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Diego Cevallos
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Baleias em busca de mares seguros |
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De acordo com ecologistas, as gigantescas baleias azuis, as orcas e os pequenos cetáceos como a vaquinha marinha, poderão ter lar seguro e, inclusive, se salvar da extinção graças à aprovação da chamada “Iniciativa Berlim”, da Comissão Baleeira Internacional (IWC).
MÉXICO.- De acordo com ecologistas, as gigantescas baleias azuis, as orcas e os pequenos cetáceos como a vaquinha marinha, poderão ter lar seguro e, inclusive, se salvar da extinção graças à aprovação da chamada “Iniciativa Berlim”, da Comissão Baleeira Internacional (IWC). Apesar da categórica rejeição da Noruega e do Japão, campeões da caça comercial de cetáceos, a proposta de criar um comitê especial de proteção das baleias obteve 25 votos a favor e 20 contra, durante a reunião anual da IWC, realizada de 16 a 19 de junho, em Berlim, na Alemanha. Desde sua criação, em meados da década de 40, quando as populações de baleias ainda eram numerosas, a Comissão dedicou-se quase exclusivamente à caça comercial e ilegal.
Agora, através do comitê, que reunirá especialistas de todo mundo, estarão no centro de suas ações outros fatores que ameaçam a sobrevivência dos cetáceos: a contaminação, a alteração climática e o impacto de redes e sonares. “Trata-se de um marco. Colocou-se a conservação no coração da IWC”, disse ao Terramérica, em Berlim, Silvia Manzanillo, comissária do México junto à organização. Este país e a Alemanha, anfitriões do encontro, promoveram a Iniciativa Berlim, que contou com apoio do Brasil, Estados Unidos, França, Alemanha, Argentina e Chile, entre outros. O Panamá votou contra, alinhando-se com Japão e causando violenta reação doméstica.
“Nossa frustração apenas aumentou”, disse Masayuki Komatsu, comissário do Japão, país que também fracassou em Berlim por não conseguir que fosse retirada a suspensão da caça comercial de baleias, em vigor desde 1986. Estima-se que o Japão cace cerca de 700 animais por ano, sob uma cláusula que ampara “critérios científicos”, da própria IWC. “Comentamos com o comissário do Japão que a metade dos países representados na Comissão não vê a baleia como um recurso pesqueiro, mas como fauna silvestre de proteção especial. É esse o conceito que queremos que seja atendido”, disse Manzanillo.
Organizações ecologistas de todo o mundo saudaram efusivamente a Iniciativa Berlim. “É o maior triunfo desde a imposição da moratória em 1986”, disse ao Terramérica Beatriz Bugueda, do Fundo para o Bem-Estar dos Animais (IFAW). “A atuação do México foi exemplar. Demonstrou que é o líder da conservação mundial de cetáceos”, acrescentou. O IFAW é assessor de vários governos e participou como observador com 18 delegados no encontro da Alemanha.
Embora tenha sido rejeitada a criação dos santuários baleeiros (no Atlântico e Pacífico Sul), o otimismo não diminuiu. As portas para promover um uso sustentável também se abriram com a Iniciativa Berlim, segundo os ambientalistas. “Não se trata apenas de não matar baleias, mas de promover seu uso sustentável, por exemplo, através do ecoturismo, que é uma indústria milionária”, disse Manzanillo. Representantes do setor de observação de baleias, que representa mais de US$ 1 bilhão ao ano, pela primeira vez participaram em Berlim de uma reunião como observadores.
* O autor é correspondente da IPS.
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