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US$ 470 milhões para o Corredor Biológico Mesoamericano |
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Por Julio Godoy*
Doadores, governos e agências multilaterais garantem a continuidade do plano destinado a restaurar a cadeia de biodiversidade na Mesoamérica, um território com 768 mil quilômetros quadrados e cerca de 8% da biodiversidade mundial.
PARIS.- O Corredor Biológico Mesoamericano (CBM), que procura integrar áreas naturais protegidas da América Central e do sul do México, afirma-se como plataforma de lançamento de estratégias de desenvolvimento e conservação ambiental, com um orçamento de US$ 470 milhões para o período 2003/2007. Governantes da região, organismos financeiros internacionais e governos doadores aprovaram, em Paris, esse orçamento para o programa do CBM nos próximos cinco anos, em reunião realizada dias 12 e 13 de dezembro, convocada pelo Banco Mundial.
O CBM, lançado em 1997, compreende a região conhecida como Mesoamérica: Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá, e os Estados mexicanos Campeche, Chiapas, Quintana Roo, Tabasco e Yucatán. Trata-se de um território de 768 mil quilômetros quadrados, 45 milhões de pessoas e cerca de 8% da biodiversidade mundial. No CBM subsistem cerca de 24 mil espécies de flora e 521 espécies de mamíferos, a maior cifra documentada no mundo em uma região de extensão semelhante.
A riqueza biológica contrasta com a pobreza humana da região. Cerca de 27 milhões de pessoas dessa área, 60% do total, são pobres, segundo dados do Banco Mundial. O CBM “representa a visão compartilhada por todos os povos da região, duramente golpeados por guerras civis e desastres naturais, de que um futuro de paz e estabilidade baseado em um desenvolvimento econômico responsável e sustentado é possível”, afirmou em Paris o ministro do Meio Ambiente da Costa Rica, Carlos Manuel Rodríguez.
Rodríguez preside a intergovernamental Comissão Centro-Americana para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CCAD), administradora do programa. Esta iniciativa é uma “vitrine da idéia de combinar crescimento econômico e proteção da natureza”, e mostra que essa idéia é viável ao colocá-la em prática, disse a diretora do departamento de Meio Ambiente do Banco Mundial, Kristalina Georgieva. Um dos resultados obtidos é que a Mesoamérica começou a recuperar suas florestas, destacou o secretário-executivo da CCAD, Mauricio Castro.
“Pudemos comprovar que o reflorestamento da Mesoamérica começou, através da comparação de imagens obtidas recentemente por satélites com outras feitas há vários anos”, disse Castro. Essas imagens mostram que a “Costa Rica recuperou florestas e que o desmatamento em países como Guatemala deteve-se”, acrescentou. Em um futuro próximo, os “macacos poderão perambular do sul do México até o Panamá sem tocar o solo”, afirmou Rodríguez, para ilustrar o alcance do reflorestamento.
A meta do CBM é também conseguir desenvolvimento rural sustentado e compatível com a conservação dos recursos naturais, e se isso for conseguido os macacos atravessarão “uma região onde os camponeses trabalharão a terra de maneira orgânica e terão melhor nível de vida do que o atual”, disse Castro. A agricultura orgânica busca gerenciar os ecossistemas sem insumos como fertilizantes ou inseticidas sintéticos, para evitar problemas ambientais e sociais.
O CMB busca valorizar os recursos naturais e os projetos concebidos por grupos sociais produtivos da região, disse o secretário-executivo da CCAD durante a apresentação do plano de trabalho para os próximos cinco anos. “O CBM não deve ser um programa dominado por burocratas, mas pelos produtores rurais e grupos representativos da sociedade civil”, acrescentou. Os doadores participantes da conferência de Paris autorizaram o uso de US$ 70 milhões para projetos implementados por vários países mesoamericanos e outros US$ 400 milhões para programas nacionais.
A Guatemala “não dispunha de uma legislação de proteção do meio ambiente”, mas “graças ao CBM, começamos a criar o aparato legal e as estruturas de trabalho para a conservação e utilização responsável de nossos recursos”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Cáceres. Agricultores independentes elogiaram o projeto, mas também pediram que sua produção orgânica de café, cacau e frutos tenha acesso ao mercado internacional. “Não basta doar alguns milhões para financiar um projeto, o melhor é nos pagarem o preço justo por nosso trabalho”, disse Ovidio López, secretário-geral da Frente Solidária, federação latino-americana de pequenos cafeicultores.
* O autor é correspondente da IPS.
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