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As ameaças de uma nuvem tóxica |
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Por Katherine Stapp*
Ativistas e autoridades estão preocupados com os efeitos dos gases venenosos liberados depois da queda das torres gêmeas de Nova York
NOVA YORK.- Partículas de um pó brilhante suspensas no ar e pequenos focos ígneos continuam ardendo nos escombros do World Trade Center, ao mesmo tempo em que milhares de pessoas voltam aos seus locais de trabalho na parte sul de Manhattan. Enquanto as equipes de resgate continuam no trabalhoso processo de examinar mais de um milhão de toneladas de escombros, as autoridades tentam proteger essas pessoas e outros trabalhadores da mistura de vapores, cinzas, pó e fumaça que permanecem no ar.
Grandes áreas do distrito financeiro foram abertas desde segunda-feira, apesar de a Guarda Nacional e oficiais de polícia continuarem fazendo barricadas para isolar os quarteirões nas imediações da praça do World Trade Center, cujas torres gêmeas desabaram após o ataque terrorista do dia 11 de setembro. Inicialmente, temeu-se que uma nuvem tóxica de fibras de amianto tivesse sido liberada quando os edifícios caíram, mas as amostras de ar e pó, tomadas no dia 13 pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) e pelo Comitê de Nova York para Saúde e Segurança do Trabalho, revelaram que não há amianto no ar, ou que os níveis são relativamente baixos, entre 2,1% e 3,3%, em comparação com os do início, de 1%.
Uma frota de enormes caminhões aspiradores foi deslocada para absorver grande parte do pó. Alguns funcionários dos escritórios, que regressavam ao distrito financeiro na terça-feira, usavam máscaras de papel, que, de todo modo, são ineficazes para bloquear as fibras de amianto ultrafinas. Os médicos enfatizam que o prejuízo permanente à saúde causado pelas fibras de amianto, antes utilizado como material isolante e agora proibido, geralmente resulta de uma exposição prolongada.
Os muitos outros compostos químicos liberados durante a explosão inicial, e o desmoronamento que se seguiu, são mais difíceis de se avaliar. Benzeno, formaldeído, hidrocarbonetos policlorinados e incontáveis agentes cancerígenos ainda estão presentes no local, bem como gases venenosos contendo monóxido de carbono e cianeto.
A fusão de vidro, concreto, componentes eletrônicos, plásticos e incontáveis outros materiais das torres também criou novos, e potencialmente mortais, compostos. “Estamos diante de uma situação única que pode produzir algumas combinações de produtos químicos também únicas”, advertiu Cynthia Wilson, diretora-executiva da Chemical Injury Information Network, um grupo de ativistas sem fins lucrativos. “O cloro, por exemplo, se unirá a qualquer outro elemento presente para criar compostos desconhecidos, com efeitos geralmente devastadores”, acrescentou. Apenas o combustível dos aviões libera cerca de cem mil derivados químicos quando queimado e não se conhece com certeza os efeitos que muitos deles podem ter sobre a saúde humana, acrescentou Cynthia.
Segundo os especialistas, as conseqüências a longo prazo para as milhares de pessoas que estiveram expostas a estas substâncias são impossíveis de serem calculadas. “Se alguém está doente agora, provavelmente se recupere. Se ainda estiver doente dentro de três meses, então deve preocupar-se”, afirmou Cynthia. Os problemas derivados da exposição a substâncias químicas e pós tóxicos vão desde irritação respiratória temporária até danos neurológicos permanentes, e alguns tipos de câncer como a leucemia. Conforme a maior parte da fumaça tóxica no local do atentado se dissipa, “os riscos mais sérios passam a ser o contato epidérmico”, disse Peter Bellin, professor de saúde ambiental e trabalhista da California State University.
Na terça-feira, o Comitê de Nova York para Saúde e Segurança do Trabalho (NYCOSH), uma coalizão de 200 sindicatos locais e especialistas em saúde e segurança individuais, orientou milhares de seus membros sobre como proteger-se enquanto as substâncias vão desaparecendo do ambiente, o que pode levar um ano ou mais. “É uma obviedade dizer que a fumaça tem substâncias tóxicas”, disse Johathan Bannett, diretor de assuntos públicos do Comitê. “Temos gases tóxicos e partículas de materiais (com a fuligem ou as fibras de amianto). As máscaras que filtram as partículas não protegem as pessoas contra o monóxido de carbono, por exemplo”, disse.
As recomendações na oitava página do comunicado do NYCOSH incluem o uso adequado de óculos, cremes protetores para a pele e máscaras contra gás não-descartáveis e com mudança freqüente de filtros. Também lembram os trabalhadores de trocarem de roupa antes de voltarem para casa. Os escombros estão sendo retirados em caminhões, da parte sul de Manhattan para o lixão Fresh Kill, no Queens, que não é considerado um local adequado para o armazenamento permanente. Ainda não se sabe onde esses escombros terminarão, mas é provável que seja distribuído em lixões de todo o país. Enquanto isso, o lixão do Queens parece um gigante laboratório criminalístico, com especialistas forenses do FBI examinando os escombros em busca de pistas e provas.
* A autora é correspondente da IPS.
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