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Artigo


Garantem que o século XX não foi o mais quente

Por Cristina Hernández-Espinoza*

Cientistas norte-americanos questionam hipóteses que fundamentam a luta global contra a alteração climática.

SÃO FRANCISCO.- Que o século XX foi o mais quente do milênio e que em cem anos a temperatura do planeta pode aumentar em até 3,5 graus centígrados são duas das mais propaladas hipóteses na luta da comunidade global contra a mudança climática. Entretanto, há evidência suficiente para sustentá-las? Não, segundo o astrofísico Willie Soon. Através da análise de fósseis biológicos, taxas de acúmulo de gelo, sedimentos no leito marinho e anéis das árvores, entre outros indicadores que os cientistas denominam “proxy paleoclimáticos”, Soon sugere que as medições que fundamentam as políticas globais estão erradas.

Pesquisador do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian da norte-americana Universidade de Harvard, Soon liderou uma equipe que recopilou e analisou mais de 200 relatórios científicos produzidos nos últimos dez anos. “O objetivo de nosso trabalho é conseguir a compreensão da alteração climática em níveis locais e regionais e não globais, porque estas são medidas mais relevantes de mudança, em um sentido prático”, disse Soon ao Terramérica. “Isto é especialmente importante já que sociedades, economias ou esferas humanas não estão “vivendo” sob uma temperatura global”, explicou.

A equipe, que inclui cientistas das universidades norte-americanas de Harvard e Delaware, analisou minuciosamente, por exemplo, arquivos documentais sobre assentamentos vikings na Groenlândia (986 d.C.), variações das geleiras na Argentina e registros isotópicos de estalagmites da Caverna do Buda, na China. Sua descoberta, publicada em abril no Journal of Energy and Environment, demonstrou que as últimas ondas de calor e frio podem corresponder a variações climáticas naturais e não a emissões de gases causadores do efeito estufa como se acredita, e que o século XX não foi o mais quente do milênio.

Dessa maneira, Soon incorpora-se ao cada vez maior batalhão de cientistas que coloca em xeque as afirmações do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, sigla em inglês), considerado a máxima autoridade na matéria. Segundo esse órgão, que tenta decifrar o clima global da Terra através de modelos matemáticos que simulem as interações do solo, mar e ar, o século XX teria sido o mais quente do milênio, presumivelmente devido, em grande parte, à atividade econômica humana (usinas de energia, automóveis), responsável pela emissão de gases causadores do efeito estufa (como o CO2, principalmente), cujo acúmulo favorece o aquecimento global.

O IPCC prevê que entre 1990 e 2100 a temperatura global média poderia aumentar entre 1 e 3,5 graus centígrados. Se isso acontecer, espera-se um aumento na incidência de ondas de calor, inundações e secas. Por isso o IPCC, criado em 1988, procura estabelecer normas internacionais de controle de emissões de gases que causam o efeito estufa, como o Protocolo de Kyoto. O acordo, assinado em 1997, ainda não está em vigor, sobretudo pela posição do governo de George W. Bush, que considera não haver suficientes evidências científicas para apoiar o protocolo. A postura dos Estados Unidos, responsável por 23% do total global de emissões de dióxido de carbono, enfrentou uma condenação global.

No entanto, os modelos matemáticos do IPCC enfrentam vários questionamentos. “Cada vez fica mais claro que o registro principal adotado por esse organismo, desenvolvido por Mann et al. (1999), apresenta uma tendência a subestimar variações climáticas naturais em escalas de tempo que vão de várias décadas a um século”, explicou Soon. Segundo seu estudo, intitulado “Reconstruindo Alterações Climáticas e Ambientais dos Últimos Mil Anos: Uma Revolução”, indicadores proxy climáticos de várias localidades confirmam a existência global de uma anomalia climática denominada Período Medieval Temperado (800 a 1300 d.C.), durante o qual estima-se que a temperatura foi maior do que a do século XX.

Por exemplo, a análise de indicadores proxy marinhos na região denominada Pacific Warm Pool (Indonésia) demonstra que durante esse período a temperatura na superfície marinha chegou a um máximo de 30 graus centígrados, enquanto nas duas últimas décadas ficou apenas entre 28 e 29 graus. Além disso, confirmou-se a existência de uma Pequena Idade do Gelo (1300 a 1900 d.C.) com temperaturas baixas extremas. As hipóteses de Soon são compartilhadas por outros cientistas.

“Estimo que o doutor Soon está correto (ao afirmar que o século XX não foi o mais quente do milênio). A maior parte da literatura especializada aceita a existência de um Período Medieval Temperado, embora seja debatido se realmente foi um fenômeno global”, disse ao Terramérica Richard S. Lindzen, professor de Meteorologia do departamento de Ciência Atmosférica, Planetária e da Terra do Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT).

Em seu Terceiro Relatório de Avaliação (2001), elaborado por dezenas de proeminentes cientistas, o IPCC não considerou a presença de ambos períodos como um fenômeno global e deu particularidade aos níveis de aquecimento do século XX. Apesar das discrepâncias, tanto membros do IPCC quanto especialistas de Harvard são concludentes ao afirmar que existe um grande número de incertezas quando se trata de determinar em que proporção o aquecimento da Terra se deve a causas naturais ou a emissões de gases causadores do efeito estufa.

Pode-se esperar a inclusão destas variáveis naturais nos novos informes do IPCC? Lindzen mostra-se cético: “Tenho minhas dúvidas. Participei amplamente do Terceiro Relatório de Avaliação do IPCC e ficou claro que existiram pressões políticas. A participação exigiu muito tempo e não foi de valor científico”, afirmou. Enquanto o IPCC prepara seu Quarto Relatório de Avaliação para 2007, especialistas como Soon, cujos argumentos científicos alimentam a tomada de decisões em Washington, propõem-se a continuar buscando uma teoria climática mais sólida.

* A autora é colaboradora do Terramérica.


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Enlaces Externos

Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática

Protocolo de Kyoto

Journal of Energy and Environment

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