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O dilema entre ozônio e clima

Por Mário Osava*

Cientistas esperam apresentar em 2005 alternativas para dois gases usados como substitutos dos CFCs, mas que prejudicam o clima.

RIO DE JANEIRO.- Os gases hidrofluorocarbonos (HFC) e os perfluorocarbonos (PFC) podem restaurar a camada de ozônio, mas agravam o aquecimento global. Um grupo de 120 especialistas está avaliando este dilema e espera apresentar alternativas em 2005. Os HFC e PFC são usados como substitutos dos clorofluorocarbonos (CFC), que destróem o ozônio estratosférico, em refrigeradores e aparelhos de ar-condicionado de casas, veículos, comércio e indústria.

A situação dos CFC foi estipulada pelo Protocolo de Montreal, tratado internacional assinado em 1987 com o fim de salvar a debilitada camada de ozônio que, localizada entre 20 e 30 quilômetros de altitude, filtra as radiações solares. Os compromissos assumidos nesse acordo estão sendo cumpridos com juros. Em alguns países ricos os CFC foram abolidos antes do prazo fixado, em 2001. O Brasil espera consegui-lo em 2007, embora como país em desenvolvimento tenha até 2010.

No entanto, seus substitutos, os HFC e PFC também têm efeitos prejudiciais, pois são gases causadores do efeito estufa (provenientes da combustão de fósseis) que prendem o calor solar na atmosfera e contribuem para a alteração do clima. Ambos estão na lista de substâncias que devem ser controladas com base no Protocolo de Kyoto (1987), que ainda não entrou em vigor.

A comunidade científica global intensificou na última década o estudo da inter-relação entre a redução da camada de ozônio e a mudança climática. Um dos desafios maiores tem a ver com o manejo de gases que, como os próprios CFC, exacerbam os dois fenômenos ambientais. Para enfrentar o problema, o científico Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, sigla em inglês) convidou, em agosto, seu par, o Painel de Avaliação Econômica e Tecnológica do Protocolo de Montreal (Teap) para uma reunião em Haia.

No encontro foi criado um grupo de 120 especialistas, dedicado a elaborar, até o primeiro semestre de 2005, um relatório avaliando as alternativas em todos seus aspectos. Será uma análise do “ciclo completo dos gases, seus efeitos diretos e indiretos” no clima e no ozônio, explicou ao Terramérica Roberto Peixoto, brasileiro que participa desse processo e que é vice-diretor do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo. Os critérios não serão lineares, todo o sistema será considerado. Um gás de melhor desempenho em refrigeração pode não ser recomendável caso sua produção exija mais energia procedente de combustíveis fósseis, explicou.

O balanço final de todo o ciclo pode ser negativo. Além disso, estão em jogo fatores econômicos e tecnológicos, os interesses das indústrias produtoras de gases e equipamentos afetados, outras questões ecológicas e limitações nacionais ou locais, observou Peixoto. “Deve-se considerar casos em que um gás prejudicial é indispensável e reforçar o uso responsável, evitando vazamentos”, acrescentou. Na Europa, especialmente na Alemanha, comprovou-se que o isobutano é uma alternativa eficaz em refrigeradores domésticos, mas seu uso limita-se a aparelhos em que uma pequena quantidade desse gás inflamável não apresenta riscos, explicou o especialista.

É uma “alternativa a ser considerada, mas que exige fortes investimentos em segurança”; destacou ao Terramérica o especialista ambiental Paulo Vodianitskaia, da empresa Multibrás, a maior fabricante de eletrodomésticos da América Latina e subsidiária da multinacional norte-americana Whirlpool. Uma empresa brasileira, por exemplo, acabou falindo por aderir a essa “vertente européia”, adotando o ciclopentano e o isobutano em sua produção industrial. Neste caso foram fatais os gastos em segurança, não cobertos pelo Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal, destinado a promover a reconversão industrial nos países pobres, disse ao Terramérica a assessora técnica Liamarcia Silva Hora, do Ministério do Meio Ambiente. “É preciso ajustar as opções à realidade econômica local”, reconheceu.

O Brasil proibiu a produção de refrigeradores com CFC a partir de 1999. Dois anos depois, o consumo desse e de outros gases caiu mais de 40%. Mas o país ainda tem em uso 36 milhões de refrigeradores fabricados antes dessa data, que seguem utilizando o CFC. Para eliminar totalmente esse gás até 2007, o governo anunciou, no dia 16 de setembro, Dia Internacional de Preservação da Camada de Ozônio, que apelará a US$ 26,7 milhões do Fundo Multilateral para distribuir 12 mil equipamentos de recuperação de CFC, construir de dez centros de reciclagem e capacitar de 35 mil técnicos em refrigeração.

O Brasil é o terceiro maior consumidor desses gases entre os países em desenvolvimento, superado apenas por China e Índia. A substituição do CFC se faz principalmente por HFC, como fluido refrigerador de aparelhos domésticos e de ar-condicionado. Contudo, o efeito estufa do HFC é 1,3 mil vezes mais potente do que o do dióxido de carbono, explicou ao Terramérica o ecologista Sérgio Dialetachi, coordenador de energia do Greenpeace Brasil. Como contrapartida, Vodianitskaia, da Multibrás, diz que a emissão limitada de HFC representa apenas 2% do efeito estufa total.

Os CFC começaram a ser usados há 70 anos, mas seus efeitos negativos (sua capacidade de destruir os átomos do ozônio estratosférico) apareceram 30 ou 40 anos mais tarde. O buraco da camada de ozônio sobre a Antártida alcançou este ano uma superfície recorde de 28 milhões de quilômetros quadrados, equivalente à registrada pela primeira vez em 2000, segundo anunciou no dia 17 de setembro a Organização Meteorológica Mundial.

* O autor é correspondente da IPS.


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Enlaces Externos

Ministério do Meio Ambiente do Brasil

Inpe

Greenpeace

Secretaria do Ozônio, Pnud

Protocolo de Montreal

IPCC

Protocolo de Kyoto

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