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Anotações de Johannesburgo

A maior conferência mundial realizada na África... Uma reunião que libera 300 mil toneladas de dióxido de carbono... Fósseis pré-históricos perto da Cúpula... Uma cidade longe da água... Produção de lixo revela contrastes de Johannesburgo...

A maior
A Cúpula da Terra é a maior conferência realizada na África, com 45 mil delegados e um custo de US$ 40 milhões (551 milhões de rands), segundo a Companhia da Cúpula Mundial em Johannesburgo, encarregada da organização. Em dez dias serão realizadas 211 atividades, entre conferências, debates, atos culturais e artísticos. A cidade investiu US$ 6 milhões para consertar ruas e melhorar a infra-estrutura para receber os visitantes, e comprou 200 ônibus para colaborar no transporte dos delegados.

Cúpula livre do carbono
A preparação e implementação da Rio+10 vai liberar 300 mil toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Mas os delegados reunidos em Johannesburgo podem “neutralizar” o equivalente a uma tonelada doando dez dólares, e, assim, minimizar os efeitos nocivos da Cúpula e sua logística. Isso é proposto pela organização Legado Climático de Johannesburgo, que calculou as emissões de poluentes durante a Cúpula, desde os vôos dos delegados até o consumo de eletricidade, que na cidade é produzida por uma central a carvão. No site http://www.climatelegacy.org, empresas, pessoas e governos podem calcular quantos gases produziu seu traslado até a África do Sul e compensar fazendo uma doação a projetos para reduzir a poluição por carbono no país.

Fósseis pré-históricos
Nos arredores de Johannesburgo encontra-se a cunha da humanidade: várias jazidas com alguns dos fósseis humanos mais antigos até agora conhecidos. As maravilhosas covas Sterkfontein e Wonder, onde estão muitos desses restos mortais, contêm estalactites e outras raras formações rochosas. Foram declaradas patrimônio mundial em 1999. Entre os milhares de fósseis humanos e de animais encontrados, está um esqueleto de antropóide de 3,3 milhões de anos, bem como outros das idades da Pedra e do Ferro.

Água distante
Johannesburgo foi construída em 1886 sobre o filão de ouro mais rico do mundo. Isso explica o fato de sua população ter se assentado tão longe de um rio ou da costa, em uma zona de clima tão seco. A água do rio mais próximo, o Vaal, tem que ser bombeada por 75 quilômetros. Isso não impede que os jardins da população mais rica, regados artificialmente, sejam vistos dos satélites como selvas tropicais, nem que a água que sai das torneiras seja a mais limpa e segura para beber.

Muito lixo
Cada morador de Sandton, o exclusivo distrito onde acontece a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, produz 2,5 quilos de lixo por dia, enquanto na vizinhança pobre e assentamentos informais a média baixa para 200 gramas de lixo/pessoa. A província de Gauteng, à qual pertence Johannesburgo, produz 80% das 500 mil toneladas mensais de lixo produzidas pelo país, e recicla apenas 5%.




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