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Ambiente e desenvolvimento 2002 |
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Por Redação do Terramérica*
Gotas de vida
A Cúpula Mundial de Johannesburgo foi o acontecimento ambiental
do ano, embora muitos tenham ficado descontentes com os resultados
obtidos. Salvo no caso da água, que será a protagonista do Ano Internacional
em 2003.
CIDADE DO MÉXICO.- O ano de 2002 registrou um evento ambiental estelar: a Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável, também chamada Rio Mais Dez, em Johannesburgo, na África do Sul. A megaconferência gerou imensas expectativas em todo o mundo, reuniu a maior quantidade de chefes de Estado (104) e representantes oficiais e não-governamentais (20 mil), custou o que nenhuma outra reunião desse tipo (US$ 55 milhões) e provocou enorme desperdício e poluição (331 toneladas de lixo e 290 mil toneladas de dióxido de carbono).
Tudo foi grande em Johannesburgo, exceto pelos resultados concretos do encontro. Dos cinco temas da reunião - água, energia, saúde pública, biodiversidade e agricultura - apenas um obteve consenso: os 190 países presentes concordaram em reduzir pela metade a população sem água e saneamento até 2015. Embora tenha havido outros acordos com prazos e cronogramas, o da água foi o mais significativo por causa do efeito que pode ter na vida diária de cada cidadão do mundo: quase cem milhões de pessoas em todo o mundo carecem de acesso adequado à água potável, enquanto quatro milhões não têm saneamento, segundo a Organização das Nações Unidas.
Em meio a vaias e gritos de “traição”, alguns setores ambientalistas qualificaram o encontro, que aconteceu entre 26 de agosto e 4 de setembro, como “a Cúpula Mundial dos Acordos Vergonhosos”. Irritaram-se, sobretudo, com a falta de consenso em torno das propostas de energia limpa, rejeitadas de pronto por um bloco de países liderado pelos Estados Unidos. O presidente George W. Bush, que foi o grande ausente na África do Sul, opõe-se ferreamente a qualquer compromisso quantificável nesse assunto e insistiu em rechaçar novamente a ratificação do Protocolo de Kyoto, de 1997, para estabilizar os gases causadores do efeito estufa, que provocam alteração no clima. “O setor petroleiro norte-americano tomou a cúpula como refém”, disseram os críticos.
Porém, os setores ambientalistas dedicados à água cantaram vitória e iniciaram trabalhos a toque de caixa. 2003 será o Ano Internacional da Água. “Procuramos fazer deste o século da paz, mais do que da guerra pela água”, disse Koichiro Matsuura, diretor da Unesco, uma das 23 agências da ONU envolvidas na questão. Em março (de 16 a 23) acontecerá o Terceiro Fórum Mundial sobre a Água, precisamente em Kyoto, no Japão. Que esta e outras cruzadas sobre a água tenham êxito é crucial, por um motivo superior: evitar que continuem morrendo a cada dia no mundo seis milhões de crianças vítimas de doenças relacionadas com a falta de água limpa, como cólera e diarréia.
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