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Reforçar a agenda comum

Por Patrícia Grogg*

Havana - Faz-se necessário fortalecer a agenda comum da América Latina e do Caribe com vistas à Cúpula Rio Mais Dez, marcada para 2002 na África do Sul, disse a ministra da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Cuba, Rosa Elena Simeón. Participante das reuniões periódicas do Foro de Ministros de Meio Ambiente da região, iniciadas em 1982, no México, Simeón destacou a pobreza, os problemas de salubridade e poluição das águas e a proteção da biodiversidade como assuntos prioritários da agenda ambiental latino-americana.

P: Como a América Latina e o Caribe chegarão à nova Cúpula da Terra, em 2002 na África do Sul?

R: Talvez não tenhamos uma natureza mais sã, não podemos ainda mostrar resultados tão tangíveis, mas creio que chegaremos com uma consciência mais clara e maior conhecimento de nossa situação. Há alguns anos, não tínhamos nem um informe, nem um dado. Hoje sabemos o que acontece, quais são nossos problemas. Por isso, foi sentida com força a presença da região no Foro Global de Ministros de Meio Ambiente, realizado em fevereiro, em Nairóbi.

P: Por que a região promoveu esse foro sobre a governabilidade ambiental?

R: A governabilidade ambiental tem a ver com a soberania. Houve unidade não só na região, mas também no Grupo dos 77 para rechaçar a intenção de estabelecer um órgão supranacional que governe o ambiente mundial e, portanto, os países. Estar em um mundo global não quer dizer que por causa de problemas ambientais sejamos governados de fora. É preciso fortalecer o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que permite um espaço a todos os governos. Em vez de criarmos uma nova organização, reforcemos a existente.

P: A América Latina e o Caribe são apenas vítimas do efeito estufa e da deterioração da camada de ozônio?

R: Creio que seja a maior vítima, cabendo-lhe 2% das emissões de gases que causam o efeito estufa. Os grandes emissores são os países industrializados. Os Estados Unidos são o maior emissor.

P: O que a região pode fazer diante de um problema pelo qual não é responsável?

R: Nossa posição é a de buscar compromissos de responsabilidade comum, mas de ações diferenciadas. O país que emite 2% dos gases poluentes não pode ser tratado igual ao que emite 80%.

P: Muitos países da região têm políticas ambientais bem definidas, mas a degradação ambiental parece ir aumentando.

R: As coisas têm variado. Quando aconteceu a Cúpula do Rio (1992), um conjunto importante de países tinha apenas comissões para cuidar do assunto. Hoje, na maioria, há ministérios ou órgãos ligados diretamente à Presidência. Isto é, não só têm instrumentação legal como as instituições para cumpri-las. Mas o desenvolvimento sustentável não é cor-de-rosa. Engendra contradições e exige planejamento, um trabalho a longo prazo.

* A autora é correspondente da IPS




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Crédito: Maurício Ramos
 
Crédito: Maurício Ramos

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