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Proposto acordo de Monterrey a Johannesburgo |
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Por María Isabel García*
CARTAGENA DAS ÍNDIAS,
COLÔMBIA.- O Terceiro Fórum Mundial de Ministros do
Meio Ambiente, que terminou no dia 15 de fevereiro neste porto do
Caribe colombiano, evidenciou preocupação pelo financiamento
do desenvolvimento sustentável, um tema que será eixo
das deliberações de uma conferência internacional
marcada para a cidade mexicana de Monterrey, no mês de março.
O assunto é "a pedra no sapato", disse ao Terramérica
o ministro colombiano do Meio Ambiente, Juan Mayr.
Entre os dias 18 e 22 de
março, em Monterrey, na presença do presidente norte-americano,
George W. Bush, e de outros governantes, serão colocadas
na mesa velhas contas acumuladas desde a Cúpula da Terra,
realizada no Rio de Janeiro em 1992, e se porá à prova
se "é mais fácil tomar decisões quando
Washington não está presente". Assim disse o
ministro do Meio Ambiente da Holanda, Jan Pronk, enviado especial
do secretário-geral da Organização das Nações
Unidas (ONU) junto aos governos para a Cúpula sobre Desenvolvimento
Sustentável, que acontecerá em agosto e setembro em
Johannesburgo.
Pronk, cujo papel foi importantíssimo
nas negociações que culminaram com a assinatura, em
1997, do Protocolo de Kyoto para reduzir as emissões de gases
que causam o aquecimento do planeta, disse não concordar
com a posição norte-americana em matéria ambiental,
mas manifestou seu empenho para que hajam reformas. "Deve haver
um acordo de Monterrey a ser levado para Johannesburgo, as empresas
privadas devem aumentar sua participação em projetos
ambientais e devem ser criados incentivos, como desconto de impostos,
para projetos ambientais, bem como é preciso superar as discrepâncias
com os bancos multilaterais", afirmou. Deve-se encontrar fórmulas
para a redução dos pagamentos da dívida externa,
em particular a dos países da América Latina, acrescentou
Pronk.
"O Banco Mundial e
outros organismos devem fazer o que lhes cabe e deixarem de ser
utilizados mais para impor restrições aos países
em desenvolvimento", afirmou a representante do Brasil, Bárbara
Távora. Por sua vez, a porta-voz do Grupo dos 77, a ministra
venezuelana Ana Elisa Osorio, reclamou o cumprimento dos acordos
internacionais em vigência. "Se os principais países
consumidores tivessem destinado, como se comprometeram no Rio de
janeiro, 0,7% do Produto Interno Bruto à assistência
direta ao desenvolvimento, hoje teríamos recursos importantes
para reduzir os desequilíbrios entre países industrializados
e em desenvolvimento", disse Ana Elisa ao Terramérica.
Juan Mayr, por sua vez,
reconheceu que "não há um ambiente propício
dos governos e parlamentos" para apresentar projetos que estabeleçam
cargas econômicas adicionais às já acertadas
na Cúpula do Rio, há dez anos. Sem que tais acordos
tenham sido cumpridos, falar em novas fórmulas para financiar
os custos ambientais que recaem sobre os países do Sul em
desenvolvimento "tem um gosto amargo", afirmou Mayr.
Quanto à controvérsia
sobre o financiamento do Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente (Pnuma) e a governabilidade ambiental, os pontos
centrais na agenda de Cartagena, foram expressas algumas posições
regionais. No Grupo dos 77, que reúne os países em
desenvolvimento, manifestou-se reservas quanto à criação
de uma Organização Mundial Ambiental supranacional,
proposta pela União Européia, devido às implicações
que teria em aspectos como a soberania. Também causou reticência
a criação de um Alto Comissariado da ONU para o Meio
Ambiente - proposta pela Noruega - ou a constituição
de tribunais ambientais supranacionais, no contexto mundial posterior
aos atentados de 11 de setembro do ano passado, nos Estados Unidos.
* A autora é correspondente da IPS.
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