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“Táxi elétrico para todos”

Por Gustavo González*

Os cineastas deveriam abordar temas transcendentais para a sociedade, como os problemas ambientais, sugere o diretor chileno Orlando Lubbert, cujo filme mais premiado tem um táxi com protagonista. “Todos os carros poluem”, adverte.

SANTIAGO.- O cineasta chileno Orlando Lübbert, de 57 anos, não se cansa de ganhar prêmios internacionais desde que o filme “Táxi para três”, do qual foi roteirista e diretor, ganhou em outubro de 2001 o Festival de San Sebastián. O autor do filme mais premiado da história do cinema chileno conversou com o Terramérica sobre seu ofício, o poder, a ecologia e, certamente, os táxis.

P: Os táxis poluem?

R: Claro que poluem. Todos os carros poluem. Embora na Espanha, me lembro, houve durante um tempo táxis a gás. Isso era melhor.

P: Então, táxis a gás para o Chile?
R: Deveria era haver táxis elétricos. Se a eletricidade não tivesse sido entregue aos interesses estrangeiros. Um presente do céu é a eletricidade no Chile, que vem da chuva e da cordilheira. O lógico seria que tivéssemos ônibus e táxis elétricos.

P: E como o cinema ajudaria a conscientizar sobre isto?
R: É preciso abordar temas e problemas que sejam transcendentes em nossas sociedades. Apesar de não nos levarem a sério e pensarem que tampouco somos um perigo. Os cineastas ainda conseguimos um grau de periculosidade para que nos levem a sério.

P: Os governos ouvem os cineastas?
R: Somos um pouco como a cereja da torta, um elemento com o qual os governos em geral podem brilhar. Agora, estamos com um governo que tem sincero interesse de desenvolver a cultura no Chile. Mas vivemos sob um marketing cinematográfico e as pessoas que oferecem a “mercadoria do cinema” obedecem a outros interesses. É muito difícil encontrar entre essas pessoas quem se interesse por temas como a identidade cultural ou o meio ambiente.

P: Qual sua cor favorita?

R: O azul

P: E o verde?
R: O verde também é uma cor maravilhosa

P: Você viveu na Alemanha, onde os verdes têm uma forte presença.

R: Sim. Começaram de maneira pequena e desenvolveram-se fortemente. Agora, foram tentados pelo poder e por tudo o que isso significa.

P: Há quem diga que os verdes são uma reciclagem de esquerdistas que ficaram fora da história.
R: Pode ser. Bem-vindo seja, nesse caso. Encontrei ecologistas de diferentes orientações, alguns quase religiosos. Se tomamos partido pela natureza não temos que estar preocupados se o padre que está conosco era comunista ou o que fosse. Estamos com um problema global. As atrocidades cometidas em matéria ecológica na União Soviética foram horríveis. Os comunistas devem, então, estar agora aprendendo o que significa defender a natureza.

* O autor é correspondente da IPS.




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Orlando Lübbert. Crédito: Jornal La Nación/Chile.
 
Orlando Lübbert. Crédito: Jornal La Nación/Chile.