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América Central quer o fim da guerra ao meio ambiente |
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Por Néfer Muñoz*
Uma das regiões de maior riqueza biológica e fragilidade do planeta pedirá na Rio+10 que a humanidade se declare em paz com a natureza.
SAN JOSÉ.- Os sete países da América Central farão um apelo comum de compromisso com o meio ambiente na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável que começa no dia 26 de agosto, na cidade sul-africana de Johannesburgo. As nações centro-americanas pedirão que as multinacionais adotem princípios internacionais de responsabilidade social em matéria de meio ambiente e desenvolvimento sustentável e que implementem procedimentos para a prestação de contas aos órgãos pertinentes.
“Durante anos, a América Central viveu guerras, agora estamos em paz e queremos declarar ao mundo a necessidade de construirmos uma paz com a natureza”, disse ao Terramérica o secretário-executivo da Comissão Centro-Americana de Meio Ambiente e Desenvolvimento (CCAD), Mauricio Castro. A declaração dos governos de Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá será divulgada oficialmente no dia 26 no centro ambiental da União Mundial pela Natureza (UICN), em Johannesburgo, disse Castro.
A América Central adere à Iniciativa Latino-Americana e Caribenha para o Desenvolvimento Sustentável, que pede a abertura dos mercados dos países ricos para a produção dos pobres, o incremento da assistência ao desenvolvimento e a meta de 10% de consumo de energias limpas até 2010. O documento centro-americano estabelece compromissos não quantificáveis da região em matéria de água e saneamento, energia, saúde, agricultura e biodiversidade, as cinco áreas centrais da Cúpula, segundo Kofi Annan, secretário-geral da Organização das Nações Unidas. E acrescenta mais uma, que passa por todas: políticas gerais de desenvolvimento sustentável.
“A América Central é uma região que vem se preparando para tomar o rumo do desenvolvimento sustentável”, e existe vontade política para consolidar uma só voz nesse assunto, acrescentou Castro. “Desejamos advertir as nações que se continuarmos em guerra com a natureza, simplesmente iremos perder”, diz uma versão preliminar do documento, ao qual o Terramérica teve acesso exclusivo. A apresentação do relatório estará a cargo do ministro do Meio Ambiente da Costa Rica, Carlos Manuel Rodríguez, já que o país exerce a presidência rotativa da CCAD.
A declaração repassa os progressos regionais desde a Cúpula da Terra do Rio de Janeiro, em 1992, como a criação da Aliança para o Desenvolvimento Sustentável e do Corredor Biológico Mesoamericano (uma iniciativa para restaurar a cadeia de ecossistemas florestais), o Fórum Permanente da Sociedade Civil, a consolidação dos ministérios de Meio Ambiente e a assinatura de importantes acordos multilaterais. “A América Central é a primeira região do mundo, dentro das zonas que são pontos quentes de biodiversidade, que se coloca em acordo sobre sua natureza”, disse Rodríguez ao Terramérica.
O istmo compromete-se a promover os esquemas de cobrança e pagamento de serviços ambientais, venda de carbono, turismo ecológico, bioprospecção e outras formas de geração de renda amigáveis com o meio ambiente. O presidente da Costa Rica, Abel Pacheco, levará esta iniciativa mais longe e solicitará o pagamento de serviços ambientais à região pela preservação e uso sustentável de suas florestas, que abrigam 7% de toda a diversidade biológica do mundo e que estão severamente afetadas pelo desmatamento
Organizações ambientalistas duvidam que a conferência avance em planos definidos capazes de deter a degradação do planeta. “Vemos um processo bastante dominado pelas empresas multinacionais. A partir da sociedade civil estamos tentando diminuir esse domínio”, disse ao Terramérica Ricardo Navarro, diretor mundial da ONG Amigos da Terra. Na Cúpula, que terá a presença de mais de cem chefes de Estado e de governo e quase 50 mil delegados, a negociação ministerial para alcançar acordos acontecerá do dia 26 até 1º de setembro, enquanto os mandatários se reunirão entre os dias 2 e 4 para o encerramento.
* O autor é correspondente da IPS.
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