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O degelo dos cumes

Por María Isabel García*

As geleiras da Colômbia são afetadas pelo descongelamento, e suas fontes de água podem esgotar-se em menos de 100 anos.

Santafé de Bogotá - O descongelamento das geleiras na Colômbia podem esgotar, entre meados e final deste século, as fontes de água de degelo que abastecem aquedutos como o da cidade de Manizales, capital do departamento de Caldas. O alerta foi feito pelo diretor do Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (Ideam - estatal), Pablo Leyva. Manizales, de 345 mil habitantes, está 2130 metros acima do nível do mar, na cordilheira Central, um dos três braços nos quais se bifurcam os Andes nesta parte da América do Sul.
Seu aqueduto é abastecido pelos rios Blanco e Chinchina e por vários vales que nascem no Parque Nacional Natural Los Nevados, uma extensão de 38 mil hectares onde estão três das seis geleiras da Colômbia: Tolima, Santa Isabel e Ruiz. Por seu valor ambiental, o parque Los Nevados, no coração do eixo cafeeiro, foi escolhido como região estratégica. Quarenta municípios dos departamentos de Caldas, Quindío, Risaralda e Tolima se abastecem, total ou parcialmente, de fontes que nascem em Los Nevados.

A geleira do vulcão nevado de Ruiz, a 5400 metros de altitude, é o mais imponente e grande atração turística, embora associado à tragédia de Armero (Tolima), em 1985. Uma avalanche causada pelo aquecimento, a erupção do vulcão e o descongelamento de seus picos, sepultou mais de 20 mil pessoas. A diminuição das camadas de gelo e neve nas altas montanhas é um fenômeno mundial que obedece ao fim do atual período interglacial, iniciado há dez mil anos, explicaram ao Terramérica os geógrafos Jorge Luis Cevallos e Christina Uscátegui, do Ideam.

“Devemos ser precavidos, mas não alarmistas. O degelo se acelera porque estamos no final de uma era. É preciso pensar que uma geleira dura cem mil anos e um período interglacial dez mil”, acrescentaram os especialistas. Cevalos e Uscátegui dizem que outras geleiras tropicais no Equador, Quênia e Namíbia, também estão degelando. Na região caribenha da Colômbia encontra-se a geleira de Serra Nevada de Santa Marta, a montanha intertropical mais alta do mundo às margens do mar, cujos picos mais altos, Colón e Bolívar, chegam a 5700 metros.
Ali nascem numerosos rios que regam as planícies dos departamentos de Magdalena, César e Guajira. Em seu território vivem cerca de 15 mil indígenas arhuacos, descendentes dos habitantes da Cidade Perdida, um dos centros pré-hispânicos mais povoados do país, onde foram obtidas avançadas técnicas de controle de erosão e para o aproveitamento do regime de chuvas. Nessa zona se localizou “Citurna, o país das neves”, ao qual se referiram com assombro os cronistas da conquista espanhola, como frei Pedro Simón, que falou de “dulcíssimas águas de ouro que como cobras de cristal deslizam de seus picos até as profundezas do vale”.

Em outro braço dos Andes, a cordilheira Oriental, levanta-se Serra Nevada do Cocuy, que dá nome a um parque de 306 hectares na jurisdição dos departamentos de Boyacá e Casanare, a nordeste de Bogotá. A Serra Nevada do Cocuy é a massa de gelo e neve mais extensa da América do Sul na linha equatoriana. Abriga 22 picos nevados com alturas entre 4800 metros, do pico Diamante, e 5330, do Ritacuba Blanco. Por último, na cordilheira Central está a geleira do Huila, cuja atividade vulcânica é evidente, pois de suas rachaduras emanam gases e cristais de enxofre que chegam a 4900 metros de altura. De suas fontes de água fluem dois principais rios do país, o Cauca e o Magdalena.

* O autor é correspondente da IPS.




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Enlaces Externos

Ideam

Ideam: Estado das geleiras

Sobre Manizales

Foto: Nevado de Ruiz

Guia de Nevado de Ruiz

Parque Nacional Natural Los Andes

Serra Nevada de Santa Marta

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