Reportajes
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Artigo


A conquista dos transgênicos

Por Diego Cevallos*

Mais de 18 milhões de hectares já são cultivados com transgênicos na América Latina. É uma tendência irreversível, segundo cientistas, que apostam que a região vai apropriar-se desta nova tecnologia, em lugar de condená-la.

MÉXICO.- Mais de 18 milhões de hectares já são cultivados com transgênicos na América Latina, fornecidos por um punhado de multinacionais que impõem preços e condições, enquanto o debate sobre sua presença se caracteriza por ameaças, julgamentos e dinheiro. Na Argentina, boa parte dos campos férteis foi coberta de soja transgênica às custas de outros cultivos, e no Brasil o governo autorizou sua plantação em caráter temporário. Na Colômbia, Honduras e México já circula milho geneticamente modificado. No Uruguai existe soja transgênica e o milho está sendo introduzido.

Além disso, em toda a América Latina são vendidos alimentos derivados desses organismos geneticamente modificados (OGM), mas a grande maioria dos consumidores não sabe disso. A história começou em 1996, quando foram liberadas comercialmente no planeta as sementes transgênicas, setor controlado quase que em sua totalidade pela companhia norte-americana Monsanto. Outras cinco empresas participam do mercado de forma periférica: Basf, Bayer, Dow Chemical, Dupont e Syngenta.

Em 2002, foram semeados no mundo 58,7 milhões de hectares com sementes transgênicas, dos quais 13,5 milhões na Argentina e o restante em outros 15 países, sendo os Estados Unidos o principal produtor de alimentos OGM. O material genético destes organismos é modificado em laboratório através da introdução de genes de outras espécies, animais ou vegetais, que são usados como vetores para vírus ou “bactérias” desativadas. A intenção é melhorar seu rendimento, ou suas características gerais, como resistência a fatores climáticos, herbicidas, etc.

“A introdução dos transgênicos na agricultura é irreversível no mundo. Agora, o importante na América Latina é controlá-la, usá-la e desenvolvê-la, a par de outras tecnologias, para não depender de empresas estrangeiras”, disse ao Terramérica o cientista mexicano Luis Herrera. Este especialista desenvolveu essa tecnologia no início dos anos 80 na Bélgica, junto com vários colegas.

No entanto, para a ativista Silvia Ribeiro, da ong Action Group on Erosion, Techonology and Concentration, com sede no Canadá, a perspectiva futura é outra. “Com os transgênicos acontecerá algo semelhante ao que ocorreu com a energia atômica: primeiro foi promovida para a produção de eletricidade, mas depois, ao descobrir-se seus perigos e conseqüências, seu uso caiu”, afirmou Silvia ao Terramérica.

As empresas que vendem sementes modificadas garantem que seus produtos são fáceis de cultivar, requerem pouca aplicação de pesticidas e, principalmente, são rentáveis. São a chave para saciar a fome que afeta mais de 800 milhões de pessoas no mundo, afirmam. Entretanto, tal afirmação está longe de obter consenso.

“O tema pendente mais importante é explicar o motivo de um ritmo de adoção tão acelerado (de sementes transgênicas nos Estados Unidos) enquanto os impactos econômicos parecem ser variáveis ou, inclusive, negativos”, diz o relatório Adoção de Cultivos Biotecnológicos, de maio de 2002, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

A organização não-governamental Food First, dos Estados Unidos, afirma, por sua vez, que a fome no mundo tem relação com a má distribuição dos alimentos e não com a ausência ou presença de transgênicos. Bastaria uma distribuição adequada dos alimentos disponíveis hoje em dia para que cada habitante recebesse uma dieta de 2,5 mil calorias por dia, afirma esta organização.

Nos debates participam organizações camponesas e ambientalistas da América Latina que questionam a dependência que os cultivos transgênicos geram nos países em desenvolvendo e seu suposto impacto na biodiversidade e saúde humana. Estes grupos ameaçam realizar mobilizações e empreender ações legais. Na outra ponta estão as companhias multinacionais, que em 2002 gastaram mais de US$ 50 milhões em campanhas para promover seus produtos e que levam adiante, somente nos Estados Unidos e no Canadá, mais de dois mil processos contra agricultores aos quais acusam de usar suas sementes sem autorização.

A Monsanto é dona de todas as sementes de soja transgênica cultivada no mundo e recebe por isso regalias de milhares de agricultores. Estes se vêem impedidos por contrato de reutilizar parte da semente que obtêm da colheita de soja, o que obriga a romper a tradicional seleção de sementes de milhares de pequenos camponeses do mundo.

No final de setembro, o governo brasileiro autorizou temporariamente, através de uma Medida Provisória (MP), a plantação de soja transgênica, que vinha sendo cultivada em 4,5 milhões de hectares, apesar das proibições em vigor. A MP despertou grande controvérsia, pois não concordaram com esta decisão desde o Ministério do Meio Ambiente até a Conferência Episcopal da Igreja Católica.

No Brasil “deve-se avaliar objetivamente se há capacidade para controlar, acompanhar, os problemas de saúde e ambientais relacionados aos OGM”, e, se não houver, os transgênicos não podem ser liberados, “porque há insegurança”, disse ao Terramérica Volnei Garrafa, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética. O cientista recomenda a criação de comissões especiais que analisem a questão dos pontos de vista moral, filosófico, científico e cultural, da biodiversidade e dos aspectos que afetam a qualidade de vida.

O mexicano Herrera pensa de modo semelhante. Entretanto, adverte, até o momento não há nenhuma evidência que indique que os OGM possam ter um impacto negativo na saúde e no meio ambiente.

Pela via dos fatos ou por decisões governamentais, nos últimos anos entrou milho transgênico da Monsanto no México e em Honduras, zona de origem desse alimento, desenvolvido e cultivado ancestralmente pelos agricultores nativos. No México há evidência de que espécies nativas foram mescladas com uma variedade transgênica e os cientistas discutem até que ponto será alterado o rico banco genético dessa espécie.

Em outros países, como Colômbia e Uruguai, acontece o mesmo com o milho, em meio a protestos de diversos setores. “Do ponto de vista científico há quase unanimidade em que os efeitos (dos transgênicos) são benéficos e os riscos mínimos porque foram tomadas todas as precauções devidas”, afirmou o pesquisador Alejandro Montaberry, do Instituto de Engenharia Genética do Conselho Nacional de Pesquisa em Ciência e Técnica da Argentina. A polêmica tem a ver com interesses políticos, econômicos e comerciais, afirma Montaberry.

A Monsanto sustenta que espera ampliar suas vendas de sementes transgênicas para o bem da América Latina, mas muitos agricultores resistem em abandonar antigos direitos e tradições para depender de uma única empresa, cuja oferta de rendimento foi colocada em dúvida pelo próprio Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

* O autor é correspondente da IPS. Com as colaborações de Marcela Valente (Argentina) e Mário Osava (Brasil).


Copyright © 2007 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados
 

Milho mexicano. Crédito: Cláudio Contreras.
 
Milho mexicano. Crédito: Cláudio Contreras.

Enlaces Externos

Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas - República Argentina

Action Group on Erosion, Technology and Concentration

Food First

Monsanto

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos