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Santiago não sabe o que fazer com o lixo |
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Por Gustavo González*
Dos 246 lixões que funcionam no Chile, apenas 11 contam com avaliação de impacto ambiental. A situação é mais aguda na capital, onde quase seis milhões de habitantes produzem 210 mil toneladas de resíduos sólidos por mês.
SANTIAGO.- O iminente fechamento do lixão de resíduos domésticos de Lepanto, em Santiago do Chile, reavivou a discussão sobre o destino do lixo em um país que carece de uma política geral para seu tratamento e sua reciclagem. Dos 246 lixões que funcionam em território chileno, 174 nem mesmo são legais e apenas 11 contam com avaliação de impacto ambiental. Somente em Santiago, são 101 lixões clandestinos, simples depósitos de lixo a céu aberto sem controle sanitário nem ambiental.
O administrador da Região Metropolitana, Marcelo Trivelli, prometeu que o fechamento de Lepanto será no dia 25 de abril, quando as 120 mil toneladas mensais que o local recebe serão levadas para os aterros sanitários de La Rinconada e Santa Marca, habilitados no ano passado pela Comissão Regional de Meio Ambiente, nos municípios de Maipú e Lonquén. A decisão foi recebida com alívio pelos vizinhos de Lepanto, pois este, perto do colapso, ameaça a saúde de 3,5 milhões de pessoas na zona Sul de Santiago e o equilíbrio ambiental dos áreas agrícolas das proximidades.
Entretanto, os habitantes de Lonquén e Maipú estão indignados. “Isto é puro lixo”, queixou-se Raimundo Lara, morador de Maipú, a sudoeste de Santiago. Seu protesto refere-se à sistemática recusa judicial a vários recursos de amparo apresentados contra a instalação do lixão e à negativa das autoridades em considerar o risco que poderia representar o uso do recinto de La Rinconada, situado sobre uma falha geológica. Com quase seis milhões de habitantes, a capital chilena produz 210 mil toneladas de lixo por mês.
O lixo dos 13 municípios da zona Sul é enviado para Lepanto e o dos 20 municípios restantes para a localidade de Til-Til, no subúrbio, ao Norte da Região Metropolitana. De fato, os lixões sempre se situam em zonas periféricas, sem aplicação de políticas amplas de controle e reciclagem dos resíduos domésticos. Cada morador de Santiago produz 1,4 quilos de lixo por dia, bem menos do que a média norte-americana de 2,5 quilos, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A produção anual de lixo no Chile chega a 3,337 milhões de toneladas, 47% das quais geradas na capital, segundo a Comissão Nacional do Meio Ambiente. Cinco por cento da população de Santiago que concentra maiores rendas produz mais de 20% do lixo, a classe média alta 34% e a média baixa 32%, enquanto 40% dos moradores de Santiago, os pobres, são responsáveis por pouco mais de 13% do lixo doméstico.
* O autor é correspondente da IPS.
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