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O acidente marítimo mais caro da história |
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Por Por Tito Drago*
Os prejuízos ambientais e econômicos causados pelo petroleiro Prestige persistem oito meses depois de seu afundamento, e revertê-los pode custar dez bilhões de euros
MADRI.- O afundamento do navio petroleiro Prestige, diante da costa setentrional da Espanha, será o desastre marítimo mais caro da história, segundo estimativas independentes. Quando, oito meses depois do naufrágio, continuam aparecendo aves afetadas pela maré negra e a pesca se recupera, o dilema é como extrair o restante do combustível dos tanques afundados, que pode continuar fluindo para a costa durante 20 anos.
Segundo um informe do colégio de Economistas de Pontevedra, divulgado na semana passada, reverter os prejuízos ambientais e econômicos causados pelo derramamento de óleo do Prestige custará dez bilhões de euros. É a catástrofe mais cara da história dos acidentes marítimos, porque o navio, que transportava 70 mil toneladas de combustível, afundou na região da Europa que mais depende economicamente da costa e dos recursos pesqueiros, acrescentou a instituição. O valor inclui limpeza e regeneração ambiental, investimentos públicos e privados para amortizar o impacto da maré negra na economia regional e adoção de leis e normas de segurança marítima para proteger a costa de um novo acidente. Por outro lado, para o governo, o custo será de 600 milhões de euros, embora fontes oficiais admitam que poderia chegar a um bilhão de euros.
A pesca e o acesso às praias foram autorizados nas últimas semanas, com a advertência de que podem ser encontrados restos de óleo na areia. Na Galícia existem 711 praias limpas e 12 afetadas em suas rochas e nas camadas profundas, informou na semana passada o Ministério do Meio Ambiente.
Segundo estimativas da Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO), entre cem mil e 200 mil aves sofreram os efeitos da maré negra na Espanha, França e Portugal. Desde novembro foram recolhidos das costas dos três países mais de 23 mil exemplares, vivos e mortos. Embora em menor medida, prossegue o recolhimento de aves afetadas pelo vazamento, informou a SEO.
Por sua vez, as espécies marinhas parecem estar em fase de recuperação. De acordo com a pesquisa de quatro centros oceanográficos, o Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO) não encontrou anomalias hidrográficas, físicas nem biológicas nas regiões próximas de onde o navio afundou. “Na primavera (boreal) as variáveis físicas e biológicas apresentam valores normais”, sem que se tenha encontrado anormalidades para a pesca da anchova e cavalinha, a atividade mais importante da região, afirmou o IEO no dia 22 de julho.
Nos oito meses transcorridos desde o acidente foram extraídas 75 mil toneladas de resíduos, entre combustível, areia e algas contaminadas, e animais mortos, e o impacto ecológico foi atenuado, disse ao Terramérica o secretário de Estado de Águas e Costa do Ministério do Meio Ambiente da Espanha, Pascual Fernández.
O navio, avariado no dia 13 de novembro, próximo da costa da Galícia, foi rebocado para alto mar e afundou no dia 19 do mesmo mês, em frente ao cabo de Finisterre, no extremo noroeste da Península Ibérica. Imediatamente espalharam-se pelo mar 20 mil toneladas de combustível. Sobre as plataformas submarinas da Galícia e de Cantábrico jazem 347 toneladas de óleo, segundo o IEO. E o casco quebrado do Prestige continuará lançando ao mar uma tonelada diária durante os próximos 20 anos, advertiu o Centro de Pesquisas Energéticas, de Meio Ambiente e Tecnológicas do Ministério da Ciência e Tecnologia da Espanha.
Se não for tomada uma solução definitiva, todo o conteúdo dos tanques pode ser liberado devido às particulares condições de oxigênio, pressão e temperatura do naufrágio, ocasionado um gotejamento constante de óleo ou novas marés negras, alertou o biólogo Jaime Roset em conversa com o Terramérica, citando estudos do conselho superior de Pesquisas Científicas (estatal).
Segundo Fernández, o governo prepara uma estratégia para extrair o restante do combustível e já concedeu à companhia petrolífera espanhola Repsol-YPF o contrato para a tarefa. A empresa testará em agosto e setembro um mecanismo de bolsas-lançadeiras, que permitiria extrair o combustível sem necessidade de bombeamento. O óleo poderia ser recuperado, colocado em embarcações e levado para terra entre abril e junho de 2004, afirmou o vice-presidente-executivo da Repsol-YPF, Miguel Angel Ramón.
No entanto, uma solução a ser aplicada em plena época de temporais não é confiável, afirmou ao Terramérica o ativista Perico Alonso, representante na Galícia da organização não-governamental Ecologistas em Ação. Contudo, Roset estima que a situação sanitária está controlada por uma rigorosa inspeção por parte das entidades atuantes e pelo “impressionante” trabalho de voluntários e ecologistas.
* O autor é colaborador da IPS.
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