Reportajes
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Artigo


Capital cubana sob risco de desabar

Por Dalia Acosta*

Segundo dados oficiais, 39% dos 2,2 milhões de habitantes de Havana vivem em imóveis que se encontram em situação irregular ou em mau estado de conservação.

HAVANA.- A metade dos imóveis da capital de Cuba está em situação irregular ou em mau estado de conservação e um bom número daquelas classificadas como “boas” começa a demandar reparos parciais com urgência. As paredes sem pintura, as sacadas sustentadas por escoras, as infiltrações, rachaduras em paredes e tetos e as cavilhas corroídas pelos anos e pelo salitre são apenas os sintomas de um sério problema criado por décadas de abandono.

“Quando começa a chover, deixo de viver. A água umedece as paredes e quando o Sol reaparece é que acontecem os desabamentos”, diz Violeta Garcia, de 43 anos, moradora do centro histórico de Havana desde criança. “Meu prédio é do início do século XIX e há anos foi declarado inabitável, mas nem temos para onde ir nem o governo nos dá material necessário para fazer os consertos”, acrescenta Violeta, que vive da venda de artesanato. Nessas condições, ela decidiu, no ano passado, gastar US$ 500 para fazer reparos em seu apartamento, que fica no quarto andar.

O cimento, a areia e os demais materiais necessários saíram da “bolsa negra”, pois o Estado controla a venda de material para construção e os que podem ser comprados com divisas custam muito caro. Agora, Violeta pode ser multada por construção ilegal, mas o pior não é isso. “Depois de ver a casa pensei, pensei: de todo modo, isto acaba caindo”, lamenta. A apenas alguns quarteirões de distância, no bairro de San Isidro, com mais de três mil habitantes, está sendo executado um programa de reabilitação da área, que compreende os reparos necessários. O mesmo acontece em outras partes da capital, mas os esforços ainda são limitados.

Havana Velha, que desde 1983 integra a lista do Patrimônio Mundial das Nações Unidas, é a região da cidade onde se trabalha com maior ímpeto na restauração de edifícios e, ao mesmo tempo, a que concentra os maiores problemas. Depois da vitória da revolução comandada por Fidel Castro, em 1959, o esforço de investimento do governo afastou-se da capital para priorizar as zonas do país de menor desenvolvimento. Como resultado, verificaram-se “adiamentos caros na manutenção dos edifícios” de Havana, segundo um livro publicado no ano passado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

De acordo com relatórios governamentais, 42% dos 11 milhões de habitantes de Cuba moram em 1,4 milhões de imóveis cujo estado técnico está catalogado entre regular e mau e requerem intervenção urgente. Em Havana, 39% dos 2,2 milhões de habitantes vivem nessas condições. O problema se agrava na Havana Velha, onde 75% das 22.516 moradias estão em condição regular ou má. Um censo realizado em 1996 no centro histórico registrou que mais de 40% desses imóveis tinham falhas estruturais no teto e rachaduras ou quedas de pedaços nas paredes e mais de 50% apresentavam infiltrações.

O Grupo para o Desenvolvimento Integral da Capital de Cuba, instituição não-governamental, advertiu, em 1994, que se não fossem realizadas ações urgentes de restauração, Havana chegaria ao ano 2000 com cerca de cem mil moradias “irrecuperáveis”. Um ano depois, o governo reconhecia a moradia como o principal problema social da capital cubana. “A cada ano é maior o número de moradias destruídas do que as reparadas ou construídas”, admitia o prefeito, Conrado Martínez. Entretanto, o investimento foi limitado pelos efeitos da crise econômica que a ilha vive desde 1990. No ano passado, as obras de restauração atenderam apenas 4,9% das necessidades em nível nacional e 9,8% em Havana.

O governo não divulga estatísticas atualizadas sobre edifícios declarados inabitáveis, quantidade de pessoas abrigadas pelo Estado nem sobre ocupações ilegais. Ficar em um imóvel inabitável é algo bastante comum. Cinco pessoas perderam a vida por esse motivo no dia 7 de dezembro, na queda de um edifício de cinco andares que havia sido declarado inabitável em setembro, no bairro de Centro Havana. “Os bombeiros tiraram uma pilha de gente dos escombros. A queda aconteceu à uma hora da manhã, quando todos dormiam”, contou um dos vizinhos, que se mudou para a casa de um amigo “por medo de que algo desse tipo acontecesse”.

* A autora é correspondente da IPS.




Copyright © 2001 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados
 

Rachaduras em paredes e tetos são comuns em muitos imóveis de Havana / Crédito: Photo Stock
 
Rachaduras em paredes e tetos são comuns em muitos imóveis de Havana / Crédito: Photo Stock

Enlaces Externos

Unesco/Patrimônio Mundial: Havana Velha

Informação sobre Havana

Opus Havana: pela reabilitação de Havana Velha

Escritório do historiador da cidade de Havana

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos