Reportajes
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Artigo


Crise do gás faz ressurgir o debate energético

Por Gustavo González*

No Chile, ecologistas pedem diversificação das fontes energéticas, enquanto as autoridades estudam antecipar a operação de uma polêmica represa.

SANTIAGO.- Dirigentes ambientalistas pediram no Chile uma “drástica diversificação” das fontes de energia, como resposta ao corte no fornecimento de gás natural procedente da Argentina, que ameaça a produção local de eletricidade. “O Chile deve mudar sua matriz energética agora”, afirmaram em uma declaração os ambientalistas Manuel Baquedano, presidente do Instituto de Ecologia Política, Álvaro Gómez, coordenador da Rede Nacional de Ação Ecológica, e Sara Larraín, coordenadora do Programa Chile Sustentável.

A Argentina decidiu, no dia 1º de abril, reduzir em 14% - cerca de 2,3 milhões de metros cúbicos diários - seu fornecimento de gás para o Chile, medida que afeta sobretudo Antofagasta e Atacama, regiões no norte do país que carecem de fontes hidrelétricas. As empresas fornecedoras imediatamente anunciaram que recorrerão ao diesel para minimizar os efeitos do déficit de gás. O mesmo fará a estatal Corporação do Cobre (Codelco), principal fonte de divisas para o Chile, que explora na área afetada as jazidas de Chuquicamata e El Salvador.

O Chile recebe 70% das exportações de gás natural argentino, que abastecem centrais de ciclo combinado (capazes de também operar com petróleo ou carvão) e cobrem 37% da demanda de energia elétrica. A construção dessas centrais térmicas complementou as hidrelétricas nos anos 90, quando foram construídos gasodutos transandinos entre a Argentina e as regiões central e norte do Chile.

A falta de investimento para novas explorações de gás natural criou, este ano, uma crise de abastecimento na Argentina, que poderia optar por diminuir suas exportações para atender o aumento da demanda interna devido ao crescimento de sua economia. O governo do presidente chileno, Ricardo Lagos, insiste em que as empresas privadas exploradoras de gás natural argentino devem cumprir seus contratos de fornecimento para o Chile, mas considera-se inevitável que haja mais redução nos próximos meses.

Como resposta à crise, estuda-se a possibilidade de antecipar para este ano a entrada em funcionamento da hidrelétrica Ralco, cuja construção no curso superior do Rio Bío-Bío, que atravessa o centro do país, encontra resistência nas comunidades indígenas pehuenches e em organizações ecologistas. Esta central aumentaria em 9% a atual oferta de eletricidade e poderia começar a operar em junho ou julho, dependendo das condições pluviométricas. Além de apostar no aumento da geração hidrelétrica, as autoridades prevêem o uso de carvão ou diesel para fazer funcionar as centrais de ciclo combinado no norte do país, a um custo maior do que com o uso do gás natural.

Isso poderia provocar aumento das tarifas de energia em outubro, época de revisão do sistema de preços, alertou no dia 29 de março a chefe da divisão de Desenvolvimento de Mercados do Ministério da Economia, Andréa Butelmann. Será necessário reordenar o plano de obras do sistema interconectado central, que prevê a construção de sete novas centrais a gás, de agora até 2015, ressaltou. O Chile deve assumir que terá de produzir eletricidade com fontes de energia mais caras do que o gás, mas, se as tarifas aumentam, poderá ser mais rentável investir em recursos alternativos como a geotermia, disse Andréa.

Por sua vez, Baquedano, Gómez e Larraín, classificaram de “ensimesmada e errônea” a política energética baseada exclusivamente na hidrelétrica e em centrais térmicas movidas a gás natural. A maior responsabilidade por esta nova ameaça de crise recai nos governos, por não avançarem em políticas de real diversificação das fontes de energia, embora sejam as empresas privadas que tomam a iniciativa de investimento e propõem novas obras, afirmaram. A aposta quase exclusiva nas centrais a gás natural para os próximos anos e o empenho do governo em garantir fornecimento desse combustível da Argentina, “porque é mais barato”, demonstram que a política energética é regida apenas por critérios de mercado, destacaram os ambientalistas.

Os três ativistas apresentaram sete medidas, que incluem legislar para promover o uso de energias renováveis não-convencionais, como eólica, solar, de biomassa, a partir das marés e de pequenas centrais hidráulicas. Também pediram antecipação dos planos para habilitação de pelo menos três centrais geotérmicas e a construção de outras três até 2015. “A aparente intransponível barreira (de custos) para que as fontes renováveis possam entrar nos sistemas energéticos foi enfrentada pela maioria dos países com a criação de fundos de promoção das energias renováveis”, destacaram Baquedano, Gómez e Larraín. “Através de um incentivo ao investimento inicial dos projetos ou da bonificação da energia limpa gerada por estes se conseguiu reduzir esta barreira inicial”, destacaram, insistindo na necessidade de um programa de uso eficiente da energia no Chile.

O especialista em engenharia nuclear Fernando Mujica, professor de Energia Sustentável da Universidade Austral de Valdivia, disse que “um plano equilibrado de desenvolvimento elétrico deveria analisar sem exclusões todas as opções de produção”, incluindo soluções hidrelétricas, termelétricas e núcleo-elétricas.

* O autor é correspondente da IPS.




Copyright © 2007 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados
 

 

Enlaces Externos

Conama

Renace

Instituto de Ecologia Política

Chile Sustentável

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos