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Renasce o marfim vegetal |
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Por María Isabel García*
No estado natural tem o aspecto do que é: uma noz produzida por uma palmeira. Mas, em mãos de artesãos ou joalheiros, a jarina, apreciada por qualidades como a resistência e a cor, muda de aparência.
BOGOTÁ.- Em uma pequena oficina no centro de Bogotá, um jovem artesão dá o toque final a um conjunto de gargantilha e brincos em prata e jarina, o marfim vegetal que causa furor entre os estilistas de jóias. A jarina é a noz do fruto da palmeira de marfim (Phytelephas seemannii, Phytelephas macrocarpa) explorada desde a época colonial e conhecida como marfim ou mármore vegetal.
Agora, “a jarina renasce e está na moda”, diz ao Terramérica Josué, joalheiro do centro de Bogotá, enquanto lustra um pequeno triângulo colocado em fios de prata. Este conjunto é o primeiro de uma dezena encomendada por uma exclusiva loja do norte da cidade, onde seu preço triplicará apenas ao expô-lo na vitrine.
A palmeira, de cinco metros de altura e tronco pequeno e rasteiro, tem frutos que podem pesar até 12 quilos. Cada fruto, semelhante a uma pinha, contém entre seis e nove sementes recobertas. Durante a maturação - entre seis e 12 meses - a semente endurece, adquire a grossura de 1,5 centímetro e sua cor muda de branco para ocre claro. Resistência e cor são as propriedades que identificam a qualidade desta matéria-prima vegetal, uma das primeiras exploradas na América colonial.
Em 1880, eram exportadas quatro mil toneladas de jarina desde o porto de Tumaco, no Pacífico. Na época, a libra (450 gramas) de semente era cotada a US$ 0,07 no mercado de Nova York. A demanda procedia da indústria de botões, cabos de guarda-chuva, bastões e outros utensílios. Mas o marfim vegetou caiu em desgraça ao ser substituído pelo plástico. “Eu conhecia a jarina, mas em brinquedos e miniaturas decorativas que minha avó trazia de Chiquinquirá”, lembra Josué. Essa cidade, no departamento de Boyacá, é famosa pela Basílica da Virgem e pelos objetos de jarina que seus artesãos trabalham com maestria desde o início do século XX.
Ali, e na vizinha Tinjacá, reside a família Bonilla, três gerações que seguem a tradição do trabalho em jarina desde 1917, quando Horencio Bonilla viajou à região de floresta do Carare e voltou com algumas sementes. “Elas causaram curiosidade porque era marceneiro e viu que podia trabalhar com elas usando as mesmas ferramentas que usava na madeira”, contou ao Terramérica a artesã Carmen Eliza Bonilla, uma das netas de Horencio, que aprendeu o ofício com seu pai. “Meu avô, meu pai, meus tios e irmãos ensinaram cerca de cem artesões a trabalharem a jarina e agora eles montaram suas próprias oficinas”, afirmou.
A jarina também é trabalhada em outras regiões, como na baía Solano, no departamento de Chocó (costa do Pacífico), onde a estatal Artesanatos Colombianos leva adiante um projeto de formação em projetos e produção com jarina, para 30 artesões negros e da etnia emberá. Dali e de outras zonas saem jóias, bandejas e diversos utensílios para a feira anual de artesanato em Bogotá, onde as rodas de negócios abrem canais para a exportação.
* A autora é correspondente da IPS.
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