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Analisis


De praga a matéria-prima artesanal

Por Katiana Murillo *

Uma planta invasora do Parque Nacional Palo Verde, na Costa Rica, importante sítio de migração de aves da América Central, é usada por um grupo de mulheres para fazer artesanato. Desde 2002, cerca de 350 hectares do Parque foram restaurados graças ao trabalho de erradicação da taboa.

SAN JOSÉ.- A planta aquática taboa (Typha dominguensis), durante quase 30 anos uma ameaça para os mangues costarriquenhos do Parque Nacional Palo Verde, se transforma em oportunidade de negócios para artesãs da comunidade agrícola de Bagatzí. A taboa se espalha amplamente no mundo graças à sua facilidade para colonizar ambientes. Mede mais de dois metros de altura e em fase reprodutiva apresenta uma espiga da cor de café com mais de dois milhões de sementes, que são dispersadas pelo vento. A planta ocorria regularmente na bacia do baixo Rio Tempisque, na província de Guanacaste, onde fica o Parque Nacional Palo Verde, de 18.418 hectares no Pacífico.

Por diversos fatores, se converteu em praga invasora de espelhos de água deste sítio Ramsar, um manguezal protegido por sua importância mundial, ameaçando as áreas de alimentação e postura de ovos de milhares de aves aquáticas residentes e migratórias. Criado em 1980, o Parque abriga cerca de 270 espécies de aves, entre elas grous marinhos, lapas, garças, patos e galos d'água. “A taboa encontrou condições ótimas para desenvolver-se devido à redução, contaminação ou desvio das águas do Rio Tempisque”, explicou ao Terramérica Jorge Jiménez, diretor da Organização para Estudos Tropicais (OET). O rio foi afetado “pelos sistemas de irrigação para agricultura intensiva, pela construção de diques e estradas e pelo uso extensivo de adubos, cujos nutrientes chegam até á água”, acrescentou.

A taboa também ameaça o cultivo de arroz, o principal da bacia. Há quatro anos, quando o cultivo do arroz perdeu rentabilidade diante da entrada no país do grão importado, mais barato, mulheres da comunidade de Bagatzí formaram o grupo Tifatur, com a esperança de encontrar na elaboração de papel de arroz uma renda suplementar para suas famílias. Esta comunidade agrícola depende em 95% do arroz e completa seu sustento com outros cultivos, como o milho, e agora e com a produção de papel. Mas o arroz foi deixado de lado como matéria-prima e na busca de outros materiais as mulheres descobriram que a invasora taboa era ideal, por sua resistência e durabilidade.

“Nosso objetivo é contribuir para limpar os mangues do Parque e melhorar as condições de vida da comunidade”, afirmou ao Terramérica Marlene Ruiz, vice-presidente do grupo. Com apoio técnico e financeiro de organizações nacionais e internacionais como a OET, Instituto Nacional de Aprendizagem, Fundação Avina e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o grupo estabeleceu uma pequena indústria artesanal a partir de papel feito de taboa, única no país, e conta com um albergue turístico com capacidade para seis pessoas. A produção conta com nove mulheres que combinam as tarefas domésticas com a elaboração do papel, a partir dos pedidos recebidos.

A partir da taboa são feitas bolsas, cartões, caixas de presentes, pastas e envelopes vendidos localmente. Por 300 pastas as mulheres cobram cerca de US$ 350 e têm, pela primeira vez, a oportunidade de colaborar na renda de suas famílias. “O objetivo é que se converta em um trabalho perto de casa sem descuidar do marido e dos filhos”, afirmou Ruiz. No próximo ano, o grupo espera integrar mais famílias ao projeto. Os produtos começam a ter demanda nacional e internacional, que a Tifatur espera atender com uma nova máquina desfribrilizadora, mais rápida e de melhor qualidade, e com melhor preparação em vendas e mercado. No prazo de três anos poderiam estar vendendo para o mercado nacional, incluindo os turistas, e mercado internacional, graças a contatos com organizações nos Estados Unidos.

O uso da taboa em artesanato é apenas um dos métodos para erradicá-la. Também são realizadas queimadas controladas, pastoreio com gado e barro batido, que consiste em utilizar um trator com pneus especiais que pressionam a planta até destruí-la na água. Graças a estas técnicas, desde 2002 foram restaurados 350 hectares do Parque Nacional Palo Verde e espera-se liberar uma área semelhante até maio de 2004, informou Jiménez.

Estas ações fazem parte de um projeto mais amplo, a Iniciativa para o Manejo Integrado da Bacia Baixa do Rio Tempisque, que promove atividades de restauração, conservação e produção sustentável com participação de comunidades e organizações da região. A OET atua como facilitadora e assesora científica. "Busca-se o manejo integral da região para que volte às condições que existiam antes", destacou Jiménez. Participam também universidades estatais, o Ministério do Meio Ambiente e Energia e vários doadores. “O objetivo é que a região dê um grande passo e se converta em modelo para outras bacias do país e além fronteiras”, disse ao Terramérica Eugenio González, coordenador da iniciativa para a OET.

* A autora é colaboradora do Terramérica.




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Enlaces Externos

Organização para Estudos Tropicais

Fundação Avina

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

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