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Ao resgate do urso dos Andes

Por Kintto Lucas e María Isabel Garcia*

O urso de óculos chegou aos cumes dos Andes da América do Sul há 16 mil anos. A única variedade sul-americana da espécie enfrenta hoje um futuro sombrio.

BOGOTÁ/QUITO.- O urso andino está em perigo por causa do avanço humano nos ecossistemas do arco dos Andes, que se estende pela Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Entre 18 mil e 20 mil exemplares sobrevivem em locais tão diferentes como a floresta úmida montanhosa, a 900 metros do nível do mar, até o elevado páramo, acima dos 4 mil metros. “Nas vertentes orientais dos Andes bolivianos é encontrado a 550 metros de altitude, e nas zonas secas do Peru a 300 metros”, disse ao Terramérica Francisco Cuesta, integrante de uma equipe de pesquisa da equatoriana Fundação Eco Ciência.

Por seu pêlo preto e a cor branca-amarelada que circunda seu olho ou se estende pela frente e o peito, é conhecido com urso careta ou urso de óculos. Pesa 500 gramas ao nascer e, quando adulto, chega a dois metros de altura e 175 quilos. Depois de oito meses de gestação, nascem duas ou três crias, que permanecem junto à mãe de um a três anos. O avanço urbano e a agropecuária fragmentam e isolam seus ecossistemas, colocando em risco a viabilidade de sua existência.
“Com respeito a outras espécies americanas, como o puma ou o jaguar, a variedade genética do urso andino é baixa, isto é, não se adapta facilmente a novos ambientes”, explicou o geneticista espanhol Manuel Ruiz-García, da Faculdade de Ciências da Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá. Por essa característica, sua presença indica abundância de alimentos, 70% deles vegetais - frutas, sementes, brotos, cascas - e 30% roedores, veados, larvas de coleópteros, bichos-preguiça, cabras ou gado.

O urso mantém-se muito perto dos cursos de água, dos quais depende três quintos da população andina da Colômbia, ressaltou Ruiz-García ao Terramérica. As características genéticas do urso andino, que Ruiz-Garçía rastreia desde 1993, lhe permitiram identificar populações diferenciadas em distintas regiões. Segundo suas estimativas, entre três mil e seis mil exemplares vivem na Colômbia.
O Ministério do Meio Ambiente fará este ano uma campanha para informar as comunidades camponesas das regiões central, oriental e sudoeste que a espécie não ameaça o gado nem o milharal, mas sim que indica a existência de grande variedade de espécies vegetais e animais. Por outro lado, o governo colombiano propôs incluí-lo como “espécie em perigo de extinção” no Apêndice I da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestre, disse ao Terramérica Claudia Rodríguez, da Divisão de Fauna do Ministério do Meio Ambiente.

Segundo o equatoriano Cuesta, “a gama de ecossistemas que ocupa, e sua estreita relação com as comunidades andinas, faz do urso andino uma espécie importante para um processo de conservação que envolve as pessoas”. O governo equatoriano, no entanto, não adotou nenhuma estratégia para protegê-lo. Em 1990, havia na América do Sul mais de 18 mil exemplares. “No Equador, onde ainda existem 28.810 quilômetros quadrados de hábitat em bom estado, habitam 2018 ursos, 11% da população total”, e nenhum grupo tem mais de 250 indivíduos adultos, afirmou Cuesta.

A União Mundial para a Natureza considera o urso de óculos uma espécie “vulnerável à extinção”, mas, no Equador está “em perigo de extinção” pelo número de exemplares, que caiu 25% na última década. Nas reservas da província de Morona Santiago, são abertos caminhos nos quais “se registra locais onde comem, pegadas, pêlos, ninhos e outros rastros importantes”, explicou o indígena shuar Luis Puanchir. “A análise do ácido desoxirribonucleico dos pêlos recolhidos permite conhecer a abundância relativa da população, os movimentos estacionais, a proporção de sexos e os padrões evolutivos”, assegurou Francisco Cuesta. A caça, proibida desde 1970, não parou. Os indígenas não pretendem caçar ursos, mas “se encontrarem um, o pegarão, porque tem muita carne e gordura”, afirmou Puanchir.

* Os autores são correspondentes da IPS.




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CRÉDITO: Sergio Dorantes
 
CRÉDITO: Sergio Dorantes

Enlaces Externos

Fundação Eco Ciência: urso andino

Fundação Andígena: projeto urso andino

IUCN: Plano de ação para a conservação do urso andino

Pnuma-WCMC: Informação sobre o urso andino

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