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Cúpula Rio+10 deve ouvir os "globalifóbicos" |
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Por Diego Cevallos*
Os argumentos de quem se opõe à globalização podem contribuir para que se alcance uma luta mais efetiva contra a pobreza e a favor do meio ambiente, disse a máxima autoridade do Pnuma ao Terramérica.
MÉXICO.- A Conferência de Cúpula Mundial Sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+10, programada para 2002 na África do Sul, pode ser uma oportunidade para decifrar fórmulas que permitam orientar a globalização a favor dos pobres e do meio ambiente. Mas, para isso, é preciso ouvir os que são contrários à globalização, disse ao Terramérica Klaus Toepfer, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), durante recente visita ao México.
TERRAMÉRICA: Aumenta o tom da reclamação e da violência dos que questionam a globalização que afirmam que não são ouvidos em discussões como as relacionadas à mudança climática. Eles têm razão? O que se deve fazer diante deles?
TOEPFER: Estou seguro de que as ações violentas que estamos vendo são absolutamente irresponsáveis e uma grande desvantagem para os que têm inquietações a respeito da globalização. Seus argumentos seriam mais fortes se não se vinculassem à violência. No entanto, devem ser ouvidos os setores contrários ao processo. É preciso trabalhar para integrá-los às discussões.
- A oferta de ouvi-los se repete, mas não parecem existir os espaços efetivos. Estes movimentos sustentam que as decisões sempre são tomadas pelas suas costas.
- Não quero dar nenhum sinal de que estou de acordo com a violência, mas devemos ouvir cuidadosamente seus argumentos. A Cúpula Rio+10 de 2002 (organizada pelo Pnuma) pode ser o local para se dialogar sobre o que devemos fazer para que a globalização seja uma vantagem para os pobres e funcione para o meio ambiente.
- Na última conferência sobre o Protocolo de Kyoto, realizada em Bonn, em julho, com a direção do Pnuma, os indígenas pediram para serem ouvidos, pois a mudança climática os afeta, a eles e aos seus recursos. Entretanto, disseram que novamente não foram levados em consideração.
- Eu tive a oportunidade de reunir-me, em Bonn, com um representante dos indígenas. Reconheço que eles têm o sentimento de que não estão sendo integrados a estas discussões sobre mudança climática. Devemos fazer todo o possível para integrar a sociedade civil em geral e os indígenas nestes temas. Queremos nos preparar melhor para as próximas reuniões.
- Alguns especialistas parecem não estar satisfeitos pelos resultados obtidos em Bonn. O que faltou? Por que não avança a ratificação do Protocolo de Kyoto?
- Conseguiu-se um importante ponto de partida para a cooperação ambiental multilateral e uma base para que seja ratificado pelos parlamentos nacionais. O acordo para a absorção de carbono não agrada a todos, e os países industrializados afirmam que os US$ 420 milhões que darão aos países em desenvolvimento para tocarem esses mecanismos são suficientes. Outros dizem que é muito pouco. Todo mundo sabe que “a parte mais difícil de um penteado está no detalhe” e sempre se pode fazer algo melhor.
- Entretanto, qualquer avanço parece anular-se diante da postura dos Estados Unidos, o principal responsável pela mudança climática devido às suas grandes emissões de gases, que continuam considerando o Protocolo de Kyoto “fatalmente defeituoso”.
- É muito importante esclarecer os fatos. Também o governo dos Estados Unidos está convencido de que a mudança climática é conseqüência da atividade humana, do uso maciço de combustíveis fósseis. Assim, é necessário que os Estados Unidos se unam ao Protocolo, pois, além disso, é o país com tecnologia líder e os avanços tecnológicos são imprescindíveis para melhor utilizar a energia. Devemos fazer um esforço para trabalhar com os Estados Unidos, e nisso Bonn foi positiva, pois deixou aberta a possibilidade. Não é minha tarefa assessorar ou fazer recomendações, mas estou certo de que existe um sentimento muito claro sobre a responsabilidade dos Estados Unidos na mudança climática.
* O autor é correspondente da IPS.
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