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Artigo


Especialistas apóiam alerta do Pentágono sobre clima

Por Stephen Leahy *

Uma mudança climática repentina, que provocasse catástrofes como a queda da temperatura a níveis siberianos na Europa, é possível sim, segundo cientistas consultados pelo Terramérica.

BROOKLIN, Canadá.- Um controvertido relatório do Pentágono, sobre o risco iminente de uma catástrofe mundial causada pela mudança climática tem bases sólidas, garantem especialistas entrevistados pelo Terramérica. O estudo do Pentágono (Departamento de Defesa dos EUA), divulgado em janeiro na revista norte-americana de negócios Fortune, provocou alvoroço ao concluir que uma repentina mudança climática representaria um perigo muito maior do que o terrorismo. Intitulado “A hipótese de uma abrupta mudança do clima e suas conseqüências para a segurança nacional dos Estados Unidos”, o documento afirma que a grande corrente de água quente chamada “esteira transportadora” do Oceano Atlântico, que flui de sul para norte, poderia começar a desacelera em 2010, causando drásticas variações climáticas na costa leste norte-americana e no noroeste da Europa.

Se isso ocorrer, diz o estudo, o clima da Grã-Bretanha e do norte da Europa se assemelharia ao da gélida região russa da Sibéria, com uma média anual de chuvas cerca de 30% menor. “Os atuais níveis de dióxido de carbono na atmosfera são os mais altos em muito tempo, e isso torna mais provável uma repentina mudança do clima”, como ocorreu no passado, disse ao Terramérica Richard Alley, geofísico norte-americano da estatal Universidade da Pennsylvania. Alley presidiu em 2001 uma prestigiosa comissão investigadora da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos sobre a possibilidade de uma repentina mudança climática.

Essa comissão rejeitou a noção de que a mudança climática ocorre de forma gradual, durante períodos de 50 a cem anos, e reuniu evidência histórica sobre dramáticas alterações ocorridas em grandes regiões em poucos anos. A mesma posição foi sustentada pelo chefe dos assessores científicos do governo britânico, David King, que criticou as autoridades norte-americanas por não enfrentarem o desafio do aquecimento do planeta, em entrevista publicada no mês passado pela revista especializada Science. O relatório do Pentágono, redigido com base em entrevistas com cientistas, prevê que violentas tempestades poderiam tornar inabitável grande parte da Holanda e que em 2020, a média anual da temperatura na Europa seria 3,5 graus menor do que a atual.

Também prevê queda de cerca de 2,8 graus na temperatura média na Ásia e na América do Norte, e aumentos de 2,2 graus na América do Sul, África austral e Austrália. O documento assinala que grandes secas e elevação do nível do mar forçariam a migração de aproximadamente 400 milhões de pessoas e que tanto Europa quanto Estados Unidos deveriam se converter em “fortalezas” para evitar a entrada dessas pessoas em seus territórios. Tudo isso criaria condições para numerosos conflitos armados, adverte o estudo. Os autores do documento foram Doug Randall, da empresa especializada em tendências de negócios Global Business Network, com sede no Estado da Califórnia, e Peter Schwartz, que foi consultor da Agência Central de Inteligência (CIA) e diretor de planejamento da empresa petrolífera Royal Dutch/Shell. Ambos afirmaram que as enormes implicações da mudança climática os surpreenderam.

“É importante que nos centros de decisão política se dêem conta do que pode ocorrer", pois há evidência de que a “esteira transportadora” já é afetada pela mudança climática, disse Alley. As águas tropicais são muito mais salgadas dos que há 40 anos, e as polares são menos salgadas, devido à alta geral da temperatura que aumenta a evaporação em zonas quentes e o derretimento de geleiras, explicou ao Terramérica Raymond Schmitt, da Instituição Oceanográfica Woods Hole, do Estado norte-americano de Massachussets. O grande fluxo de água doce que vem da região polar setentrional rumo ao Atlântico norte pode conduzir ao desaceleramento da “esteira transportadora”, e “é muito o que estará em jogo” se isso ocorrer, destacou. Nas últimas décadas, os cientistas estudaram o clima de forma retrospectiva, a partir de núcleos de grandes geleiras antárticas, profundos sedimentos marinhos na costa venezuelana e muitas outras fontes, com resultados surpreendentes.

Segundo esses estudos, há 1,3 mil anos uma abrupta mudança climática chamada Jovem Dryas restaurou climas próprios da Idade do Gelo em zonas quentes da Europa, devido a uma desaceleração da “esteira transportadora”, que provavelmente inverteu sua direção. A palavra Dryas deriva da Dryas octopelata, planta típica da tundra, que reapareceu nas terras meridionais da Europa quando sua temperatura baixou. O clima também pode mudar de forma abrupta em regiões propensas à seca, como o Sahel africano (limite sul do deserto do Saara) e o centro da América do Norte, disse Alley. Quando se intensificam as tendências à mudança climática, o seco fica mais seco e o úmido mais úmido, e “já estamos vendo isso”, acrescentou. O derretimento de geleiras antárticas também pode alcançar um nível que provoque aumento do nível do mar em até cinco metros, afirmou o especialista. O ciclo de correntes oceânicas El Niño-La Niña, a maior força determinante do clima depois da rotação da Terra ao redor do Sol, também pode ser interrompida durante anos, ressaltou.

* O autor é colaborador da IPS.


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Enlaces Externos

Informe completo do Pentágono (necessário Acrobat Reader)

Publicação do relatório na Fortune

Woods Hole

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