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Pequenos arrozais com grandes resultados

Por Patrícia Grogg*

Cuba destina mais de 130 mil hectares ao cultivo da gramínea em reduzidas áreas.

HAVANA.- Cuba pretende manter em aumento sua produção de arroz através do fomento do cultivo dessa gramínea em pequenas áreas, programa que envolve cerca de 190 mil camponeses de todo o país. A superfície destinada ao arroz correspondente a esse programa já soma mais de 130 mil hectares, extensão que poderia aumentar com a incorporação de terras atualmente ociosas do setor agrícola estatal, ou de canaviais desativados depois da reestruturação açucareira, realizada em 2002. Outros 30 mil hectares de arroz correspondem a empresas estatais dotadas de boa infra-estrutura, mas necessitadas de uma melhor organização para aprimorar rendimentos e baixar os custos. O arroz é básico nas mesas das famílias cubanas, onde se consome cerca de 670 mil toneladas anuais desse alimento, mas cerca de 60% dessa quantidade é importada, especialmente do Vietnã, China e Estados Unidos.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a produção de arroz em Cuba aumentou mais de 10% ao ano nos últimos cinco anos. Especialistas consideram tais resultados como algo “inédito” na agricultura cubana, afetada por freqüentes fenômenos climáticos, falta de insumos ou políticas que costumam ficar nas boas intenções e não se concretizam. “O exemplo dessa modalidade de produção de arroz (em pequenas áreas) e sua coexistência com o modelo estatal é um indicativo da visão realista e pragmática que se abre na direção estratégica da agricultura cubana”, disse ao Terramérica uma fonte do setor que preferiu não ser identificada.

Para especialistas, o fomento das pequenas plantações de arroz é a chave da sustentabilidade no setor, e a prova disso é que cerca de 80% do arroz consumido no mundo provêm dessa modalidade de cultivo. Suas vantagens sobre os gigantes complexos agroindustriais do arroz estatais incluem o uso de menos força de trabalho e insumos por hectare, e a possibilidade de controlar mais facilmente pragas e enfermidades. O programa, iniciado em 1996 e conhecido como Movimento Popular de Cultivo de Arroz, também conseguiu maiores níveis de produtividade e eficiência, segundo os especialistas.

A estratégia atual objetiva o incremento das áreas de plantio e da quantidade de produtores, o sucesso das colheitas anuais e o aumento dos rendimentos por hectare, segundo funcionários do Ministério da Agricultura. Tais objetivos partem da idéia de que a aplicação de novas tecnologias nos cultivos de arroz permitiram reduzir em mais de 30% o custo por tonelada em apenas três anos, segundo dados oficiais. A plantação de variedades de maior produtividade, com mais resistência às pragas, à salinidade dos solos e às mudanças climáticas também é citada por especialistas entre as condições que favoreceram o aumento da produção.

Além disso, a ilha incorporou aos seus planos o Sistema Intensivo de Cultivo do Arroz (Sica), usado internacionalmente para produzir com alto rendimento e economia de água e semente. Com o Sica, a produção do ano passado foi de 220 mil toneladas, espera-se um aumento de 10% (para cerca de 242 mil) este ano, e que chegue a 295 mil toneladas em 2005. Antes de 1990, a produção do cereal era responsabilidade de quatro gigantescos complexos, cujo funcionamento só era possível através de alto consumo de energia para a irrigação e a mecanização, com uso de grande quantidade de herbicidas e fertilizantes químicos, entre outros problemas.

Com a brusca interrupção dos fornecimentos provenientes do chamado campo socialista, depois de sua crise no final dos anos 80 e início dos 90, a produção de arroz cubana sofreu um duro revés, igual ao resto da economia da ilha. Os especialistas asseguram que o principal fator adverso para as colheitas é a instabilidade do clima, que alterna longos períodos de seca com outros de intensas chuvas. A Organização das Nações Unidas declarou 2004 como Ano Internacional do Arroz, para promover um maior desenvolvimento deste alimento, básico na dieta diária de aproximadamente três bilhões de habitantes do planeta.

* A autora é correspondente da IPS




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