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A Colômbia estréia parque amazônico |
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Por María Isabel García*
Os indígenas da etnia inga pediram a criação da reserva, que inclui 68 mil hectares de uma região produtora de coca.
BOGOTÁ.- A necessidade de proteger a comunidade indígena inga e o encontro de espécies de aves, insetos e plantas ainda não classificados, determinaram a criação do Parque Nacional Natural Alto Fragua - Indiwasi, na Colômbia, uma voz inca que significa casa do sol. O novo parque, criado por decreto governamental em fevereiro, cobre uma superfície de 68 mil hectares no departamento de Caquetá, na Amazônia, a região de maior biodiversidade da Colômbia, um dos 13 países de maior riqueza silvestre do mundo.
Os indígenas solicitaram a criação do parque em 1999, para proteger a zona da pressão dos agricultores vindos de outras regiões, dos contaminantes cultivos de coca e dormideira, e da política governamental de erradicação dessas plantações ilegais. O Indiwasi será administrada em conjunto com as autoridades indígenas, e é o mais novo dos 47 parques do país, um sistema que protege de maneira especial 9,8 milhões de hectares, quase 9% do território nacional colombiano.
A população indígena mora em cinco refúgios e 17 comunidades e assentamentos da chamada Bota Caucana, uma zona onde se mantém o vínculo cultural com os ancestrais, que fizeram desse lugar ponto de encontro de sacerdotes e curacas (médicos tradicionais). Essa foi a referência seguida pelos primeiros europeus que chegaram à região em 1542, na expedição liderada por Hernán Pérez de Quesada, em busca do lendário Eldorado. O presidente Andrés Pastrana reconheceu, ao assinar o decreto de criação do parque, o empenho dos grupos inganos, sionas, kamentsás e cofanes, reunidos na União de Médicos Indígenas e Yageceros da Amazônia Colombiana.
Trata-se de “sábios que, com seus conhecimentos ancestrais, estão proporcionando novas ferramentas para o progresso da ciência e da cultura da convivência”, afirmou Pastrana. É necessário proteger o território e a medicina tradicional, “porque, se as montanhas se acabam, perdemos a autonomia e a cultura”, disseram ao Terramérica Azael Delgado, governador do refúgio de Urallaca, e Marco Antonio Jacanamijoy, governador da Associação de Cabildos Tandachiridu Inganokuna. “Os colonos gostam de derrubar os montes e com os cultivos ilegais contamina-se a água. Além disso, existe o problema das fumigações (que o exército realiza com o veneno glifosato) que causam diarréia e febre”, afirmou o médico indígena Luis Criollo.
Criollo, de 50 anos, vive em Santa Rosa de Guamuez e formou-se médico tradicional há 20 anos. De sua estreita relação com as plantas diz que “só de olhá-las conhece todas as que existem na floresta”. Ele fez parte da avaliação de espécies do parque, organizada por comunidades locais, pelo Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander von Humbold (estatal) e pela ONG Amazon Conservation Team. “Até agora, a aprendizagem mais importante foi distinguir o bom do mau, e o bom sempre é o que resulta melhor para a comunidade", disse Criollo, que viajou a Bogotá para a cerimônia de criação do parque.
“A sabedoria de nossa medicina está em curar as enfermidades espirituais. Com injeções e pílulas não se pode curar um ar ruim ou um vento ruim, nem a mais grave de todas as doenças: a morte do espírito”, acrescentou Criollo. Com ele, chegaram à capital outros dirigentes indígenas, como Natividad Mutumbajoy, encarregada dos programas de educação étnica, cujo propósito é ensinar para crianças e jovens a língua dos inganos, “que se perdeu muito nas escolas brancas. Eles têm o espanhol na cabeça. Devem fazer grande esforço para voltar a falar como os mais velhos, e para isso apelamos à andiguasca, a planta que ilumina e transmite a sabedoria”, afirmou Mutumbajoy. A sabedoria local às vezes se torna poesia, como a de Francelina Muchavisoy, uma ingana que canta: “O tambor será minha casa/ o berço a canoa/o remo meu futuro/o rio meu caminho/ a selva a ciência/ a terra a base/o sol meus objetivos/ o ar meus pulmões/ o sangue a energia".
* A autora é correspondente da IPS.
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