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Costa Rica exporta modelo de certificado turístico

Por José Eduardo Mora *

Vários países latino-americanos adotarão o selo verde costarriquenho, embora haja pouco interesse por parte das grandes redes hoteleiras, a Costa Rica conseguiu certificar 50 empreendimentos turísticos.

SAN JOSÉ.- O programa de Certificação para a Sustentabilidade Turística (CST) da Costa Rica coloca esse país centro-americano na vanguarda do turismo ecológico e suas políticas começam a ganhar adeptos em toda a América Latina. A Costa Rica é o “primeiro país do continente a desenvolver o programa”, o que lhe permite exercer uma liderança reconhecida, disse ao Terramérica o coordenador geral do CST, Alberto Salas, do Instituto Costarriquenho de Turismo (ICT). O CST foi destaque durante o encontro da Organização Mundial do Turismo, realizado no Estado da Bahia, no ano passado. Após esse encontro no Brasil, foi lançada a iniciativa de criação uma rede das Américas em turismo sustentável, que tomará a CST como modelo. Nela serão mediadores Brasil, Belize, Guatemala, Costa Rica, Equador, explicou Salas.

Por mandato governamental, os países centro-americanos já trabalham na instauração desse Certificado. Contudo, o processo ainda deve se consolidar internamente. O Certificado é um programa voluntário ao qual já aderiram 50 hotéis da Costa Rica, 80% dos quais de pequeno porte. A idéia de certificar negócios turísticos rentáveis, que respeitem o meio ambiente e os direitos sociais, surgiu em 1993, por iniciativa do ICT, do Instituto Centro-Americano de Administração de Empresas (Incae) e da Universidade da Costa Rica. O processo de certificação procura um desenvolvimento sustentável com base em quatro aspectos que nem sempre se combinam no momento de se estabelecer um modelo, explicou ao Terramérica Andrea Prado, do Incae. Eles são o entorno físico-biológico, o uso de sua área de serviço, o cliente externo e o entrono socioeconômico.

O primeiro contempla a interação da empresa com o meio ambiente natural circundante e inclui o tratamento de esgoto e a proteção da fauna e da flora. O manejo do lixo, bem como o interesse que a empresa em questão consegue despertar em seus fornecedores pelo cuidado com o meio ambiente e a relação com a comunidade são aspectos determinantes para obter o Certificado. “Os hotéis recebem benefícios diretos, como uma economia importante no gasto de energia e água, melhor manejo de resíduos e melhor relação com as comunidades”, destacou Salas. Quando a empresa aspirante ao Certificado consegue cumprir os quatro requisitos, pode começar a subir cinco graus de qualidade, estabelecidos por estrelas, ao estilo da qualificação hoteleira internacional. Na Costa Rica, há apenas dois hotéis com Certificado em nível de cinco estrelas: Rosa Blanca Country Inn, em Heredia, 25 quilômetros a oeste de San José, e Lapa Rios, em Puntarenas, no Pacífico costarriquenho, a cem quilômetros da capital. No nível quatro há três hotéis; 12 no nível três; 19 no dois e 13 no nível um.

“O fato de haver apenas dois hotéis nível cinco estrelas diz muito da exigência do programa e dos esforços que os estabelecimentos fazem para melhorar sua pontuação”, afirmou Salas. A falta de recursos econômicos e a novidade do conceito no início foram contra o programa. E as grandes redes hoteleiras instaladas no país até agora mostraram pouco interesse em certificar suas operações. “Os grandes hotéis atraem segmentos de mercado que ainda não se interessam pela sustentabilidade, com ocorre em estabelecimentos especializados em ecoturismo”, explicou Prado, do Incae, que reconheceu que a CST não avançou com a rapidez que seus promotores esperavam. As exigências são, em alguns casos, muito difíceis de serem cumpridas pelos hotéis pequenos, pois exigem investimentos e grandes esforços. No entanto, os resultados econômicos convencerão pouco a pouco os empresários a obter o CST.

“Os que são atraídos pelo turismo sustentável, em geral, deixam mais dinheiro do que aqueles atraídos pelo turismo de sol e praia”, disse Prado. Os europeus são os mais seduzidos, bem como norte-americanos e canadenses com maior formação sociocultural, afirmou Salas. Além disso, acrescentou Prado, ao ganhar dimensão internacional o CST conseguirá seu fortalecimento interno. Sandra Jiménez, representante da organização Rainforest Alliance na Costa Rica, destacou a importância do turismo ecológico, no qual o visitante, a empresa e a comunidade são beneficiados, pois o meio ambiente não é afetado.

* O autor é correspondente do Terramérica.




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Enlaces Externos

Instituto Costarriquenho do Turismo

Organização Mundial de Turismo

Universidade da Costa Rica

Incae

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