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“Que nos olhem de frente” |
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Os indígenas querem que os tratem de frente, disse este ano a Prêmio Nobel guatemalteca Rigoberta Menchú durante uma cúpula de mulheres americanas. Mas há um longo caminho a percorrer, porque foram pouco ouvidas na Rio+10 e ainda esperam a aprovação de uma declaração da ONU sobre seus direitos.
Em 2002, completaram-se dez anos tanto da concessão do Prêmio Nobel da Paz a Rigoberta Menchú, indígena guatemalteca, quanto da comemoração dos 500 anos da conquista espanhola da América. Entretanto, os líderes das etnias do continente não tiveram muito o que comemorar. Na Cúpula Rio+10, na África do Sul, sua voz foi mínima e, apesar dos intensos esforços dos últimos anos, o projeto da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas continua arquivado.
No início de dezembro, Menchú organizou no México a primeira Cúpula de Mulheres Indígenas das Américas. Abriu o evento dizendo: “queremos que no futuro não nos olhem de cima para baixo, mas que também nos olhem de frente e nos tratem de frente, especialmente as instituições internacionais financeiras, os grupos de poder e os Estados”.
Sem dúvida, durante 2003 muitos deverão “olhar de frente”, como diz Menchú, para os indígenas do Equador. Num fato insólito na vida política da região, o movimento indígena se dispõe a ser parte do governo nesse país andino, onde o militar da reserva Lucio Gutierrez, que tomará posse em 15 de janeiro, foi eleito presidente em novembro com o apoio indígena.
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