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Apresentado manifesto de ética ambiental |
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Por María Isabel García e Yadira Ferrer*
O chamado à promoção de uma nova racionalidade ambiental será apresentado pela América Latina e o Caribe na Cúpula Rio+10. O documento ressalta a importância da educação e convoca à prática de uma nova economia - moral, ecológica e cultural.
BOGOTÁ.- Indivíduos, sociedades, empresas e governos devem impregnar-se de uma nova racionalidade ambiental sobre a qual conceber o desenvolvimento econômico e social, afirma um manifesto apresentado por 35 representantes da América Latina e do Caribe. O documento foi assinado no contexto da Sétima Reunião do Fórum de Ministros do Meio Ambiente da América Latina e do Caribe, realizado entre 15 e 17 de maio em São Paulo, após um encontro prévio em Bogotá, Colômbia, do qual participaram políticos, empresários, jovens, acadêmicos, indígenas e afro-americanos.
O documento, que será promovido junto à Cúpula Rio+10, em agosto próximo, na África do Sul, afirma que a educação é o instrumento para criar uma racionalidade ambiental que permita recuperar o valor do simples na complexidade, do local no global, do diverso no único, e do singular no universal. Esta racionalidade deve estar fundamentada em uma “nova economia - moral, ecológica e cultural - como condição de sua sustentabilidade”, afirma o manifesto. Também propõe “uma produção para a vida”, baseada no aproveitamento das fontes de energia renováveis e reconhece o direito inalienável “dos povos indígenas e afro-descendentes ao seu ser cultural”.
A declaração pede que a Organização das Nações Unidas faça com que governos, organismos internacionais “e todos os seres humanos que habitam o planeta” sigam um código de princípios, procedimentos e condutas que garantam a vida e orientem a construção de sociedades sustentáveis. O diretor regional do Pnuma, Ricardo Sánchez, disse ao Terramérica que, apesar das diferenças, o manifesto reflete o consenso sobre “a necessidade de propiciar um movimento que 'domestique' a globalização inevitável, com o critério de que seja o ser humano a dirigir e controlar os processos econômicos e de mercado”.
“A discussão foi riquíssima, pois contou com os que acreditam que se deve aperfeiçoar as políticas econômicas imperantes como também com os que propõem a mudança do sistema. A partir da economia pode-se alegar que aumentará indefinidamente a renda ou o produto das nações, mas não há bons argumentos para demonstrar que aumentará, ao mesmo tempo e sem cessar, a igualdade”, afirmou o professor Julio Carrizosa, do Instituto de Estudos Ambientais da Universidade Nacional da Colômbia. “Os verdadeiros obstáculos à sustentabilidade não serão encontrados na ordem global, mas nas nações, nas regiões e localidades”, afirmou o cientista, que pediu a governos e governados que “reflitam antes de se corromperem, degenerar-se e agredir”.
Beatriz Paredes, presidente do Parlamento Latino-Americano e do Congresso Legislativo do México, disse ao Terramérica que no processo de humanizar o desenvolvimento, a América Latina pode contribuir com “a recuperação da sabedoria das culturas pré-hispânicas e com a aptidão para reconhecer a harmonia”. Para Paredes, o tipo atual de globalização “não beneficia a região”, pois não atende questões prioritárias como ”o respeito aos direitos humanos e à erradicação da pobreza”.
* As autoras são correspondentes da IPS.
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