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Reforçada aliança em favor de arrecife mesoamericano |
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Por Jorge A. Grochembake*
Belize, Guatemala, Honduras e México realizarão novos estudos para preservar a segunda barreira de arrecifes mais extensa do mundo.
GUATEMALA.- Especialistas de Belize, Guatemala, Honduras e México iniciarão em julho estudos de campo para estabelecer regulamentações à pesca no ameaçado Arrecife Mesoamericano, o maior do Oceano Atlântico e o segundo do mundo. Com uma extensão de mil quilômetros, o arrecife compõe um exuberante espetáculo natural, desde a península de Yucatã, no sul do México, até as ilhas da baía de Honduras. Sua rica diversidade biológica, que inclui espécies de peixes de ampla demanda comercial, como o mero e a lagosta, sofre o impacto da pesca, do turismo e do desmatamento.
Para garantir a sustentabilidade do sistema coralino e os ecossistemas associados - como mangues e pastos marinhos - é necessário um intenso trabalho de educação, treinamento e informação compartilhada, disse Miguel Angel García, responsável pelo Monitoramento Ambiental do Sistema de Arrecife Mesoamericano (SAM). Com financiamento do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) do Banco Mundial, o SAM é uma iniciativa de conservação para a área, da qual participam Belize, Honduras, Guatemala e México.
Como parte desses esforços, especialistas de cada país realizarão pesquisas de campo para monitorar as principais zonas do SAM. Dessa maneira será possível estudar o comportamento da população de peixes, onde se reproduzem espécies de importância comercial. “Os pescadores têm identificado os locais de agregação e os exploram”, disse García. Os resultados das pesquisas permitirão fazer recomendações para uma pesca regulada, acrescentou.
Os arrecifes coralinos são uma espécie de esqueleto calcário em águas superficiais, formado por colônias de coral que para prosperarem necessitam de diversos tipos de algas. Estas, através da fotosíntese, produzem o carbonato de cálcio que o coral requer para fixar-se no arrecife. A barreira de arrecifes serve de proteção a ecossistemas costeiros e é local de reprodução e alimentação de mamíferos marinhos, répteis, peixes e invertebrados, explicou a bióloga Daniella Guevara, da Comissão Nacional de Áreas Naturais Protegidas do México.
O arrecife mesoamericano é a segunda formação de arrecifes do planeta, depois da Grande Barreira Coralina Australiana. Por seu tamanho, foram estabelecidas zonas prioritárias transfronteiriças, a fim de reforçar os mecanismos de proteção. Os principais locais compreendem áreas da baía de Chetumal (Belize e México) e do Golfo de Honduras (Belize, Guatemala e Honduras).
Uma dessas zonas é a biosfera Banco Chinchorro, o arrecife mais rico do México, diante da costa do Estado de Quintana Roo. Também foi selecionado o arquipélago de Cayos Chochinos, um conjunto de pequenas ilhas e restingas em águas do mar do Caribe hondurenho. Como parte das gestões do SAM, serão estabelecidas normas de proteção de Gladeen Spit em Belize, local onde desovam meros e pargos. Este criadouro atrai o tubarão-baleia e se converteu em importante centro turístico. As ações buscam controlar as práticas de mergulho e pesca na área.
A iniciativa de preservação “já está em execução”, disse a diretora-geral de Biodiversidade da Secretaria de Recursos Naturais e Meio Ambiente (Serna) de Honduras, Alda Gamboa. Porém, “em quase todos os países temos alguns danos”, acrescentou. No caso hondurenho, que junto com Belize apresentam melhores níveis de conservação, os arrecifes estão afetados por um fenômeno de estresse conhecido como “branqueamento”, provocado “pela sedimentação causada pelo desmatamento que sofre Honduras”, acrescentou.
Como os arrecifes não toleram mudanças na temperatura da água, o aquecimento dos oceanos também contribui para o branqueamento coralino. Apesar das múltiplas ações, “não conseguimos uma proteção total”, reconheceu Gamboa. Uma efetiva proteção dos arrecifes requer “um manejo regional, pois não é possível isolar as partes de um país do resto do sistema”, explicou.
O SAM começou a operar em meados de 2001, com um prazo de 15 anos, divididos em três fases de cinco anos.
* O autor é colaborador do Terramérica.
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