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Uma ducha quente pode ser ecológica

Por Mario Osava
*

No Brasil, o surgimento de um novo invento, baseado em energia solar, permite sonhar com o prazer da água quente com baixo custo econômico e ambiental.

Rio de Janeiro - Os 27 milhões de lares que utilizam chuveiros elétricos no Brasil poderão contar com o aquecedor solar de baixo custo, um sistema simples que permite dispor de água quente para o banho com mínimo consumo de eletricidade. O Brasil economizará 20,5 milhões de kilowatts/hora por ano, entre 6% e 7% do consumo nacional, caso o equipamento seja utilizado por 25 milhões de famílias, calculou Augustín Woelz, inventor do sistema. Junto com a economia de energia se evitaria a emissão anual de dez milhões de toneladas de dióxido de carbono, o mais nocivo dos gases que causam o aquecimento da Terra.

A economia relativa é ainda maior. O chuveiro elétrico coloca à prova a capacidade do sistema de geração e distribuição de eletricidade, porque sua utilização se concentra no início da noite, momento de máxima demanda de energia. A essa hora liga-se muitos aparelhos domésticos, edifícios e ruas se iluminam e a indústria e outros negócios continuam em atividade. Ao reduzir-se o consumo para aquecer água para o banho, diminui-se a pressão, já que os chuveiros elétricos absorvem 10% da potência gerada no horário de pico.

O Brasil pretende utilizar o gás natural importado da Bolívia em centrais termelétricas, dadas as dificuldades da produção hidrelétrica para atender o aumento da demanda. Economizar energia significará, então, menor emissão de gases de efeito estufa. Os chuveiros elétricos que "democratizaram o banho quente" são uma solução tipicamente brasileira, observou Woelz. No resto do mundo, é mais comum o aquecedor a gás. O novo aparelho, inicialmente desenhado para moradias simples, pode esquentar de 150 a 200 litros de água por dia, convertendo a luz solar em calor através de placas alveolares revestidas com tinta negra, tubulação de plástico e outros materiais de construção disponíveis no mercado.

O processo pode aproveitar os mesmos depósitos de água com os quais as casas brasileiras são usualmente equipadas, acrescentando-lhes isolantes térmicos. A água da parte inferior passa pelos dutos e placas que a esquentam e retorna ao depósito. Esse movimento se faz naturalmente, pois a água quente é mais leve do que a fria. Ocupa, portanto, a camada superior do depósito até alcançar uma temperatura homogênea. A água pode chegar a 55 graus centígrados, temperatura mais do que suficiente para o banho. Em dias nublados ou chuvosos pode cair para 40 graus. Devido a essas variações, deve-se manter como complemento o chuveiro elétrico, ou um regulador de temperatura, caso seja insuficiente a que o sistema solar gerar.

Qualquer pessoa pode instalar o aquecedor, com custo aproximado de R$ 100, segundo Woelz, engenheiro eletrônico que informa ter estudado seu invento por dez anos, sendo que o desenvolveu nos últimos dois. O aquecedor foi projetado especialmente para a população mais pobre, que mora nas periferias, e seu criador teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), ambos órgãos governamentais. A empresa criada para divulgar o produto, a Sunpower Engenharia (www.sunpower.com.br), não pretende cobrar direitos de patente, mas mobilizar voluntários e capacitar técnicos, operários e agentes sociais para sua instalação em massa. O emprego maciço do aquecedor determinará a expansão da indústria fabricante de seus componentes e algumas empresas poderão, no futuro, vender kits completos, além de desenvolver sistemas para edifícios maiores. O objetivo é social, já que os pobres economizarão cerca de R$ 150 por ano, e especialmente ambiental, afirmou Woelz.


* O autor é correspondente da IPS.




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Enlaces Externos

Sunpower Engenharia (em português, espanhol e inglês)

Introdução à energia solar (em espanhol)

Sobre a energia solar (em inglês)

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