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Artigo


O Japão afia seus arpões

Por Suvendrini Kakuchi*

O país asiático espera o apoio de Filipinas, Marrocos, Peru e Rússia para reiniciar o comércio baleeiro internacional, durante uma reunião que começa no dia 23 de julho, em Londres.

TÓQUIO.- O Japão fará uma nova tentativa para liberar a caça de baleias, apesar da forte oposição dos Estados Unidos e de grupos ambientalistas, na reunião da Comissão Baleeira Internacional que começa no dia 23 de julho, em Londres. O Japão insiste em caçar cachalotes e baleias das espécies minke e baleias-de-Bryde com supostos objetivos científicos, e argumenta que a população desses cetáceos está aumentando. Estes mamíferos marinhos, que chegam a medir até 30 metros de comprimento, os maiores animais do universo, são especialmente cobiçados pelos japoneses, que tradicionalmente os caçavam para comer sua carne.

A Comissão, que controla a preservação dos cetáceos, a cada ano condena o Japão pela caça comercial e, de 23 a 27 de julho, se reunirá novamente para discutir o assunto. Tóquio rejeita uma proposta do Brasil e da Argentina, que contempla a transformação do Atlântico Sul num santuário, onde vive a baleia franca, e outra da Austrália e Nova Zelândia, para que seja feito o mesmo no Pacífico Sul. As autoridades japonesas opuseram-se à idéia no ano passado e estão decididas a descartá-la por completo desta vez.

A Comissão proibiu a caça de baleias em 1986, devido a uma notável queda do número de cachalotes e de exemplares da espécie minke. No ano seguinte, no entanto, concedeu ao Japão autorização para caçar com objetivos científicos, dentro de um programa de coleta de informação para “uma administração correta de recursos da população de baleias”. As baleias são protegidas pelo Apêndice 1 da Convenção das Nações Unidas de Direito do Mar, que regula a importação, exportação e qualquer outro tipo de transação comercial de certos animais e plantas marítimas.

Ambientalistas afirmam que o argumento científico é uma fachada para manter uma lucrativa indústria baleeira no Japão, onde a carne do cetáceo continua sendo vendida em restaurantes e no comércio, embora a preços muito mais altos do que antes. Também exigem o fim imediato da suposta caça científica e pressionam a Comissão para que revogue a autorização. A Associação Baleeira Japonesa, subordinada ao governo, informou que nesse país foram consumidas 2500 toneladas de carne de baleia, entre dezembro de 1999 e novembro de 2000. “A carne comercializada veio da pesca de baleias na costa e da caça científica, para que não fosse desperdiçada”, explicou o porta-voz da Associação, Komoru Kubo.

O Japão também assegura que certas espécies, como a minke, estão em crescimento e já superam os 750 mil exemplares no Pacífico Sul. Os países contrários à caça, liderados pelos Estados Unidos, rechaçam esses argumentos. Os EUA decidiram, em dezembro, manter sob vigilância o programa baleeiro japonês e pediram uma nova investigação sobre a atual proteção de cetáceos no planeta. Para resolver a diferença, os dois países manterão contatos de alto nível em Londres, paralelamente à reunião da Comissão.

O Japão espera conseguir, durante a reunião, o apoio das Filipinas, do Marrocos, do Peru e da Rússia para reiniciar o comércio baleeiro internacional, além do respaldo de seis países do Caribe. Motoji Nagasawa, do Greenpeace do Japão, acusou o governo de usar seu programa de assistência internacional para comprar os votos das pequenas ilhas. Outro ponto a favor do Japão é o possível regresso, este ano, da Islândia, país baleeiro que abandonou a Comissão em 1992, em protesto pela proibição da caça. “Há um novo sentimento. Vejo um abrandamento na postura contra a caça da baleia que prevalecia nos anos 80”, afirmou Kubo.

O porta-voz esclareceu que o Japão não está contra a preservação da espécie. “Nossa política consiste em utilizar os recursos naturais de uma maneira científica. Vamos nos submeter a regras rígidas”, acrescentou. O chefe de conservação do Fundo Mundial da Vida Silvestre, Shigeki Komori, afirmou que Tóquio está desesperada para proteger sua indústria baleeira. Especialistas dizem que a venda de carne de baleia no mercado japonês soma US$ 80 milhões ao ano. A indústria emprega mais de mil pessoas, entre elas 450 pescadores. Os subsídios do governo chegam a US$ 4 milhões por ano.

No começo de maio, o Japão realizou sua segunda partida de caça do ano com dois barcos, que, com outras embarcações, formavam uma frota de caça científica enviada ao Pacífico Norte. A frota capturou cerca de cem baleias minke, 50 baleias-de-bryde e dez cachalotes, o que provocou enérgico protesto dos Estados Unidos, pois as leis norte-americanas protegem duas dessas espécies.

O resultado da caça foi muito maior do que no ano passado, quando foram capturadas 43 baleias-de-bryde, 40 minke e cinco cachalotes, entre 1º de agosto e 16 de setembro, no contexto de um programa de dois anos destinado a coletar informação científica. A caça de baleias é um dos poucos assuntos nos quais o Japão se mostra inflexível diante da comunidade internacional. Nem mesmo mudou de atitude quando os Estados Unidos, seu principal aliado, ameaçou impor-lhe sanções comerciais.

* A autora é correspondente da IPS.




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A venda de carne de baleia no mercado japonês chega a US$ 80 milhões ao ano Crédito: Photo Stock
 
A venda de carne de baleia no mercado japonês chega a US$ 80 milhões ao ano Crédito: Photo Stock