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O transporte verde

O maior evento ambiental automobilístico do mundo, o Challenge Bibendum, trouxe à luz os últimos avanços tecnológicos no campo dos chamados “carros verdes”, que buscam conciliar mobilidade e harmonia com o meio ambiente.

Convocou-se nesta quinta edição diversos fabricantes de automóveis, caminhões e ônibus que trabalham com energias alternativas à gasolina e contam com baixos níveis de emissões. Neste evento, organizado pelo Grupo Michelin, fabricante de pneus, os participantes competem por prêmios nas categorias de nível de emissões, ruído, desempenho, segurança e projeto, sendo submetidos a uma série de provas por uma equipe técnica.

De acordo com um estudo do Conselho Mundial Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), o crescimento da população (que passará de 8,11 bilhões de pessoas até 2030) e a crescente urbanização das cidades são dois dos fatores que aumentarão dramaticamente a pressão sobre o ecossistema mundial por causa das esperadas demandas no setor de transporte.

A alta dependência de derivados de petróleo, fonte não renovável de energia, a contaminação do ar e seus efeitos na saúde, e as emissões de gases causadores do efeito estufa constituem outros elementos de preocupação.

Nos Estados Unidos, o número de veículos que utilizam alternativas à gasolina aumentou de aproximadamente 455 mil em 2000 para mais de 518 mil em 2002. A Administração de Proteção Ambiental (EPA) deste país conta com um guia que lista os veículos menos poluentes e de maior rendimento no uso de combustível.

Veículos com células de combustível, híbridos (gasolina/elétrico) e a diesel são algumas das iniciativas de diferentes setores da indústria que buscam delinear o futuro do transporte no mundo.

Algumas qualidades que definem os veículos do futuro são o isolamento térmico no teto e piso que permita diminuir o uso do ar condicionado, rodas ultraleves que conservem energia, e sistemas de duas camadas de circulação de ar que melhoram a eficiência. Este é o caso do híbrido (gasolina/elétrico) Toyota Prius 2004, ganhador do Challenge Bibendum.

História do Challenge Bibendum (Inglês)
Participantes do Challenge Bibendum (Inglês)
Resultados das disputas do Challenge Bibendum (Inglês)
Provas do Challenge Bibendum (Inglês)
Gupo Michelin (Inglês)
Gupo Michelin (Português)
Gases de Efeito Estufa (Inglês)
Automóveis com células de combustível (Espanhol)
Automóveis com hidrogênio (Inglês)
Automóveis elétricos (Inglês)
Motores a diesel (Inglês)
Guia de veículos menos poluentes e de maior rendimento EPA (Inglês)
A poluição do ar: como proteger-se (Espanhol)
Número estimado de veículos que utilizam energias alternativas à gasolina nos Estados Unidos 2000-2002 (Inglês)
Fontes de Informação - Eventos (Inglês)
Mobility 2001- Relatório da Situação do Transporte no Mundo (Espanhol)
Conversão de Veículos - Departamento de Energia dos Estados Unidos (Inglês)
Veículos Híbridos - Perguntas e Respostas (Inglês)
Energias Alternativas - Conceito (Inglês)
Toyota Prius 2004 - Uso Eficiente da Energia (Inglês)

Temporada de caça

Trinta e seis baleias mortas é o saldo da temporada de caça da Islândia, encerrada na primeira semana de outubro, segundo o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW). Ao reiniciar as capturas depois de uma moratória de 14 anos, este país europeu desferiu um golpe baixo nos esforços conservacionistas de cetáceos e possivelmente em sua própria economia. Apesar de sua recente re-adesão, em 2002, à Comissão Baleeira Internacional (IWC), criada em 1946 para regular o desenvolvimento da indústria baleeira, a Islândia decidiu retomar a caça de baleias Rorcual Aliblanco, em agosto de 2003.

Assim, o país fez uso de uma exceção da Comissão que permite a caça de certas espécies de cetáceos com fins científicos, método criticado por ambientalistas. O reinício da caça pode ser contraproducente para a Islândia, onde está no auge a observação de baleias. Segundo o IFAW, 40% dos que visitam esse país participam de observações de baleias, setor turístico de maior crescimento, estimando-se que gere em torno de US$ 8 milhões ao ano.

Foi no século XI, com os bascos, que teve início a caça comercial de baleias. Durante o século XX foram incorporados métodos mais técnicos de caça que começaram a dizimar as populações de cetáceos.

O IFAW estima que a Noruega e o Japão caçam mais de 1,3 mil baleias por ano. Atualmente, conta-se com cotas de caça por espécie de baleias e por hábitat, estabelecendo-se os chamados santuários, áreas de refúgio onde comumente as baleias alimentam-se ou se reproduzem. Além da caça comercial existe a caça por parte de comunidades aborígines. Se reconhece o papel do uso de subprodutos de baleias, como carne e óleo, em tradições e laços comunitários. Entretanto, estas cotas são concedidas desde que os povos consumam localmente os produtos e demonstrem que dependem deles para sua subsistência.

Embora a caça comercial tenha se convertido em um perigo para a sobrevivência de cetáceos, não é o único. A alteração climática, a redução da camada de ozônio, a contaminação tóxica e acústica, bem como colisões com embarcações representam outras ameaças para esses colossos do mar. Em busca de soluções, em junho deste ano os membros do IWC aprovaram a chamada Iniciativa Berlim, que busca a criação de um comitê de conservação que organize os esforços de proteção de todas as espécies de baleias e golfinhos, grandes e pequenos.

Eventualmente, uma mescla de proteção e alternativas econômicas mais vantajosas do que a caça comercial possam ser a fórmula para não se perder os cantos de amor marinho destes inteligentes e majestosos seres.

The International Whaling Commission IWC (Inglês)
Sociedade Espanhola de Cetáceos (Espanhol)
Rorcual Aliblanco - Características (Espanhol)
Centre for Marine Mammals Research Leviathan Chile (Espanhol)
Antecedentes Históricos da Caça da Baleia (Espanhol)
Alternativas à caça de baleias (Espanhol)
Santuários de Baleias IWC (Inglês)
Ameaças para os Cetáceos (Espanhol)
Iniciativa Berlin (Espanhol)
Canto de Baleias (Inglês)
Informação Baleias (Espanhol)
Institute for Cetacean Resarch Japón (Inglês)
Convenção sobre el Comercio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres CITES (Espanhol)

Protocolo de Kyoto

O Protocolo de Kyoto sofreu um revés que pode lhe custar a vida: o presidente russo, Vladimir Putin, expressou, no dia 29 de setembro, a indecisão de seu país sobre a ratificação deste acordo internacional, que tenta controlar as emissões de gases causadores do efeito estufa. A adesão da Rússia sozinha, que foi sede da mais recente Conferência sobre Mudança Climática das Nações Unidas, é suficiente para que o Protocolo entre em vigor.
Estabelecido em 1997, o Protocolo de Kyoto é um tratado internacional cujo objetivo principal é conseguir que, entre 2008 e 2012, os países desenvolvidos reduzam em 5% suas emissões de gases causadores do efeito estufa em relação ao nível de emissões de 1990. Se um país falhar no cumprimento do Protocolo, poderia ser forçado a reduzir sua produção industrial. Embora em seu início o Protocolo não fosse específico, a partir das reuniões negociadoras do Marrocos, no final de 2001, foram definidos cinco pontos principais: compromissos legalmente vinculados para países desenvolvidos, métodos de implementação do Protocolo diferentes da redução de emissões (implementação conjunta), minimização de impactos em países em desenvolvimento (incluindo assistência para diversificar suas economias), relatórios e revisões por uma equipe de especialistas, e cumprimento avaliado por um comitê.
Como complemento da Convenção Marco das Nações Unidas, primeira reunião para tratar da mudança do clima, em 1992, o Protocolo busca responder às preocupações crescentes de que gases emitidos por atividades humanas, particularmente dióxido de carbono, podem aumentar o efeito estufa e contribuir para variações climáticas, que ocasionariam o aquecimento da temperatura mundial. Prevê-se ondas de calor, inundações e secas, caso haja aumento entre 1 e 3,5 graus centígrados da temperatura global média da superfície terrestre até 2100, com assinala o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), criado em 1988 e encarregado de alimentar o Protocolo com informação científica.
O Protocolo de Kyoto entraria em vigor depois de ratificado por 55 países, incluindo aqueles responsáveis por 55% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa. Embora até 29 de setembro de 2003 84 países tenham firmado e 119 ratificado o Protocolo, a negativa dos Estados Unidos, responsáveis por 25% das emissões desses gases, fez com que o poder de ratificação recaísse sobre a Rússia. Os custos que implicariam conseguir uma redução do nível de emissões e a incerteza sobre a precisão dos argumentos científicos que as vinculam ao aquecimento global são os pilares da negativa de Washington para ratificar o protocolo.
Estudos científicos questionam os resultados apresentados pelo IPCC ao afirmar que o aquecimento global pode ser resultado de uma evolução natural do meio ambiente e reduzem a importância da emissão de gases, como o CO2. A meta do governo de Putin, de duplicar a produção bruta do país no prazo de dez anos, provocaria tal aumento de emissões de gases que seria necessário um custoso investimento nas indústrias para cumprir as metas do Protocolo. Sem a Rússia, o futuro do Protocolo está em xeque.

Texto do Protocolo de Kyoto (Espanhol)
Resumo Executivo IPCC (Inglês)
Para compreender a Mudança Climática: Guia elementar da Convenção Marco das Nações Unidas e o Protocolo de Kyoto (Espanhol)
Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) (Inglês)
Organização Meteorológica Mundial - WMO (Inglês)
Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (Inglês)
XI Congresso Florestal Mundial (Inglês e Francês)
Ministério da Ciência e Tecnologia - Protocolo de Quioto (Português, Inglês, Espanhol, Francês)
Fórum Brasileiro sobre Mudanças Climáticas - Protocolo de Kyioto (Português)


Clonagem humana

O Painel Interacadêmico, que reúne 60 organizações científicas internacionais, pediu a todos os países do mundo que proíbam as experiências sobre clonagem humana. O pedido expressa a visão de um amplo setor da comunidade científica que considera que o processo de clonagem, até agora realizado em animais, deteriora mecanismos genéticos e impede um adequado desenvolvimento. Muitos dos exemplares de mamíferos clonados poderiam morrer antes de chegar a uma idade adulta, seja por “erros genéticos” ou deficiências em seu desenvolvimento embrionário.

Esta circunstância torna inviáveis as técnicas que buscam copiar seres humanos por meio da clonagem, afirma o Painel. A ovelha Dolly, primeiro animal clonado no mundo, converteu-se, em abril deste ano, em uma peça do Museu Real da Escócia, em Edimburgo, dois meses depois de ter sido sacrificada porque sofria de uma doença pulmonar progressiva. Várias nações foram capazes de clonar mamíferos. Em 2001, o Brasil converteu-se no primeiro país em desenvolvimento a conseguir a clonagem de um animal vivo, após o nascimento da bezerra Vitória, em uma experiência feita pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, que acaba de clonar outra bezerra a partir de células de uma vaca adulta já morta: no dia 4 de setembro veio à luz “Lenda”.

Entretanto, o Painel Interacadêmico não se opõe ao uso de técnicas de clonagem para fins de pesquisa ou científicos. Sem consenso global na matéria, o exemplo de células embrionárias, ou células-mãe, com fins terapêuticos foi impondo-se em diversos países. Estas células têm a capacidade de criar qualquer tipo de tecido do corpo. Pesquisadores do Instituto Roslin, perto de Edimburgo, na Escócia, planejam fazer experiências com células-mãe especiais, extraídas de embriões desprezados pelos casais que fazem tratamentos de inseminação artificial.

Carlos Alberto Redi, da Universidade de Pavía, que participou da clonagem do primeiro rato, também defende o uso de células-mãe, bem como a clonagem de roedores. Os ratos são os mamíferos mais estudados nos laboratórios de todo o mundo, sabe-se mais sobre eles do que sobre as ovelhas ou vacas, argumenta. O Comitê Internacional de Bioética da Unesco deixa a cada país a decisão de autorizar ou proibir os estudos em células embrionárias.

As conclusões do Painel Interacadêmico foram precedidas por um recente estudo científico publicado na revista Science, segundo o qual talvez nunca venha a ser possível copiar seres humanos por meio da clonagem. Um grande alvoroço foi provocado em dezembro de 2002 pela Clonaid, empresa ligada à seita religiosa dos raelianos, que anunciou o nascimento do primeiro bebê clonado, e garantiu que este ano virão ao mundo pelo menos outros quatro clones humanos. A informação não foi confirmada.

Painel Interacadêmico (inglês)
Universidade de Pavia (italiano)
Comitê Internacional de Bioética da Unesco
Clonaid (inglês, francês, espanhol, português, italiano, alemão)
Embrapa (português)
Museu Real da Escócia (inglês)
Instituto Roslin (inglês)
Instituto de Pesquisas Jurídicas da Unam (espanhol)
La Facu.com (espanhol)

Protocolo de Cartagena

Em 11 de setembro entrou em vigor o Protocolo de Cartagena, o primeiro acordo internacional que rege a transferência, manejo e uso de organismos vivos modificados por meio da biotecnologia moderna. Espera-se que o tratado fomente o uso seguro de transgênicos, tema que causa uma acesa polêmica global, liderada pelos Estados Unidos e pela Europa. Adotado em 2000 pelos membros da Convenção sobre Diversidade Biológica, o tratado busca um comércio internacional de transgênicos mais transparente, através de medidas de segurança de acordo com as necessidades de consumidores, indústrias e, em particular, do meio ambiente.

O objetivo é descartar potenciais conflitos entre as leis de comércio e o regime de biossegurança global, segundo explica um guia sobre o protocolo oferecido pela União Mundial para a Natureza (UICN). O processo de conciliar interesses legítimos do comércio, a biossegurança e outros não tem sido fácil. Existe uma árdua disputa entre os que vêem na biotecnologia o caminho para a segurança alimentar e os que alegam razões éticas, ambientais, sociais e de saúde para tentar pôr um limite à biotecnologia moderna.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou, em março de 2000, a Declaração sobre Biotecnologia, onde afirma que esta ciência oferece instrumentos poderosos para o desenvolvimento sustentável da agricultura, pesca, atividade florestal, bem como das indústrias alimentícias. A Rede de Cooperação Técnica em Biotecnologia Vegetal (REDBIO), da FAO, composta por 570 laboratórios em 32 países, defende a manutenção e reforço da pesquisa em biotecnologia, incluindo os cultivos transgênicos, em lugar de fixar normas de biossegurança necessárias para evitar danos à saúde e ao meio ambiente.

Entretanto, grupos ambientalistas, como o Greenpeace consideram que a riqueza biológica dos cultivos tradicionais é uma herança mundial ameaçada pela contaminação genética. E responsabilizam multinacionais da biotecnologia como a Monsanto - o maior produtor de sementes do mundo - de pressionarem governos de muitos países para que descartem mecanismos de controle sobre os transgênicos. Os Estados Unidos e a União Européia (UE) protagonizaram a polêmica.

Em julho passado, o Parlamento Europeu adotou uma lei que obriga os produtores de alimentos geneticamente modificados a colocarem rótulo em seus produtos para conhecimento do consumidor. A medida deverá ser ratificada por cada um dos Estados-membros da União Européia, mas foi vista como o primeiro sinal de um possível levantamento da proibição da comercialização de transgênicos no bloco comunitário. Os Estados Unidos e outros produtores de OGM, incluídos latino-americanos como a Argentina, solicitaram junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) a suspensão da proibição da venda desses alimentos no território da UE, imposta em 1999.

Em junho de 2003, a República de Palau, ilhas situadas no noroeste da Oceania, se converteu no 50º Estado a ratificar o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, o que permitiu sua entrada em vigor. A primeira reunião da Conferência das Partes que ratificaram o Protocolo acontecerá em Kuala Lumpur, na Malásia, em fevereiro do próximo ano.

Protocolo de Cartagena (espanhol)
Convenção sobre Diversidade Biológica (espanhol)
UICN (inglês)
FAO (inglês)
REDBIO (inglês)
Monsanto (inglês)
OMC (espanhol)
Greenpeace México (espanhol)
Greenpeace Brasil (português)

Dia Mundial do Ozônio

A comunidade científica calcula que a camada de ozônio, que filtra os raios ultravioletas do Sol, se recuperará na primeira metade do século XXI. As pesquisas mais recentes indicam uma melhora, embora apenas na estratosfera superior. Os esforços para limitar os gases que reduzem esse escudo protetor devem continuar, e é nesse sentido que aponta o Dia Internacional da Preservação da Camada de Ozônio, celebrado no dia 16 de setembro.

Um relatório da União Geofísica Norte-Americana (AGU, sigla em inglês) diz que o esgotamento na estratosfera superior - a camada de ozônio, entre 35 e 45 quilômetros acima da terra - mantém um ritmo retardado desde 1997. Os autores do estudo recomendaram, entretanto, situar o fenômeno em sua justa perspectiva, pois na estratosfera superior fica uma porcentagem baixa de ozônio. O ozônio é um agente contaminador prejudicial na atmosfera mais baixa perto da Terra, mas na estratosfera protege o planeta da radiação solar. O processo de restauração desse escudo protetor acontece em função do desaparecimento progressivo na estratosfera dos clorofluorcarbonos (CFCs) e outros gases.

O Protocolo de Montreal, assinado em 16 de setembro de 1987, limita o uso das substâncias que esgotam a camada de ozônio. Em 1985, foi estabelecida a Convenção de Viena para a proteção da camada de ozônio. Desde que o mexicano Mario Molina e o norte-americano F. Rowland alertaram sobre o papel dos CFCs na redução do ozônio estratosférico, a preocupação pelos efeitos prejudiciais das radiações ultravioletas na saúde humana impulsionou a realização da campanhas ecológicas em todo o mundo. Por suas pesquisas no assunto, ambos receberam o Prêmio Nobel de Química em 1995.

A revista Diálogo Ibero-Americano, editada por diversas universidades, assinala que os CFCs foram inventados em 1930, “quando se buscavam substâncias não tóxicas para servirem como refrigeradores em aplicações industriais”. Décadas depois foram usados na fabricação de plásticos e para limpar componentes eletrônicos. Outras Substâncias Esgotadoras do Ozônio (SAO), além dos CFCs, são brometo de metilo, halon e tetracloreto de carbono.

No site da Ação pelo Ozônio, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) afirma que a luta internacional para recuperar a camada de ozônio é um exemplo positivo entre todas as campanhas em favor do meio ambiente. Desde 1985, algumas pesquisas revelaram a existência de um buraco na camada de ozônio sobre a Antártida.

Recentemente, cientistas da Divisão Antártida Australiana alertaram sobre o aumento do buraco da camada de ozônio na Antártida a uma velocidade que sugere que pode alcançar tamanho recorde este ano. Em 2000, a Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica dos Estados Unidos (Nasa) informou que o buraco aumentou até um tamanho recorde de 28,3 milhões de quilômetros quadrados, três vezes mais do que o território da Austrália ou dos Estados Unidos, incluindo o Alasca. Em 2002, condições anormalmente quentes produziram o buraco de menor tamanho desde 1988.

As perguntas mais freqüentes sobre a camada de ozônio e as conseqüências de sua redução são respondidas em alguns sites da Internet. O Escritório de Meteorologia da Commonwealth mostra de maneira interativa o grau de consciência na sociedade, o site da Comissão do Ozônio da Costa Rica mostra uma coleção de cartazes alusivos ao tema.

Secretaria do Ozônio, Unep (espanhol-inglês)
Convenção de Viena (espanhol-inglês)
Protocolo de Montreal (francês-espanhol-inglês)
IICA (espanhol)
Revista Diálogo Ibero-Americano (espanhol)
Comissão do Ozônio de Costa Rica (espanhol)
Perguntas freqüentes sobre el ozônio (francês-espanhol-inglês)
Programa de Ação do Ozônio (inglês)
Nasa (inglês)
Laboratório de Ozônio (português)
Projeto de Tecnologia e Controle Ambiental (português)

Parques Naturais

Existem no mundo cerca de 44 mil áreas protegidas, que cobrem um território maior do que China e Índia juntas. Porém, muito poucas beneficiam as comunidades onde se localizam. Cerca de 1500 delegados discutirão, até o dia 17 de setembro, sobre esses temas, durante o V Congresso Mundial de Parques, em Durban, na África do Sul. Organizado pela União Mundial para a Natureza, UICN, trata-se do maior fórum para a elaboração da agenda global sobre áreas protegidas, cuja meta principal é impulsionar políticas nacionais de preservação da biodiversidade. “Benefícios mais além das Fronteiras”, diz o lema da quinta edição do Congresso.

Com uma trajetória de 25 anos, a UICN reúne 72 Estados, 107 agências governamentais, mais de 750 organizações independentes e cerca de dez mil especialistas de 181 países. Ecossistemas marinhos e terrestres de grande importância biológica pela presença de biodiversidade de espécies e hábitat são incluídos na categoria de parques nacionais, paisagens, reservas ou monumentos naturais, e consagrados particularmente à proteção do patrimônio biológico. O conceito mais atual de “área protegida” considera estes territórios como reservas de uso sustentável e áreas naturais silvestres, segundo a definição da Comissão Mundial de Áreas Protegidas, formada por uma rede de especialistas.

Nos últimos 40 anos, o número de sítios protegidos no mundo se multiplicou por dez e a extensão de território aumentou sete vezes. O V Congresso, realizado pela primeira vez em um país da África, teve o apoio do ex-presidente da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz, Nelson Mandela, e da rainha Noor, da Jordânia. A África possui quase a terça parte da diversidade biológica do mundo e nesse continente foram declarados mais de 1200 parques nacionais, reservas de fauna silvestre e outras zonas protegidas, em uma área superior a dois milhões de quilômetros quadrados, quase 10% da superfície do continente.

Um dilema dos países africanos é conciliar as necessidades de desenvolvimento com uma gestão sustentável dos recursos naturais. Um diagnóstico elaborado há alguns anos pelo Banco Mundial (Bird) revelava que apenas 1% das florestas legalmente protegidas em uma dezena de países de grande riqueza florestal podiam ser consideradas seguras. Apenas 25% das áreas protegidas dos parques nacionais do mundo estavam submetidas a um manejo adequado, segundo o Bird.

Em maio de 1997 foi realizado o Primeiro Congresso Latino-Americano de Parques Nacionais e Outras Áreas Protegidas, na Colômbia. Foi o primeiro encontro regional prévio ao V Congresso Mundial de Parques Nacionais. Os participantes avaliaram avanços e limitações na aplicação do conceito de Reserva da Biosfera na América Latina e propuseram uma avaliação da situação atual em parques nacionais e outras áreas protegidas, bem como a definição de prioridades e estratégias de conservação para o século XXI.

Em Manágua, na Nicarágua, em março deste ano foi realizado o Primeiro Congresso Mesoamericano de Áreas Protegidas, sob o lema “Promovendo a Conservação para o Desenvolvimento e a Integração”. O Corredor Biológico Mesoamericano é um projeto feito para preservar uma área que começa no Darién, no Panamá, e se prolonga por solo de oito países até a selva maia do sudeste do México. Nessa faixa habitam 40 milhões de pessoas e existem 10% da biodiversidade mundial conhecida.

O programa do V Congresso Mundial de Parques pode ser consultado através do site.

UICN (espanhol-inglês)
Comissão Mundial de Áreas Protegidas (inglês)
Parques Nacionais da África do Sul (inglês)
Unesco (espanhol-inglês)
Corredor Biológico Mesoamericano
Banco Mundial (espanhol-inglês)
Sampa (Inglês)
Diretório do Yahoo de Parques Naturais Brasileiros (português)
Os problemas dos Parques Nacionais do Brasil (português)
Parques do Brasil - Áreas Naturais Protegidas (português)

Rumo a Cancún

O princípio de acordo, no final de agosto, sobre o acesso a medicamentos de baixo custo para os países pobres foi uma das poucas boas notícias na acidentada rota para a Quinta Conferência Ministerial da OMC, que começa em 10 de setembro, em Cancun. Entretanto, as discrepâncias persistem sobre quase todo o restante da ambiciosa agenda, que inclui agricultura, serviços e investimentos. O meio ambiente, no entanto, segue tendo uma presença marginal.

A Organização Mundial do Comércio, criada em janeiro de 1995 como resultado dos acordos da rodada de negociações do Uruguai (1986-1994), se reunirá no balneário do Caribe mexicano por quatro dias para tentar derrubar os obstáculos que impedem o cumprimento das metas estabelecidas no Programa de Doha para o Desenvolvimento.

Rodadas ministeriais anteriores aconteceram em Cingapura, Genebra e Seattle. As discussões de Cancún acontecerão no comitê de negociações comerciais e órgãos subsidiários.

Não existe um acordo ambiental específico na OMC. Entretanto, o Comitê sobre Comércio e Meio Ambiente discute temas como as provisões de comércio em acordos ambientais multilaterais, a ecorotulagem e a representação de organismos ambientais nas negociações. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e representantes de alguns acordos ambientais terão presença ad hoc nas negociações de Cancún.

Em um documento denominado Comércio e Meio Ambiente, o diretor do Pnuma, Klaus Toepfer, defendeu uma participação mais ativa desse organismo nas negociações comerciais, e pediu maior ênfase em temas como o comércio de bens e serviços ambientais, bem como o impacto ambiental negativo dos subsídios. A compatibilidade das regras da OMC com aquelas incluídas em tratados ambientais é um tema crucial.
Existem cerca de 20 tratados, entre os quais se destaca, por sua efetividade, o Protocolo de Montreal para a proteção da camada de ozônio, com restrições à produção, consumo e exportação de aerossóis que contenham clorofluorocarbonos, CFCs. A Convenção da Basiléia controla o comércio e transporte de resíduos tóxicos e a Convenção sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres, Cites, regula o comércio de espécies.

Organismos multilaterais como o Banco Mundial, grupos especializados como o Centro de Comércio Internacional, o Instituto para a Agricultura e Políticas Comerciais, e diversos representantes da sociedade civil propõem análises e alternativas em torno das negociações de Cancún.
O comitê organizador mexicano oferece em seu site um guia sobre a localização do balneário de Cancún e inclui uma lista de hotéis e serviços.

OMC (espanhol-inglês)
Programa de Doha para o Desenvolvimento (espanhol-inglês)
Comitê sobre Comercio e Meio Ambiente da OMC (espanhol-inglês)
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (espanhol-inglês)
Documento sobre Comércio e Meio Ambiente, do Pnuma (inglês)
Texto atual do Protocolo de Montreal (espanhol-inglês)
Texto do Protocolo de Montreal
Secretariado da Convenção da Basiléia (inglês)
Cites (espanhol-inglês)
Comitê Organizador Mexicano (espanhol-inglês-francês)
Instituto para a Agricultura e Políticas Comerciais (inglês)
Banco Mundial (inglês)
Fórum Social Mundial (português- inglês-francês-espanhol)
Fórum, revista do Centro de Comércio Internacional (inglês-espanhol- francês)

A barata

A persistência evolutiva da barata ao longo de algumas centenas de milhões de anos, nos quais não alterou substancialmente sua aparência, enquanto o planeta era palco de severas transformações, não bastaram para que esse inseto ganhasse a boa vontade das pessoas. Por outro lado, o desprezo pelas baratas é quase universal. E para isso contribui o ato de transportar em seu corpo organismos causadores de diferentes formas de gastroenterite e em seu interior viver grande quantidade de microorganismos associados a focos de enfermidades que afetam as pessoas.

Geólogos da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, notificaram em 2001 o encontro, em uma mina desse Estado, do maior fóssil completo de uma barata que habitou a Terra há 300 milhões de anos, 55 milhões de anos antes dos primeiros dinossauros. Segundo informou o site espanhol Paleontologia Hispana, os restos de um exemplar da espécie Artopleura apustulatus se encontrava em notável bom estado. O inseto media cerca de oito centímetros de comprimento.
Desde que surgiram no planeta, as baratas não mudam de aspecto, convertendo-se em autênticos fósseis viventes. Além disso, esses insetos são mais resistentes do que a baleia ou o tubarão, afirma a página da Internet Laverdad.es, da Espanha. Segundo essa fonte, as baratas são quase inofensivas para o homem e têm destacado papel ecológico ao incorporar nutrientes no meio ambiente. Quando consomem matéria orgânica, seus dejetos servem como fonte de alimentação para organismos microscópicos que o transformam em húmus ou terra vegetal.

Outras vozes também defendem a existência das baratas. A Agência Universitária de Jornalismo Científico (AUPEC), da Colômbia, afirma que uma grande polêmica teve início há alguns anos pelo fato de o Serviço de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos pretender investir quase US$ 3 milhões para salvar a Aspiduchus cavernicola, incluída desde 1991 na lista das espécies em perigo do Serviço de Pesca e Vida Silvestre. Por outro lado, pesquisadores em vários países estudam a resistência aos inseticidas nas populações de baratas com o objetivo de encontrar o método mais eficaz de controle desses insetos.

O Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS), principal agência do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, identificou mecanismos-chave na resistência a inseticidas desenvolvida pela barata alemã, Blatella germanica, uma das espécies de barata mais comuns no mundo. A barata alemã está catalogada como a espécie mais amplamente distribuída na Terra e chega a medir entre 12 e 16 milímetros de comprimento quando adulta. Possui antenas longas e vida média de um ano.

A fêmea produz entre 18 e 48 ovos a cada 20 ou 25 dias e, como todas as espécies de baratas, pode ser portadora de enfermidades bacterianas e virais, como diarréia, lepra, colite, hepatite infecciosa, salmonela e tuberculose. Além disso, o excremento, a pele e o vômito desses insetos são responsáveis por alergias. O entomologista Steven M. Vallees, da ARS, descobriu uma substância chamada “esterarse” em várias espécies da barata que desintoxica certos inseticidas. Essa capacidade obriga a aumentar a quantidade de inseticida necessária para matar as baratas que possuem tal enzima.

Os estudos de M. Vallees revelaram que as mutações de proteínas do sistema nervoso em alguns insetos estão associadas com a capacidade de resistência a inseticidas. Este fenômeno foi comprovado em 83% das populações de barata alemã onde foram feitos testes. Entre mais de quatro mil espécies de baratas que habitam o mundo, apenas algumas vivem em residências. O site espanhol e-animales.com mostra uma ficha sobre a barata gigante de Madagáscar, ou Gromphadorrhina portentosa, que existia exclusivamente na ilha africana que lhe dá nome, a maior do Oceano Índico.

“A barata gigante de Madagáscar é uma das maiores que se conhece. Com comprimento entre oito e nove centímetros e pesando 15 gramas, tem existência discreta já que se trata de animal noturno e que foge da luz”. De corpo largo e protegido por uma corte carapaça, carece de asas e suas patas robustas estão providas de pequenas espinhas. Habita as florestas e nunca se instala em residências.

Paleontologia Hispana
laverdad.es
Agência Universitária de Jornalismo Científico
Serviço de Pesquisa Agrícola
e-animales.com
Baratas: Biologia e Comportamento

Os vícios: o tabaco

O saldo de pessoas mortas pelo tabaco no presente século poderia rondar os bilhões, segundo estimativas da Aliança contra o Câncer (UICC, sigla em inglês), que reúne mais de 30 organizações em todo o mundo. Se persistirem os atuais níveis de consumo, o número de vítimas fatais em razão do tabaco - cem milhões nos últimos cem anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) - vai disparar.

O alarme foi dado durante a Conferência Mundial sobre o Tabaco realizada em Helsinki, Finlândia, entre os dias 3 e 8 de agosto. Cerca de dois mil especialistas de mais de cem países analisaram as políticas internacionais e as propostas de organizações para combate ao tabagismo. Também revisaram a situação em torno do êxito das metas traçadas pela Convenção Internacional contra o Tabaco. A convenção, firmada em maio deste ano, por 192 países, tem entre seus objetivos a proibição total da publicidade de cigarros e outros produtos.

Um estudo da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS) explica que o consumo de tabaco é habitual nas pessoas há centenas de anos, mas foi no século passado que os cigarros começaram a ser fabricados em grandes quantidades. A produção maciça de cigarros elevou o hábito de fumar, que atualmente domina um em cada três adultos no mundo. Até 2025, a quantidade de fumantes pode chegar a 1,6 bilhão.

“No passado o tabaco era mascado ou fumado em diferentes tipos de cachimbo. Atualmene, embora estas práticas sobrevivam, estão em franco declínio. Os cigarros manufaturados e os diferentes tipos feito à mão, como os bidis (comuns no Sudeste Asiático e na Índia), constituem hoje até 85% de todo o tabaco consumido no mundo. Fumar cigarros parece supor um perigo para a saúde muito superior ao das formas mais antigas de consumo” do tabaco, diz o estudo.

O centro norte-americano Ciência, Tabaco e Você explica que a nicotina é a causa do vício de fumar. A nicotina é um componente ativo do fumo do cigarro; é um alcalóide que produz sensações agradáveis e também afeta a química do cérebro, garante a mesma fonte. Sobre o controle dos vícios, o site Centro de Psicologia e Terapia Virtual (CEPVI, Espanha), afirma que as pessoas com dificuldades para controlar seus impulsos se sentem incapazes de deixar de fazer algo, mesmo quando o desejam.

No caso do vício do álcool, das drogas, do jogo ou do tabaco, a pessoa não encontra maneira de deixar de beber, fumar ou jogar. A Rede Interamericana para a Prevenção das Drogas (Ripred) difunde um estudo realizado nos Estados Unidos segundo o qual se um dos pais deixa de fumar antes que seu filho complete dez anos, se reduz em 25% o risco de a criança ser um fumante aos 18 anos. “A janela da vulnerabilidade ao tabaco se abre por volta dos oito anos e se fecha em torno dos 20”, diz a Ripred.

Segundo dados históricos divulgados pelo site espanhol Nicotinaweb.info, o tabaco chegou à América quando Cristóvão Colombo realizou a primeira de suas quatro viagens ao continente. Em 1600, o filósofo chinês Fang afirmava que fumar tabaco queimava os pulmões e em 1612 a planta começava a ser cultivada no Estado norte-americano de Virginia. Alguns anos depois, o consumo de tabaco foi proibido no Japão, e na China seu uso e distribuição era castigado com a decapitação.

No século passado surgiram os primeiros estudos associando o câncer de pulmão com o tabaco, segundo o Nicotinaweb. Entretanto, o site da multinacional farmacêutica Bayer conta que o tabaco é uma planta nativa do continente americano e que sua origem teria sido a Península de Yucatán, no sudeste do México. “Em 1492, ao descobrir o Novo Mundo, Colombo não deu muita importância ao tabaco, já que suas prioridades se concentravam no ouro. Alguns de seus acompanhantes caíram rapidamente no hábito de fumar", diz este site.

Organização Mundial da Saúde
Aliança contra o Câncer
Convenção Internacional contra o Tabaco
Organização Pan-Americana de Saúde
Ciência, Tabaco e Você
CEPVI
Rede Interamericana para a Prevenção das Drogas (Ripred)
Nicotinaweb.info
Ação Sobre Fumar e Saúde (inglês)
Informe da UICC


A poliomielite

Aproximadamente 175 milhões de crianças serão vacinadas, entre agosto e dezembro deste ano, em sete países onde ainda se encontra ativo o vírus da poliomielite, uma enfermidade conhecida há cerca de três mil anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizará uma campanha maciça na Índia, Paquistão, Afeganistão, Nigéria, Egito, Níger e Somália, para atingir a meta de forjar um mundo sem pólio. Trata-se do menor número de países com poliomielite endêmica jamais registrado. Há 25 anos, a doença atingia as populações de 25 países.

A iniciativa de erradicação mundial da poliomielite considera outros seis países em alto risco de reinfecção: Angola, Bangladesh, Etiópia, Nepal, República Democrática do Congo e Sudão. Em 2002, foram realizadas 266 campanhas em mais de 90 países, mas uma mudança de tática visa a acelerar a erradicação mundial centrando os esforços nas áreas endêmicas. Desde 1988 conseguiu-se reduzir o número de casos de 350 mil por ano para menos de dois mil, registrados no ano passado nos sete países onde acontecerá a campanha, segundo relatórios da OMS.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que participa junto com a OMS da tarefa de libertar o mundo da poliomielite, afirma que o sucesso da missão converteria a pólio na primeira doença a ser erradicada da face da terra no século XXI. Em todo o mundo, anualmente são imunizadas mais de cem milhões de crianças contra pólio, difteria, tétano, tosse comprida, sarampo e tuberculose, com saldo de milhões de seres humanos resgatados da morte e muitos outros milhões arrancados do inferno da paralisia, da cegueira e da deterioração cerebral.

Desde o desaparecimento da varíola, há mais de 20 anos, os especialistas consideram a campanha para acabar com o vírus da poliomielite como a maior demonstração do poder da imunização. Em 1994, o continente americano converteu-se na primeira região de onde o vírus da pólio foi eliminado. No ano seguinte a China, o país mais povoado do mundo, deixou de registrar casos de pólio. Um relatório sobre a situação na América Central, Estado Nação, patrocinado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), assinala que, em 1995, a poliomielite foi erradicada do istmo, onde também foi eliminada a difteria e se busca acabar com o sarampo, a tosse comprida e o tétano.

O site Portal da História, da Associação para a Difusão da História na Internet, conta que um monolito egípcio, que data do período compreendido entre 1580 e 1350 a.C., mostra um sacerdote com uma perna atrofiada aparentemente pela pólio. E esse objeto seria o antecedente mais antigo da enfermidade. “Em 1887, uma epidemia da poliomielite sacudiu Estocolmo, na Suécia, e outras epidemias surgiram posteriormente na Europa e América do Norte: são o resultado paradoxal de melhores condições higiênicas”, diz a mesma fonte. Também a cidade de Nova York sofreu, em 1915, uma das piores epidemias de pólio. Em 1921, o futuro presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt contraiu a doença aos 39 anos.

A pólio é uma enfermidade viral que pode afetar o sistema nervoso central e ataca principalmente bebês e crianças que vivem em condições precárias de higiene, explica o site do Estado norte-americano de Nova York. Porém, a paralisia causada pela doença - na maioria das vezes transmitida pelas fezes - costuma ser mais severa em adultos. Os sintomas da pólio são febre, mal-estar geral, dores de cabeça e musculares, náuseas e vômitos, e rigidez no pescoço e nas costas.

A empresa farmacêutica Aventis Pasteur, com sede em Lyon, na França, explica que as crianças que receberam a vacina oral contra a pólio excretam o vírus vivo pela boca, garganta e intestinos ao longo de várias semanas depois de terem sido imunizadas.

O site chileno sobre Ortopedia e Traumatologia define esta especialidade como a parte da medicina que estuda as lesões do aparelho locomotor. Uma árvore torcida presa fortemente a uma estaca para corrigir seu crescimento tem sido considerado como o símbolo que representa a especialidade. Etimologicamente, a palavra ortopedia provém dos termos gregos orthos, que significa direito, e paidos, que significa crianças e está baseada nas freqüentes deformações do esqueleto nos menores de idade ocasionadas pela poliomielite, tuberculose e outras doenças.

OMS
Site Portal da História
Unicef
Site Estado-Nação
Pnud
Site do Estado de Nova York
Aventis Pasteur
Conceito de Ortopedia e Traumatología
Organização Pan-Americana de Saúde
Fundação Nacional de Saúde (Funasa) - Guia de Vigilância Epidemiológica

O telescópio

Desde que, em 1610, Galileu Galilei desenvolveu o telescópio, o aperfeiçoamento dessa ferramenta tecnológica tem sido chave para avançar no conhecimento do Sistema Solar e do cosmos. Para muitos, os prodigiosos passos dados pela ciência moderna nesse sentido criam a fantasia de que poderia ser empreendida a conquista do espaço. A Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica dos Estados Unidos (NASA) constrói atualmente o espelho de um telescópio capaz de detectar a primeira luz do universo, surgida repentinamente há cerca de 11 milhões de anos e que é invisível ao olho humano.

O telescópio espacial James E. Webb, batizado assim em homenagem a quem dirigiu a NASA durante as missões Apolo à Lua, está sendo construído para entrar em operação em 2010. Ao custo de US$ 824,8 milhões, o telescópio Webb tentará observar as regiões mais distantes do espaço registradas pelo Hubble: uma distância entre dez bilhões e 11 bilhões de anos-luz. Ficará localizado a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, no Ponto Lagrange 2, uma área no espaço sideral em equilíbrio entre a gravidade do planeta e o Sol.

Para muitos astrônomos o novo telescópio Webb lançará luz sobre o grande mistério de como se formaram as estrelas e as galáxias há cerca de centenas de milhões de anos depois do Big Bang, ou grande explosão, que, segundo uma teoria, teria dado origem ao universo. O Webb começou a ser construído há oito anos e substituirá o Hubble, o mais notável telescópio espacial existente até agora e que leva o nome do astrônomo norte-americano Edwin Hubble, considerado o pai da astrofísica moderna. Dados fornecidos pelo Hubble permitiram encontrar o planeta mais velho que se conhece, com uma idade estimada de 13 bilhões de anos.

No ano passado, o Hubble foi submetido a um “transplante de coração” quando dois astronautas norte-americanos a bordo da nave Colúmbia fizeram a troca de uma unidade que começou a ocasionar problemas no telescópio em 1993. Várias viagens espaciais foram realizadas então pela Colúmbia - que explodiu em pedaços em fevereiro de 2004 com seus sete tripulantes a bordo - para consertar o Hubble, prolongar sua vida útil e aumentar sua capacidade de observação. O Hubble foi colocado em órbita em 1990 para uma missão de 20 anos, que terminará em 2010.

Existem diversos projetos de telescópios espaciais no mundo. Para o próximo ano está previsto o surgimento do chamado Grande Telescópio Canárias (GTC), financiado por Espanha, México e Estados Unidos. Esse telescópio será instalado no Observatório Del Roque de los Muchachos, nas Ilhas Canárias, um local cujas condições climatológicas são catalogadas pelos especialistas como ideais para a observação astronômica.

Os informes científicos dão conta do valor dos telescópios para o conhecimento do cosmos. O Hubble, por exemplo, pôde constatar a presença de gigantescos buracos negros, foi testemunha das etapas de formação de sistemas solares e proporcionou aos cientistas os dados mais precisos até então para calcular a idade do universo.

No entanto, nem tudo o que observam os cientistas através dos telescópios são maravilhas do universo. O Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) realizou em 2001 algumas campanhas de observação do chamado lixo espacial. O site do IAC define o lixo espacial como “qualquer objeto artificial em órbita ao redor da Terra e que já não seja operacional. Está formado pelos satélites ou foguetes fora de uso, material não operacional liberado por operações espaciais e fragmentos gerados por satélites ou foguetes devido a explosões ou colisões".

Essa mesma fonte assinala que “se conhece cerca de nove mil objetos detectados com radares e telescópios óticos (apenas cerca de 700 são satélites operacionais) nas diferentes órbitas terrestres. Estes objetos, cujo tamanho supera os 40 centímetros, representam apenas um perigo moderado para as missões espaciais (satélites e humanos), mas estima-se que possam existir mais de 150 mil fragmentos com tamanhos entre um e 20 centímetros que podem produzir graves problemas em caso de colisão com alguma nave em uso por não estarem localizados’.

NASA
Telescópio Espacial James Webb
Site Astrocosmo
Telescópio espacial Hubble (inglês)
Grande Telescópio Canárias
Instituto de Astrofísica das Canárias
Ciência Digital
Telescópio Canadá-França-Havaí (inglês)
Grupo de Telescópios Isaac Newton (inglês)
Nasa em espanhol
O telescópio espacial Hubble (português)

Os morcegos

O morcego não é um roedor cego com asas, como muita gente pensa. É um mamífero da ordem Chiroptera, que cumpre funções vitais na natureza: polinizar, dispersar sementes e controlar pragas de insetos. “A infundada rejeição social em relação aos morcegos não corresponde à sua importância como controladores naturais de pragas agrícolas e florestais, nem com a riqueza e diversidade que dão à nossa fauna. A destruição de seus refúgios naturais, as alterações em seu hábitat e o uso de inseticidas agrícolas” constituem as principais ameaças para as espécies de morcegos que habitam a Espanha, diz um estudo sobre a situação desses mamíferos na Península Ibérica publicado pela revista espanhola Quercus.

Atualmente existem 1.075 espécies diferentes de morcegos no planeta, 150 a mais do que as catalogadas em 1990. As novas espécies puderam ser reconhecidas graças às modernas tecnologias de seqüência do ácido desoxirribonucléico (ADN), e a maioria foi identificada na América Latina, no sudeste da Ásia e nas ilhas do Pacífico. Os restos mais antigos de morcegos que se conhece datam de aproximadamente 50 milhões de anos, mas os que viveram nessa época distante não são muito diferentes dos que conhecemos hoje.

Esses mamíferos pertencem ao grupo dos Chiroptera, que significa mão-asa e, como os humanos, têm apenas uma cria que amamentam. Existe uma variedade imensa de tamanhos e aparências de morcegos, e algumas chegam a viver até 34 anos. O menor do mundo pesa menos do que uma moeda, outros têm pelagem longa como de angorá e sua cor varia desde o vermelho brilhante ou amarelo até o negro ou branco. Inclusive, há uma espécie que não tem pelo. Alguns cientistas afirmam que os primatas (lêmures, macacos e homens) e os morcegos compartilhariam um ancestral comum parecido com um musaranho (mamífero noturno semelhante ao rato). Nas zonas tropicais, as atividades de dispersão de sementes e polinização dos morcegos que se alimentam de frutas e néctar são vitais para a sobrevivência das florestas chuvosas, diz o site da organização não-governamental Bat Conservation International (BCI).

O morcego guanero, ou morcego mexicano de cauda livre, chega a 93 milímetros de comprimento e 15 gramas de peso. Ele se vale de suas orelhas largas e separadas para localizar suas presas. Essa espécie habita covas no sul dos Estados Unidos, bem como no México, América Central e Antilhas, e na América do Sul chega até a parte central do Chile e da Argentina. A organização conservacionista norte-americana Wildelife Trust afirma que a maior colônia de morcego mexicano que se conhece é encontrada na Cova Bracken, norte de San Antônio, no Estado norte-americano do Texas, e possui cerca de 20 milhões de indivíduos capazes de consumirem até 250 toneladas de insetos por noite.

Uma das características mais surpreendentes dessa espécie é que, quando nascem as crias, as mães saem da cova em busca de alimento e, ao retornarem, podem localizar o filhote em poucos minutos entre milhões de pequenos indivíduos. No Estado de Nuevo León, no México, fica a Cueva de La Boca. Esse local tinha a maior colônia de morcego mexicano do mundo, 95% da qual desapareceu na última década, segundo o site.

Por sua agitada vida noturna, “os morcegos terminam cada jornada literalmente de ponta-cabeça, o que lhes é adequado para descansar, pendurado-se em seu cabide com um gasto mínimo de energia. Embora a maior parte das espécies tenha patas fracas, pelo menos uma (Desmodus) é capaz não só de caminhar, com também de saltar”, explica o site da Associação Nacional de Controladores de Pragas Urbanas (ANCPU, do México).

Como os golfinhos, quase todos os morcegos se comunicam e navegam utilizando sons de alta freqüência. Para voar à noite, os morcegos possuem um programa especializado conhecido como ecolocação. Os sons emitidos pelos quirópteros ricocheteiam nos objetos e nas presas, que localizam com claridade tridimensional através dos ouvidos e, desta maneira, conseguem voar sem problemas, mesmo na noite mais escura, acrescenta a ANCPU.

Revista Quercus (espanhol)
Bat Conservation International (BCI) (inglês)
Wildlife Trust (espanhol)
Associação Nacional de