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As águas feridas do Magdalena

Por María Isabel García *

Pela primeira vez se extrairá petróleo do rio símbolo da Colômbia, cuja bacia sofre os estragos causados pelo desmatamento e pela poluição.

BOGOTÁ.- No leito do emblemático Rio Magdalena, coração e principal artéria fluvial da Colômbia, terá início em outubro a exploração de petróleo, uma nova ameaça às suas águas já assediadas pela atividade humana. “Hoje, no Rio Magdalena existem mais vacas do que peixes e quem sabe o que acontecerá por causa do petróleo que disseram à imprensa terem encontrado”, disse ao Terramérica, com certa nostalgia, Rosendo Galvis, que fornece pescado a restaurantes do centro de Bogotá. Mas não só a pesca diminuiu. Desmatamento, erosão, poluição e secação de mangues ribeirinhos e vales afetam a quarta parte da população deste país de 40 milhões de habitantes.

Junto ao curso do Magdalena, de 540 quilômetros, existem 73 municípios e em sua área de influência mais de 700 localidades em 18 departamentos. Em seu caminho, desde a Cordilheira dos Andes até o Mar do Caribe, recebe diariamente cerca de 200 toneladas de esgoto doméstico, segundo a Direção de Água Potável e Saneamento Básico do Ministério do Meio Ambiente, Habitação e Desenvolvimento Territorial. O regime de chuvas mudou devido ao desmatamento e a planos de ordenamento territorial irracionais, segundo especialistas. “Quase todas as localidades estão assentadas em zonas inundáveis”, disse ao Terramérica Eduardo Samudio, do Instituto Colombiano de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais.

A população ribeirinha está habituada ao fenômeno, que se apresenta em novembro e dezembro e de maio a julho, apesar dos problemas ambientais e de salubridade por causa da proliferação de transmissores de doenças”, acrescentou o especialista. A bacia hidrográfica do Magdalena e seu principal afluente, o Rio Cauca, ocupa 257.400 quilômetros quadrados, 26% do território colombiano. Outros 30 rios principais com numerosos afluentes despejam suas águas nele. Em duas décadas do século XX, a colonização na região destruiu 3,5 milhões de hectares de floresta, mas os diagnósticos do setor florestal indicam que ainda se preserve uma área similar.

A pecuária de subsistência é atribuída à conversão em pastagem de milhares de hectares de floresta, afetando a estabilidade dos solos e alterando a dinâmica do Rio. Com uma taxa de erosão de 330 toneladas de solo por hectare ao ano, segundo o Departamento Nacional de Planejamento, e uma elevada carga de sedimentos, sua navegabilidade também foi afetada. As grossas partículas transportadas pelas avalanches, originadas nos degelos das geleiras, são um agente importante de sedimentação do Rio, segundo estudos da Corporação Regional Autônoma do Magdalena, a autoridade ambiental da região.

Por tudo isso, preocupa a exploração de petróleo que começará em outubro na região do Magdalena Médio, nos limites dos departamentos de Boyacá e Antióquia. A jazida Under River (sob o rio, em inglês) será operada pela empresa Omimex da Colômbia, filial da norte-americana Omimex Resources, com sede em Forth Woarth, no Texas, e pela estatal Empresa Colombiana de Petróleos. Com reservas comprovadas de 22 milhões de barris e potencial estimado em 45 milhões, o investimento oscilará entre US$ 25 milhões e US$ 28 milhões. Mais do que os riscos representados pela extração de petróleo, a principal ameaça ao rio símbolo da Colômbia é a diminuição de seu volume de água e os efeitos do aquecimento do planeta, disse ao Terramérica o ambientalista Gonzalo Palomino, da Universidade do Tolima, em Ibagúe. “Sem carro pode-se seguir adiante, mas sem rio não”, afirmou.

Os recursos destinados à extração de petróleo equivalem ao orçamento anual de investimentos estatais no Projeto Yuma (palavra indígena e nome originário do rio) para recuperar sua navegabilidade e permitir o transporte de passageiros e de carga. As metas traçadas são de aumentar a passagem de viajantes de 600 mil para 900 mil por ano, e de dois milhões de toneladas de carga anuais para quatro ou cinco em 2006.

Desde a conquista espanhola, no século XVI, o Rio Magdalena e seus eixos geográficos marcaram a rota de penetração a partir dos portos de Santa Marta e Cartagena, no Mar do Caribe, para o interior do atual território colombiano. Nos tempos coloniais, o então Rio Grande da Magdalena foi o eixo natural que ligava a metrópole com os territórios de ultramar e com Santa Fé de Bogotá, a capital do Novo Reino de Granada.

Alguns historiadores e sociólogos assinalam que o Magdalena marcou o desenvolvimento atípico da Colômbia, que tendo litoral no Atlântico e no Pacífico, concentrou seu poder econômico e administrativo em Bogotá, 2,6 mil metros acima do nível do mar, aonde se chegava por terra a partir dos portos fluviais de Honda e Girardot.

* A autora é colaboradora da IPS.




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Enlaces Externos

Ministério de Meio Ambiente, Habitação e Desenvolvimento Territorial da Colômbia

Corporação Regional Autônoma do Magdalena

Empresa Colombiana de Petróleo

Universidade do Tolima

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