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“O espanhol conserva nossa identidade” |
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Por Néfer Muñoz*
“A grande pergunta e como combater a pobreza”, afirma o ator cubano Jorge Perugorria ao ser perguntado sobre a viabilidade do desenvolvimento sustentável. Em conversa com o Terramérica, também recordou a necessidade de defender a cultura.
SAN JOSÉ.- O ator cubano Jorge Perugorria alcançou a fama interpretando Diego, um homossexual, no aclamado filme Fresa y Chocolate (“Morango e chocolate”). O filme, com roteiro de seu conterrâneo Senel Paz, causou furor dentro e fora da ilha, cujo regime por muitos anos discriminou as minorias sexuais. Desde então, Perugorria (Havana, 1965) atuou em quase 30 filmes onde destacam-se temas como a identidade, a cultura e a desigualdade latino-americanas. “Pichi”, como ´´e chamado pelos amigos, prepara-se agora para filmar “Caribe”, que começara a ser rodado em março de 2003. Durante uma visita as locações do filme, o ator falou com exclusividade para o Terramérica.
P.- Qual personagem que sempre sonhou em interpretar?
R.- Não há um personagem determinado. Um ator sempre espera encontrar personagens complexos, difíceis, que o façam suar um pouco.
P.- É certo que para ser bom ator tem de ser bom mentiroso?
R.- Todos somos bons atores, não?
P.- Qual seu maior compromisso?
R.- Meu principal compromisso é com minha profissão. E em meu trabalho, ter vínculo com as pessoas.
P.- Considera que o desenvolvimento sustentável é possível na América Latina?
R.- Sim. O problema é que o presente nos mostra o contrário.
P.- Por que?
R.- A grande pergunta é como combater a pobreza. Creio que o fundamental é que é preciso que se faça algo. Em nossa região é preciso mudar muitas coisas para que as pessoas tenham mais oportunidades.
P.- Se fosse ecologista, como convenceria um caçador a deixar de matar animais em risco de extinção?
R.- Trabalharia muito para conscientizar as pessoas. Embora, em muitos casos, a caça seja a única fonte de alimento.
P.- O que lhe deixou o filme Fresa y Chocolate?
R.- O que mais me trouxe foi trabalho.
P.- Como avalia o bombardeio do cinema de Hollywood?
R.- É parte do mesmo pacote da globalização. Por isso devemos proteger a cultura de nossos países. O cinema espanhol conserva nossa identidade.
P.- Participaria de um filme em Hollywood?
R.- E difícil. Lamentavelmente, devido ao bloqueio norte-americano, um cubano que vive na ilha não pode ir lá, trabalhar e voltar. Assim, por essa e outras razões não me interessa. Gostaria sim de trabalhar no cinema americano independente, porque há bons projetos.
P.- Por quem gostaria mais de ser dirigido: Stanley Kubrick, Federico Fellini ou Luis Buñuel?
R.- Os três eram monstros do cinema. Gostaria de ser dirigido por qualquer um deles!
P.- E por Almodóvar?
R.- Pedro é um grande diretor. Desde que participei de Fresa y Chocolate temos conversado. Tomara que aconteça.
Para saber mais, entre no site www.cubacine.cu
* O autor e correspondente da IPS.
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