Reportajes
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Artigo


A siderurgia brasileira já não é um demônio

Por Mario Osava*

A indústria do aço em Volta Redonda conseguiu reduzir em 70% a concentração de benzeno no ar, substância que causa a leucopenia. Entretanto, algumas pessoas afetadas por essa doença ainda devem lidar com a herança de um passado de contaminação.

VOLTA REDONDA.- Vanor Marcílio tinha oito mil leucócitos por milímetro cúbico de sangue em 1980, quando começou a trabalhar como pintor industrial na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Sete anos depois, seus glóbulos brancos baixaram para pouco mais de três mil por milímetro cúbico. Marcílio apresentava leucopenia, devido à sua prolongada exposição ao benzeno, um hidrocarboneto volátil, originado pela queima do carvão, utilizado para obtenção de corantes. Em Volta Redonda, a 130 quilômetros do Rio de Janeiro e sede da CSN, muitas pessoas sofrem de leucopenia, como em outras cidades onde a produção de aço emprega milhares de trabalhadores.

Depois de 12 anos de inatividade forçada e de receber um subsídio do INSS, Marcílio foi considerado são em maio de 1999, apesar de ter apenas três mil leucócitos por milímetro cúbico de sangue, menos da metade da proporção normal. Assim, a Fábrica de Estruturas Metálicas, que presta serviços à CSN, o incorporou aos seus cursos de capacitação. Em janeiro deste ano, o despediu, junto com mais 27 trabalhadores, todos afetados pela leucopenia. O pretexto foi o aproveitamento insuficiente no curso. Esses doentes crônicos, discriminados por causa da leucopenia, que reduz suas defesas orgânicas, não têm possibilidade de conseguir um novo emprego. São “mortos vivos”, segundo Geraldo Luís Barbosa, diretor de Saúde Ocupacional do Sindicato da Construção de Volta Redonda.

Aos 47 anos, sem idade para aposentar-se, Marcílio faz pequenos trabalhos ocasionais, apesar da “sonolência, cansaço e dores” que sente quando faz qualquer esforço. Por sorte, sua esposa e um dos três filhos estão empregados. Sua colega Clauci Pereira da Silva, de 46 anos e dois filhos, viveu uma história semelhante, agravada por um câncer que levou à perda do osso frontal da cabeça, substituído por uma prótese em 1997. “O médico disse que o benzeno agravou o tumor”, contou Clauci ao Terramérica, queixando-se de constantes dores de cabeça e enjôos. Esse quadro e a diminuição de seus leucócitos para 2700 por milímetro cúbico, evitaram uma tentativa de lhe darem alta e ela pôde recuperar os benefícios da previdência social.

Em Volta Redonda, tem 688 casos de leucopenia registrados até 1990, nem todos reconhecidos pelo INSS. “Muitos ignoram a doença”, disse Marcílio. Cerca de 300 pessoas participam da Associação de Leucopênicos, que luta pelos direitos desses pacientes. Este é um problema social herdado de um passado de contaminação, que a indústria siderúrgica brasileira tenta superar. O programa de investimentos do setor, de US$ 13,8 bilhões, entre 1994 e 2004, destina mais de US$ 1 bilhão a medidas ambientais, segundo Maria Silvia Marques, presidente da CSN e do Instituto Brasileiro de Siderurgia.

A CSN, privatizada em 1993, mudou sua atitude nos últimos anos, reconhecem os ambientalistas. De 1996 a 1999, conseguiu reduzir em 70% a concentração de benzeno no ar de Volta Redonda, segundo comprovou a Fundação de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA), autoridade ambiental do Estado do Rio de Janeiro. Em janeiro de 2000, a companhia assinou um acordo para solucionar os principais problemas em dois anos, e “vem cumprindo em 80%”, assegurou o deputado Carlos Minc, presidente da Comissão Ambiental da Assembléia Legislativa do Rio.

José Roberto Araújo, assessor técnico de Minc, admitiu que a Estação de Tratamento Biológico, inaugurada em dezembro último pela CSN, reduziu para “quase zero” os efluentes, principal fonte de contaminação do rio Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro. Esses efluentes continham substâncias cancerígenas. Araújo, químico e funcionário por vários anos da FEEMA, detectou a presença de câncer em peixes do rio Paraíba, em sua parte abaixo da CSN. Embora não tenha aumentado, a contaminação química persistirá, “não se sabe por quanto tempo”, no sedimento do rio, acrescentou. Será necessário um monitoramento constante da água, porque o tratamento aplicado não elimina todos os produtos que a contaminam, afirmou.

A CSN busca, inclusive, antecipar-se às exigências ambientais futuras, “por razões estratégicas e não apenas legais”, afirmou ao Terramérica o gerente-geral de Meio Ambiente da empresa, Luiz Cláudio Castro. O mercado internacional valoriza cada dia mais as empresas por sua responsabilidade ambiental e social, explicou Castro. Essas condições também facilitam a obtenção de créditos e investimentos. Além disso, tendem a aumentar os “econegócios”. Por essa razão, a CSN considera, há dois anos, que os resíduos são subprodutos, e não dejetos, e sua venda para a indústria de cimento ou da construção é parte importante de sua utilidade, disse Castro, que participou várias organizações ambientalistas.

Quanto à leucopenia, é um problema social herdado e agravado pelo INSS, que “mudou suas regras” em 1999, “devolvendo ao trabalho” operários aos quais deveriam ter sido concedidas aposentadorias, afirmou. Sua preocupação é evitar novos casos. A CSN monitora permanentemente o ar de Volta Redonda, que já apresenta a qualidade exigida pela Alemanha nas vias de maior tráfego, acrescentou Castro.

* O autor é correspondente da IPS.




Copyright © 2001 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados
 

Crédito: Photo Stock
 
Crédito: Photo Stock

Enlaces Externos

Companhia Siderúrgica Nacional

CSN - Meio Ambiente

FEEMA

Sobre a leucopenia

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos