Acentos
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Acentos


Veneno de escorpião contra o câncer

Por Dalia Acosta*

O produto terminado está inscrito com o nome de Escoazul no Escritório Cubano de Propriedade Industrial, mas ainda resta definir sua futura comercialização.

HAVANA.- O veneno diluído do escorpião azul é usado em Cuba no combate ao câncer há mais de dez anos, embora a comunidade científica seja cautelosa diante da fórmula, que ainda está sendo pesquisada. Na porta dos laboratórios farmacêuticos Labiofam, nos arredores de Havana, são comuns filas de pessoas em busca do produto, entregue gratuitamente após uma avaliação de cada caso. Ali também chegam pacientes estrangeiros, atraídos pelas histórias que circulam sobre o veneno. “Estou há um ano tomando 15 mililitros meia hora antes de cada refeição para permitir que seja absorvido pelo estômago. Em minha última visita ao médico, o tumor do pulmão havia desaparecido”, disse Eva Gutiérrez, uma venezuelana de 42 anos.

Como a história de Gutiérrez há outras. Em Jaguey Grande, a 200 quilômetros de Havana, uma menina de 14 anos estava a ponto de morrer, vítima de câncer. Dez anos mais tarde, agora é uma mulher de vida normal, embora nunca deixe de tomar o veneno. O produto terminado está inscrito com o nome de Escoazul no Escritório Cubano de Propriedade Industrial, mas ainda resta definir sua futura comercialização, que dependerá dos testes clínicos em curso. Mais de três mil pessoas participaram dos estudos na província de Guantánamo, 970 quilômetros a leste de Havana, e outras tantas podem ter recebido o veneno nos laboratórios Labiofam.

Entretanto, as autoridades sanitárias mantêm silêncio sobre a pesquisa e seus resultados preliminares. As tentativas do Terramérica para conseguir informação oficial ficaram sem resposta.

Misael Bordier, pesquisador da Faculdade de Ciências Médicas de Guantánamo e chefe da equipe criadora do Escoazul, reconhece que os resultados são satisfatórios. “Embora seja alta a porcentagem de recuperação dos doentes tratados com a toxina, é cedo para ter-se expectativas em torno de um medicamento em fase de testes”, afirmou Bordier, que durante sete anos testou o preparado em ratos albinos. Bordier disse também que o Escoazul mostrou eficácia no tratamento de pacientes com diversos tipos de câncer, Mal de Parkinson, inflamação pélvica e insuficiência renal.

No entanto, um despacho da Agência de Informação Nacional (estatal) assegurou que foi comprovada a inocuidade do produto e seu comportamento como antiinflamatório e estabilizador do sistema imunológico. O Escoazul é preparado a partir do veneno do escorpião azul, um aracnídeo só encontrado nas ilhas do Caribe. Em Cuba, há 32 espécies de escorpiões, 29 delas endêmicas, das 1600 conhecidas no mundo.

Fontes próximas às pesquisas disseram ao Terramérica que o Escoazul inibe a protease, uma enzima que cerca, como uma membrana, todo tipo de câncer. “Sabe-se que a protease funciona como uma espécie de hábitat onde o tumor se reproduz e se espalha célula por célula. Impedindo a formação desta membrana, freia-se a expansão do tumor, que começa a secar”, disse Eva Gutiérrez. Essa foi a informação que a venezuelana Gutiérrez recebeu quando, há um ano desistiu de iniciar um tratamento de quimioterapia e viajou a Cuba para ouvir outras opiniões sobre a evolução do câncer em seu pulmão direito.

Em março de 2000, teve extraídas a tireóide e dez gânglios. No Hospital Oncológico de Havana confirmou seu diagnóstico, mas também soube do veneno de escorpião através de uma paciente com leucemia. A evolução de Gutiérrez desde que começou a tomar o veneno causa espanto nos médicos, disse a cubana Milagros Rodríguez. Os especialistas “não reconhecem suas virtudes, mas dizem para não deixar de tomá-lo”, afirmou.

* A autora é correspondente da IPS.


Copyright © 2001 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados
 

 

Enlaces Externos

Laboratório Labiofam de Cuba

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos