Reportajes
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Artigo


Rio+10 em estado de emergência

Por Haider Rizvi*

A ONU e o governo da África do Sul encabeçam a última tentativa de reanimar a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que começará em menos de um mês.

NOVA YORK.- O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, presidiram em Nova York um encontro informal a portas fechadas para aproximar as posições do Norte e do Sul com relação à ajuda ao desenvolvimento, combate à pobreza e à proteção do meio ambiente. Estes são os assuntos essenciais do plano de ação da conferência Rio+10, que acontecerá na cidade sul-africana de Johannesburgo entre 26 de agosto e 4 de setembro, dez anos depois da Cúpula da Terra realizada no Rio de Janeiro.

“As negociações sobre várias questões cruciais chegaram num beco sem saída”, admitiu Annan a um grupo de delegados de 27 países, conhecido como “amigos da presidência” da cúpula, que inclui representantes dos Estados Unidos, União Européia e do Grupo dos 77 países em desenvolvimento mais a China. A América Latina esteve representada pelas delegações do Brasil, Argentina, México e Venezuela.

O fracasso da última reunião oficial - que aconteceu no mês passado, na Indonésia, sem consenso - transformou em fumaça o entusiasmo e a convicção das primeiras etapas preparatórias. Advertidos por Annan de que um “retrocesso agora significaria uma trágica oportunidade perdida”, os “amigos” debateram, no dia 17 de julho, na sede das Nações Unidas, mas deixaram o edifício sem chegar a um acordo sobre os pontos “entre colchetes” (sem consenso) do rascunho do plano de ação.

A delegação da África do Sul, país anfitrião, divulgou no dia seguinte um comunicado assegurando que a discussão se “caracterizou pela atitude construtiva e flexibilidade para chegar a um consenso nas diferenças pendentes”. Mas o texto não explicava porque os representantes sul-africanos não compareceram à entrevista coletiva sobre os detalhes e o resultado do encontro. Entretanto, fontes da ONU e alguns delegados garantiram que as discrepâncias diminuíram sensivelmente e que, embora não se tenha negociado um novo rascunho, existe acordo em 75% do texto. Cabe, agora, à África do Sul traduzir essa aproximação para a linguagem do documento que será apreciado por todos os membros do fórum mundial, acrescentaram.

Porém, falta muito para o consenso sobre um modelo de desenvolvimento que preserve o meio ambiente e reduza a pobreza e a fome no mundo. Os pontos que ainda devem ser negociados incluem aspectos fundamentais, como a adoção de metas específicas de desenvolvimento e prazos para alcançá-las e a origem dos recursos para financiar os programas necessários. “A verdadeira prova será convencer o mundo de que as grandes conferências mundiais podem representar uma diferença”, disse o secretário-geral do encontro, Nitin Desai.

A chanceler sul-africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, visitou Washington para convencer o presidente George W. Bush a participar da cúpula, que terá as presenças de cem governantes, entre eles o presidente da França, Jacques Chirac, o primeiro-ministro da Alemanha, Gerhard Schroeder, e seu colega britânico, Tony Blair. Vários observadores consideram que tal esforço foi inútil.

“Governos encabeçados pelos Estados Unidos, Austrália e Canadá realizam trabalho extra para garantir que a cúpula não adote compromissos reais em questões essenciais como água, energia, saúde, agricultura e biodiversidade”, afirmou a organização ambientalista internacional Greenpeace, que, junto com o Fundo Mundial para a Natureza e a Amigos da Terra, pediram a Annan que exerça toda influência para salvar a conferência. Os Estados Unidos e outras nações industrializadas continuam reticentes em adotar novos compromissos em Johannesburgo. As diferenças sobre financiamento do desenvolvimento, globalização, comércio e administração parecem intransponíveis através da crescente distância que separa o Norte industrial do Sul em desenvolvimento.

Muitos países em desenvolvimento, incluindo a África do Sul, querem metas obrigatórias, à luz dos resultados da cúpula do Rio de Janeiro há dez anos, na qual muitos fizeram promessas que rapidamente esqueceram. Contrário às tentativas de negociar novas metas, os Estados Unidos insistem em que a ajuda aos países em desenvolvimento seja vinculada aos seus avanços em matéria de administração. Por outro lado, negam-se a atender os pedidos de responsabilizar legalmente as corporações norte-americanas que operam nesses países. A negativa norte-americana de se comprometer com uma avançada agenda ambiental ficou clara em março do ano passado, quando Bush retirou seu país do Protocolo de Kyoto, único instrumento internacional para combater a mudança climática, embora os Estados Unidos produzam um quarto dos gases causadores do efeito estufa que aquecem a atmosfera.

“O governo de Bush bloqueia continuamente as tentativas de proteger o meio ambiente mundial e está promovendo planos que beneficiam as grandes corporações e não os milhões de cidadãos que devem enfrentar crises ambientais como água e ar sujos e uma alteração do clima global”, disse Michael Dorothy, diretor do Sierra Club, organização ecologista pioneira dos Estados Unidos. Vozes como as de Dorothy têm pouca repercussão dentro de seu país, onde os grandes meios de comunicação ignoram a cobertura das questões do desenvolvimento sustentável e do debate prévio à cúpula de Johannesburgo.

* O autor é correspondente da IPS.


Copyright © 2001 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados
 

Crédito: Photo Stock.
 
Crédito: Photo Stock.

Enlaces Externos

Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável

Reunião preparatória da Indonésia

Greenpeace: Cúpula da Terra 2002

Grupo dos 77

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos