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“Os árabes prevalecerão”

Por Jorge Alberto Grochembake*

O futuro não mudará uma cultura milenar, que resistirá aos abusos dos Estados Unidos, disse ao Terramérica o escritor guatemalteco Mario Monteforte, para quem está claro que o “petro-poder” instigou a invasão do Iraque.

GUATEMALA.- Para o escritor guatemalteco Mario Monteforte Toledo está claro que o “petro-poder” está por trás da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, e lamenta a total liberdade que a potência agora tem “para abusar de qualquer país”. Com seus 91 anos, Monteforte é considerado o maior escritor vivo da Guatemala, cunha de escritores do porte de Miguel Ángel Asturias, Luis Cardoza y Aragón e Augusto Monterroso. Autor de 11 novelas, cinco livros e uma antologia de contos, Monteforte também manteve intensa atividade política, que o levou a viver exilado por 35 anos no México, Equador, Inglaterra e França. Em sua residência na capital guatemalteca, o autor conversou com o Terramérica.

- Qual sua interpretação do ataque dos Estados Unidos contra o Iraque?
- É um processo muito complexo que tem motivos econômicos e políticos: controlar a produção de petróleo e suprimir um governo que tinha grande independência de Washington no Oriente Médio. Além disso, a guerra é um magnífico negócio para os Estados Unidos e seria dramático para esse país se terminasse rapidamente, já que está fazendo muito dinheiro.

- O senhor vê semelhanças entre a guerra no Iraque e a invasão norte-americana na Guatemala (em 1954, para derrubar Jacobo Arbenz)?
- O abuso do poder, em primeiro lugar, mas, também, a total autonomia dos Estados Unidos para abusar de qualquer país. Desde a queda da União Soviética sente-se em total liberdade (de fazê-lo).

- Imagina os danos ao meio ambiente causados pela guerra no Iraque?
- Ocorrem em todas as guerras, embora esta vá deixar uma marca profunda, muito difícil de apagar. Haverá muitos prejuízos materiais pelas grandes bombas, mas, sobretudo, prejuízos humanos.

- O Iraque é considerado cunha da civilização. Quais implicações teria a destruição de museus que protegem parte dessa história?
- O futuro não vai mudar. A cultura árabe tem mais de dois mil anos, toda a vida foi de uma forma e isso não acabará. A biblioteca de Alexandria foi queimada há 200 anos e ali está tudo o que foi produzido. Os árabes não mudarão em nada e preservarão seu caráter rígido. São bons guerreiros, para eles a morte não representa grande coisa, o que lhes dá uma força militar enorme.

- A invasão norte-americana na Guatemala foi uma das causas da prolongada guerra civil que esse país viveu depois?
- Não, mas a partir dessa invasão negou-se aos guatemaltecos toda saída democrática e foi preciso recorrer à violência. Além disso, é a origem da violência na América Latina.

- Se as letras, a música e a arte louvam a alma, por que os homens insistem em fazer a guerra?
- Porque os que fazem a guerra não se dedicam à arte, mas a destruir.

* O autor é colaborador do Terramérica.




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