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Artigo


Japão: carros na estrada contra a alteração climática

Por Suvendrini Kakuchi*

A Indústria automobilística do Japão lidera uma revolução tecnológica para criar automóveis velozes, modernos e menos poluentes.

TÓQUIO.- O automóvel híbrido, que funciona a gasolina e eletricidade, é uma solução efetiva para reduzir os gases que causam o efeito estufa produzidos pelos veículos, mas não é a única. “Minha mulher e eu queríamos um carro que fosse bom para o meio ambiente e o Prius foi a resposta”, disse ao Terramérica o técnico em informática Yacchan, orgulhoso proprietário de um reluzente modelo Prius na cor cobalto, o primeiro do mundo que funciona a gasolina e eletricidade. Trata-se de um veículo com dois motores. O motor a gasolina só entra em funcionamento quando o elétrico precisa ser recarregado, e isso acontece sem a intervenção do motorista.

O Prius consome um litro de gasolina a cada 28 quilômetros rodados, duplicando a capacidade de marcha de modelos tradicionais, e libera menos gases que causam o efeito estufa - em especial o dióxido de carbono -, que os cientistas vinculam ao aquecimento da atmosfera e à mudança do clima. Após quase 30 anos de pesquisa, a principal fabricante de automóveis do Japão, a Toyota Motor Company, lançou, em dezembro de 1997, o sedã de quatro lugares e, no final de 1999, havia vendido 330 mil unidades ao elevado preço de US$ 19.200. O mercado, no entanto, ainda é marginal. Em 2001, foram vendidos 5,9 milhões de automóveis, 13 mil deles híbridos. Os fabricantes asseguram que 90% dos veículos que forem vendidos em 2020 serão híbridos.

“São os carros do futuro. Há mais fabricantes entrando nesse campo", disse Tadashi Kotake, integrante da área ambiental da Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis. Em dezembro, a Honda apresentou seu modelo Civic, que consome um litro de combustível a cada 29,5 quilômetros rodados. A Mazda Motor e a Mitsubishi Motors contam com sistemas semelhantes. A Toyota “pensa em colocar no mercado dez novos modelos híbridos até 2005”, disse a porta-voz da companhia, Keiko Sato.

Se o Protocolo de Kyoto sobre mudança do clima entrar em vigor, 2003 pode ser o ano de decolagem desta tecnologia, pois o governo deverá enfrentar a tarefa de reduzir, entre 2008 e 2012 sua produção de gases causadores do efeito estufa a níveis 5% inferiores aos de 1990. O Japão, o sexto país mais poluente do mundo, em 1990 despejou na atmosfera 12,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono, e chegaram a 13,7 milhões de toneladas em 1999, segundo números oficiais. Somente o transporte deve reduzir sua emissão de dióxido de carbono em 17%. Um milhão de automóveis híbridos circulando representariam 300 mil toneladas de gases a menos por ano, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

O governo incentiva também a introdução de motores e centrais elétricas à base de células de combustível, que chegarão ao mercado em 2005. Trata-se de um sistema que gera eletricidade a partir da reação eletroquímica do hidrogênio e do oxigênio e só produz um subproduto: água. As autoridades esperam que em 2020 estejam circulando cinco milhões de veículos utilizando células de combustível.

“Não há dúvida de que os carros híbridos são um esforço efetivo para combater o aquecimento mundial”, reconheceu ao Terramérica a especialista Yurika Ayukawa, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Entretanto, seu alto preço e a escassa consciência do público consumidor impedem que se popularizem, acrescentou. O Japão poderia reduzir em 10% suas emissões de dióxido de carbono se 60% do mercado automobilístico fosse híbrido e simultaneamente fossem incorporadas mais fontes renováveis de energia, veículos menores e uso generalizado de células de combustível, segundo estimativas da WWF.

* A autora é correspondente da IPS


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Enlaces Externos

Página sobre o modelo Prius

Toyota: sistema híbrido

Ministério do Meio Ambiente do Japão

Associação de Fabricantes de Automóveis do Japão

Protocolo de Kyoto

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