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Muitas visões sobre a paz |
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Por Gustavo González*
O desenvolvimento sustentável não é viável no armamentismo, concordam Ricky Martin, Baltasar Garzón e Oscar Arias, reunidos em Porto Rico entre 12 e 14 de agosto.
SAN JUAN.- Mais de 30 artistas, intelectuais, legisladores, ativistas e prêmios Nobel expressaram um clamor único contra a guerra, embora a partir de enfoques diferentes sobre desenvolvimento e políticas ambientais, durante o encontro Paz na Paz, realizado em San Juan de Porto Rico. As diferenças refletiram a diversidade de visões, nacionalidades e culturas ali representados, o que era intenção do diálogo organizado pelo Senado de Porto Rico e pela Fundação Arias para a Paz e o Progresso Humano, do ex-presidente da Costa Rica e prêmio Nobel da Paz, Oscar Arias.
A Declaração de Porto Rico incluiu um apelo no sentido de se “resolver a abismal desigualdade econômica do planeta”, que será levado à Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que começa no dia 26 de agosto, na África do Sul. “Nós, os chamados criadores de ilusão, temos a obrigação primária de resgatar os mais altos valores humanos e traduzi-los em uma mensagem favorável ao bem-estar, à felicidade, à convivência pacífica e ao desenvolvimento sustentável da humanidade”, disse o cantor porto-riquenho Ricky Martin.
O juiz espanhol Baltasar Garzón exortou a conferência de Porto Rico a dar apoio franco ao Tribunal Penal Internacional, a primeira grande iniciativa a favor da Justiça e da paz desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos, afirmou. O século XX teve uma história comum de violência, expressa em guerras, movimentos guerrilheiros e terroristas de todo tipo, acrescentou o magistrado, conhecido por ter solicitado a extradição do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, em 1998.
No escalão inferior da violência está o terrorismo, fenômeno generalizado no século XX, embora tenha nascido antes. É mais intenso em alguns países do que em outros, como na Espanha, “onde constitui uma marca há mais de 30 anos”, disse Garzón. “O terrorismo como defesa de idéias políticas a partir das armas é uma característica de todos os países, mas ninguém parecia dar-se conta disso até (os atentados de) 11 de setembro”, em 2001, nos Estados Unidos, acrescentou. Assim com sem paz não há desenvolvimento, tampouco é possível uma convivência internacional harmoniosa no atual cenário de globalização excludente, que fragmenta cada vez mais o mundo entre ricos e pobres, disseram os participantes.
Existe a necessidade de se “criar uma ética que consiga harmonizar os padrões de consumo com a integridade do meio ambiente e as conseqüências que o armamentismo tem sobre a paz mundial e o desenvolvimento sustentável”, ressaltou o presidente do Senado de Porto rico, Antonio Faz Alzamora. O legislador denunciou “os estragos ecológicos e as enfermidades terminais causadas pelas práticas militares e a guerra”, à luz dos exercícios da Marinha de Guerra dos Estados Unidos na ilha porto-riquenha de Veques.
Por sua vez, Oscar Arias disse que o atual “é um mundo de destruição e consumo irracional, onde 12% das espécies conhecidas estão em perigo de extinção e as reservas mundiais de petróleo e gás podem esgotar-se nos próximos 50 anos”. O ex-presidente fustigou as economias industrializadas que exigem livre comércio ao mundo em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que subvencionam sua produção. “O problema não é o livre comércio, mas o comércio que não é livre. Estou convencido de que o desenvolvimento sustentável e de sucesso deve basear-se na eliminação das barreiras que protegem os mercados dos países ricos”, afirmou.
Para a parlamentar indiana Maneka Gandhi, o comércio “é um assalto à natureza”, tanto por seus mecanismos de distribuição quanto pela violência que significa contar com “exércitoa de crianças escravas” para fabricar produtos que outros acreditam necessitar. A legisladora, nora da assassinada primeira-ministra Indira Gandhi, manifestou-se contra a explosão demográfica que agrava a pobreza e propôs uma suspensão de nascimentos por um determinado número de anos, ou incentivos para reduzir a quantidade de filhos por família.
* O autor é correspondente da IPS.
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