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Nasce laboratório de cidadania ambiental |
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Por Diego Cevallos*
Argentina, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, México e Peru serão, a partir de agora e até 2006, sede de uma experiência que tem por meta criar consciência ambiental entre os cidadãos.
MÉXICO.- Criar consciência pública sobre o meio ambiente é remar contra a corrente na América Latina, pois a realidade impõe outras prioridades. Porém, sete países e seis redes regionais de organizações não-governamentais farão uma tentativa nesse sentido com um novo projeto. Argentina, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, México e Peru serão, de agora até 2006, o laboratório da experiência, que conta com orçamento de US$ 6 milhões.
Nessas nações trabalharão juntos governos, igrejas evangélicas, rádios comunitárias, parlamentares e associações de consumidores e autoridades locais para transmitir aos cidadãos mensagens sobre a importância do meio ambiente. Se o plano der frutos, se estenderá para toda a região. “Esse projeto não é a solução nem o melhor que se poderia fazer, mas é uma contribuição que estabelece bases para uma cidadania ambiental”, disse ao Terramérica Ricardo Sánchez, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) na América Latina e Caribe, agência promotora da iniciativa.
O objetivo é transmitir ao público latino-americano novas mensagens sobre o que é o meio ambiente e aprofundar a compreensão e fomentar a mobilização social sobre assuntos como biodiversidade, alteração climática e destruição da camada de ozônio, conforme explicaram os sócios reunidos esta semana no México. Entretanto, a tarefa é difícil, pois cariar consciência ambiental não parece prioritário quando há 220 milhões de pobres na América Latina e Caribe, em razão de crises econômicas e políticas, baixa qualidade educacional e exploração intensiva dos recursos naturais, reconheceu Sánchez.
“Criar consciência ambiental é uma frase que perdeu seu significado, diria que é quase um 'clichê', e agora queremos adequá-la aos fatos”, disse ao Terramérica Manuel Quintero, porta-voz do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai), que reúne 150 igrejas evangélicas e cerca de cinco milhões de fiéis. O Clai transmitirá as novas mensagens ao seu público nos sete países, como também o farão a União Internacional de Autoridades locais em seu capítulo latino-americano, a Associação Mundial de Rádios Comunitárias, o grupo Consumers International e a União Internacional para a Natureza.
Participarão também governos e legisladores através do Parlamento Latino-Americano (Parlatino), que se comprometeu a trabalhar em uma série de documentos contendo recomendações. “A questão ambiental e a necessidade de participação social ultrapassam fronteiras e por isso deve ser atendida com leis e normas comuns”, disse ao Terramérica Amadeu da Costa Ribeiro, diretor-geral do Parlatino.
Os frutos, entretanto, tardarão a amadurecer, segundo Angela Zambrano, do grupo Consumers International. Na América Latina, “serão necessárias várias gerações para criar consciência ambiental e novos padrões de consumo amigáveis com o meio ambiente. Este projeto é apenas uma semente”, acrescentou.
* O autor é correspondente da IPS.
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