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Ana Elisa Osorio
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A Venezuela aposta na energia limpa |
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Por Andrés Cañizález*
O desenvolvimento de fontes alternativas deve ser um assunto central na Cúpula Rio+10, afirmou a ministra do Meio Ambiente do colosso petrolífero.
CARACAS.- A Venezuela não tem uma responsabilidade
importante nas emissões de gases causadores do efeito estufa, que
provocam alteração no clima do planeta, embora seja um país produtor
de petróleo, disse a ministra do Meio Ambiente da Venezuela, Ana
Elisa Osorio, em entrevista exclusiva ao Terramérica. Embora 75%
das exportações venezuelanas dependam do petróleo, o país desenvolve
projetos de energia renovável, assunto que será discutido na Cúpula
Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que começa no dia 26
de agosto, na África do Sul, disse a ministra. Esta médica-cirurgiã
de 51 anos foi vice-ministra de Saúde do governo de Hugo Chávez
entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000, quando assumiu a pasta
do Meio Ambiente, e representou o Grupo dos 77 países em desenvolvimento
em várias negociações internacionais.
Terramérica: Quais expectativas desperta a cúpula da África
do Sul no Grupo dos 77, onde estão as nações mais pobres do mundo?
Ana Elisa: O Grupo dos 77 tem como objetivo a eliminação da pobreza
e isto tem de ser uma questão central em Johannesburgo. Como podemos
falar de desenvolvimento se dois terços da população do planeta
são de pobres? A construção do desenvolvimento sustentável deve
estar acompanhada da superação da pobreza.
T: Seu país mostrou-se diferente dos produtores de petróleo
no processo de preparação da cúpula, apoiando a proposta brasileira
de atingir 10% de energias limpas até 2010, embora 75% de suas exportações
dependam do petróleo. Como foi esse apoio?
AE: A proposta do Brasil nos parece bem interessante. Sempre defendemos
a possibilidade das energias alternativas. A Venezuela tem um consumo
limpo, já que cerca de 60% de sua energia é hidrelétrica. Vemos
isto relacionado ao desenvolvimento humano sustentável do meio rural
e das pequenas comunidades.
T: Em que sentido?
AE: Como disse o presidente Hugo Chávez, as fontes alternativas
são uma opção para levar energia às comunidades indígenas isoladas.
Em nosso país estamos revisando e promovendo as energias renováveis
nas comunidades camponesas. Não acreditamos que isto signifique
uma redução do consumo de petróleo, porque estamos falando de incorporar
ao serviço de eletricidade comunidades que não estão incorporadas.
Por outro lado, a Venezuela não tem uma responsabilidade importante
na emissão de gases causadores do efeito estufa. Há que se insistir
no princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Os
países desenvolvidos são os que têm o maior peso de responsabilidade.
T: Acredita que é factível para a região alcançar a meta
até 2010, e com quais políticas?
AE: Seria possível se começássemos a trabalhar em projetos de pequena
escala em comunidades rurais e indígenas, cujo objetivo principal
seja incorporá-las ao desenvolvimento sustentável.
T: O que mais a América Latina destacará em Johannesburgo?
AE: Em outro grande tema, o da ética. Uma proposta da Colômbia,
que assumimos como latino-americana, é incorporar uma nova ética
para o desenvolvimento sustentável. A questão ambiental é um assunto
de valores, porque falamos de padrões de produção e consumo, das
relações entre sociedade e natureza, de como aproveitamos os recursos
naturais.
T: Muitos consideram que a debilidade da Cúpula do Meio
Ambiente de 1992 foi a falta de compromissos dos países industrializados
com os acordos então adotados.
AE: Não está claro se essa conduta mudará. A experiência da última
conferência preparatória, na Indonésia, foi muito complexa e dura.
Viu-se pouca abertura sobretudo do Japão, Estados Unidos, Canadá
e Austrália. Temos de apostar no sucesso desta cúpula, que será
o sucesso de todos. Os seres humanos têm um lar comum que é a Terra
e todos dependemos de sua sustentabilidade.
* O autor é correspondente da IPS.
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