poços de extração e que estão a 1360 metros de profundidade.
* O autor é correspondente da IPS.
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