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Proposta a duplicação do investimento em água |
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Por Suvendrini Kakuchi*
O “ouro azul”
voltará ao centro do debate a partir do dia 16 de março,
com o II Fórum Mundial da Água, que acontecerá
no Japão. O anfitrião está a favor de aumentar
a ajuda financeira e técnica. O mundo poderá ir tão
longe?
TÓQUIO.- O Japão, país
anfitrião do Terceiro Fórum Mundial da Água,
vai propor a duplicação dos investimentos mundiais
para atingir a meta da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento
Sustentável, realizada na África do Sul, no ano passado:
reduzir à metade a população sem água
potável até 2015. Mais de 40 ministros discutiram
esta semana o rascunho da Declaração Ministerial,
proposto pelo Japão, que deverá ser adotado pelo Fórum,
que acontecerá na cidade de Kyoto entre 16 e 23 de março.
Segundo uma cópia do rascunho divulgada
pela agência de notícias japonesa Kyodo, o plano propõe
um aumento significativo da ajuda oficial ao desenvolvimento e do
investimento privado, tanto em nível nacional quanto internacional.
O documento estabelece o objetivo de que todos os países
“dupliquem sua ajuda financeira e técnica para resolver
o problema mundial da água”. O projeto apresenta meios
para alcançar resultados substanciais e não “ações
retóricas”, disse ao Terramérica o secretário-geral
do Fórum, Hideaki Oba.
Isso é precisamente o que é necessário
para enfrentar um dos problemas ambientais mais angustiantes do
planeta: 40% da população do mundo carece de água
suficiente para saneamento e higiene, segundo um novo relatório
da ONU, apresentado esta semana à imprensa japonesa em Kyoto.
O documento intitulado Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento
dos Recursos Hídricos (WWDR) é elaborado com base
em informações de 23 agências e secretarias
das Nações Unidas e é considerado o mais completo
a respeito de água doce em nível global.
De acordo com o relatório, há
o registro de cerca de 12 mil quilômetros cúbicos de
água contaminada no planeta e 2,2 milhões de pessoas
morrem vítimas de doenças relacionadas à falta
de água segura, muitas delas crianças. Se não
forem tomadas medidas concretas - diz o documento - em 2050 cerca
de sete bilhões de pessoas, de uma população
projetada de 9,3 bilhões, sofrerão de escassez de
água. “Deve haver um compromisso concreto em Kyoto
e deve ser o mais próximo possível do gasto estimado
de US$ 10 bilhões a US$ 40 bilhões ao ano para atingir
a meta estabelecida em Johannesburgo”, disse ao Terramérica
Gordon Young, coordenador do Programa Mundial de Avaliação
dos Recursos Hídricos, responsável pela redação
do WWDR.
O êxito da reunião de Kyoto, disse
Gordon, dependerá de se conseguir uma agenda concreta de
ação, que priorize os mais necessitados de água
segura. O rascunho da Declaração Ministerial, redigido
pelo Japão, exorta ao uso eficiente da irrigação
na agricultura, à prevenção da contaminação
da água, conservação dos ecossistemas, redução
das inundações e melhor administração
dos recursos aqüíferos. Uma das chaves do texto é
a formação de alianças entre o Estado e o setor
privado para garantir o fornecimento de água. A declaração
propõe promover essas alianças, embora “mantendo
o necessário controle público para proteger o interesse
da população em geral e dos pobres em particular”.
Os autores do rascunho tiveram especial cuidado
em apresentar soluções para os diferentes aspectos
do debate, disse ao Terramérica o especialista em irrigação
Ryota Nakamura, da Universidade do Japão. A referência
aos pobres leva em consideração as conclusões
do Segundo Fórum Mundial da Água, realizado em Haia,
na Holanda, segundo as quais este recurso afeta todos os aspectos
da vida, como saúde, meio ambiente, direitos humanos e política.
No Fórum será apresentado o relatório
Ação Mundial da Água, que revisa os projetos
para melhorar o fornecimento em todo o mundo. Suas conclusões
representam um passo adiante em relação aos compromisso
de Haia, disse Oba.
Um dos pontos mais controvertidos do debate
é a privatização dos sistemas de tratamento
e distribuição de água nos países em
desenvolvimento, considerada por muitos um meio para melhorar a
tecnologia do setor, proteger o meio ambiente e apoiar a irrigação.
No entanto, ativistas alertam que o acesso à água
é um direito humano básico e não deve ser objeto
de negociação como se fosse uma mercadoria qualquer.
Segundo este ponto de vista, a privatização prejudicará
os mais pobres, que ficarão à mercê de empresas
movidas pelo desejo de lucro.
O objetivo da conferência de Kyoto é
desenvolver um sistema de controle do ciclo da água para
que todos os países o adotem, disse o diretor do Instituto
de Pesquisas para a Humanidade, Taikan Oki, professor da Universidade
de Tóquio. “Um sistema adequado ajudará os países
em desenvolvimento a criar um plano de manejo da água. Para
que isso seja alcançado, devemos discutir em Kyoto a transferência
tecnológica e o apoio financeiro para os países pobres”,
disse Oki. Por sua vez, Oba está confiante em que o Fórum
vencerá os obstáculos ao formular respostas adequadas
para cada região. “Seria inútil gastar tempo
em debates superficiais. Enquanto persistem os conflitos, a água
tem o potencial de animar a cooperação”, acrescentou.
Para saber mais, visite os sites www.waterday2003.org
e www.unesco.org
* A autora é correspondente da IPS.
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