Acentos
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Acentos


O prodígio dos manguezais

Por María Isabel García*

Uma comunidade do Caribe colombiano procura utilizar de forma sustentável o manguezal, um ecossistema tropical ameaçado pelo desmatamento.

BOGOTÁ.- Estas florestas pantanosas encontram-se em zonas costeiras relativamente tranqüilas como estuários, baías e enseadas. O manguezal penetra o território, seguindo o curso de rios, onde se misturam água salgada e doce, o ambiente salubre que necessita para viver. Passam quatro anos até que o tronco de suas árvores adquire dez centímetros de diâmetro e “uma boa vara” de 20 centímetros demora duas décadas, disse ao Terramérica Ignacia De la Rosa Pérez, líder da Associação de Moradores de Mangues Independentes (AMI), do município de San Antero, no departamento de Córdoba, no litoral caribenho da Colômbia.

“Meu pai conta que quando nasci, em 1950, tudo era diferente, porque o rio Sinú havia mudado seu curso afastando-se da baía de Cispatá, a vegetação era pobre e nos pântanos menos salobres as pessoas plantavam arroz e banana”, contou Ignacia. “Quando jovem eu descobri que longe da margem do rio começaram a brotar novos mangues”. Ela foi a primeira a levar adiante, em 1975, uma organização para explorar de forma sustentável os recursos do manguezal. “Se abrimos o canal pelo qual correm as águas marinhas, os mangues voltam a florescer”, dizia aos vizinhos para animá-los. E assim aconteceu.

Na Colômbia - que possui 380 mil hectares de manguezais, 87 mil no mar do Caribe e 292 mil no Pacífico - o Ministério do Meio Ambiente expede licenças para a exploração da madeira dos mangues. As licenças são dadas em parcelas, segundo as condições da floresta. "Se o lote é de dez mil metros quadrados, podemos cortar dois mil, para que a exploração seja sustentável", disse Ignacia. Os 70 produtores filiados à AMI administram, junto com a governamental Corporação do Vale do Sinú, um projeto produtivo do qual dependem 500 famílias. A associação vende os troncos como mourões ou vigas para a construção, mas "nunca fazemos carvão do mangue", afirmou Ignacia, cuja renda varia entre US$ 4 e US$ 6 por dia.

As árvores que cronistas da conquista espanhola descreviam como muito altas, retas e de madeira perfeita, atingem 30 metros de altura, embora também haja variedades pequenas. Os mangues “cumprem as mesmas funções de todas as árvores e, além disso, é fonte de vida e alimentação”, disse ao Terramérica o biólogo marinho Rodolfo Hinestroza. Algas, anêmonas, camarões diminutos e muito material orgânico de suas raízes, “semelhantes a grandes pernas-de-pau - metade aéreas e metade submersas -, são alimento de peixes, caranguejos e estrelas do mar, entre outras espécies, disse Hinestroza. Segundo algumas pesquisas, “dois terços das populações de peixes tropicais do mundo dependem dos manguezais”, afirmou.

Além disso, estas florestas são “a maior central de alimentos que existe”, pois uma imensa variedade de aves e mamíferos está associada a elas, disse Hinestroza. Tão rico quanto frágil, o mangue amortece inundações, protege a costa de erosões, ganha terreno para o mar e fixa a areia nas praias. Mas o desmatamento, as obras de infra-estrutura e a criação intensiva de peixes e camarões ameaçam seu futuro. Perigos semelhantes pairam sobre os manguezais que se estendem pela costa do Atlântico, da Flórida ao Norte do Brasil, ou pelo Pacífico, entre o Estado mexicano de Baixa Califórnia e o Peru.

O planeta ainda abriga 16 milhões de hectares de florestas de mangues, segundo a Organização Internacional de Madeiras Tropicais das Nações Unidas. Os mangues existem em zonas tropicais e subtropicais da Nova Zelândia e do Japão, países que junto aos da costa ocidental da África formam o segundo grande grupo de produção dessa madeira.

* A autora é correspondente da IPS.




Copyright © 2001 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados
 

 

Enlaces Externos

Ministério do Meio Ambiente da Colômbia

Organização Internacional das Madeiras Tropicais

O que é um mangue

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos